Aumenta a perseguição aos cristãos na Índia

29 dez 2021, 05:50
India
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Época natalícia trouxe novos ataques às comunidades cristãs, com destruição de imagens de Jesus Cristo e do Pai Natal. Cerco político às Missionárias da Caridade confirma tendência

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O Natal agravou uma tendência de que já se registavam muitos sinais na Índia: a perseguição cada vez mais agressiva às comunidades cristãs. As notícias que chegam de várias regiões do país dão conta tanto de decisões governamentais como de ataques de movimentos políticos e religiosos extremistas, todas revelando uma tendência de cerco aos cristão, promovida ou admitida pelo governo nacionalista hindu liderado por Narendra Modi.

Segundo um relatório de uma ONG divulgado em outubro, nos primeiros nove meses de 2021 foram documentados mais de trezentos ataques a comunidades cristãs, visando sobretudo padres, missionários e professores. O facto mais recente foi a decisão do governo central de proibir o financiamento estrangeiro às Missionárias da Caridade, organização caritativa fundada pela Madre Teresa de Calcutá em 1950. A instituição tornou-se mundialmente célebre pelo trabalho de apoio aos mais pobres, e foi uma das razões para a atribuição do Prémio Nobel da Paz à freira católica que entretanto a Igreja declarou santa. 

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No sábado passado, dia de Natal, o Ministério do Interior indiano recusou a renovação da licença para as Missionárias da Caridade continuarem a receber financiamento estrangeiro. O Governo não deu qualquer explicação para a decisão - alegou apenas que a organização já não preenche os requisitos para receber financiamento estrangeiro.

 

O Natal mais negro

 

Mas não foi o único ataque durante o Natal à presença cristã em território indiano. Em diversas localidades da Índia registaram-se ataques a comunidades cristãs enquanto estas celebravam o período natalício. Os ataques foram promovidos por grupos hindus de extrema-direita, apoiantes do primeiro-ministro Narendra Modi, que acusam os cristãos de aproveitarem as festividades para forçar a conversão de hindus ao cristianismo. 

Há relatos de eventos festivos interrompidos por militantes hindus na véspera e no dia de Natal, tanto em igrejas como em escolas cristãs. No estado de Haryana, uma igreja foi vandalizada e uma estátua de Cristo foi derrubada durante a madrugada de 25 de dezembro. No mesmo estado, na véspera de Natal, um grupo de vigilantes hindus interrompeu um sarau numa escola, onde estavam a ser cantadas canções de Natal, e eram lidas passagens da Bíblia.

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No estado de Uttar Pradesh, outro grupo de vigilantes hindus cercou um evento de Natal, gritando “parem as conversões” e “morte aos missionários”. 

Em Agra, organizações hindus de extrema-direita queimaram imagens do Pai Natal em frente a escolas dirigidas por missionários cristãos, que acusaram de aproveitar o brilho das festividades para enganar e converter a população local. 

“Conforme chega Dezembro, os missionários cristãos tornam-se muito ativos em nome do Natal, do Pai Natal e do Ano Novo. Enganam as crianças, com pais natal que distribuem prendas, atraindo-as para o Cristianismo”, queixou-se um dos responsáveis das organizações hindus que lideraram o protesto, citado pelo jornal The Guardian. 

Não é a primeira vez que ataques deste género acontecem, mas este foi o Natal mais violento de que há registo. Desde que o Partido Bharatiya Janata (BJP), força nacionalista hindu de Narendra Modi, chegou ao poder, em 2014, os ataques aos cristãos e outras minorias religiosas não têm parado de crescer. Os cristão representam apenas cerca de 2% da população indiana, de maioria hindu.

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A perseguição às minorias religiosas tem sido tolerada, mas também promovida, pelo BJP - nalguns estados, o partido tem promovido comícios especificamente sobre a “ameaça” das conversões forçadas. recentemente, o governo do estado de Karnataka aprovou uma lei “anti-conversão”, à semelhança do que já ocorreu noutros estados do país. Só em Karnataka já houve 39 crimes de ódio contra cristãos este ano.

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