A crescente cultura de tatuagens na NBA criou um novo tipo de influencer

CNN , Leah Asmelash
1 dez 2021, 18:58
Tatuagens na NBA
Tatuagens na NBA

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Numa qualquer noite, os jogos da NBA são uma disputa entre alguns dos melhores jogadores de basquetebol profissional do mundo. Porém, cada vez mais os campos não são apenas palcos para que os atletas mostrem a sua destreza física, como também se tornaram uma espécie de exposição de algumas das melhores e mais interessantes tatuagens.

Desde mangas arregaçadas a intrincadas tatuagens faciais, a NBA tornou-se não só um núcleo do basquetebol mundial, mas também da arte corporal, exibindo algumas das mais recentes tendências no mundo das tatuagens.

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"Quando vejo alguém como o (defesa do Utah Jazz) Jordan Clarkson com uma tatuagem na cara, sei que vou fazer muitas tatuagens faciais", declarou Herchell Carrasco da Pachuco Tattoo na Califórnia.

A tatuagem facial de Jordan Clarkson pode inspirar outros atletas a fazer uma semelhante. Créditos: Logan Riely/NBAE/Getty Images

Carrasco faz tatuagens há mais de uma década, mas começou a tatuar jogadores da NBA em 2017. Atualmente, é o artista por trás de algumas das mais reconhecíveis tatuagens da Liga, incluindo trabalhos em Kyle Kuzma, LaMelo Ball e Brandon Ingram.

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LiAngelo Ball, qua joga atualmente na Liga G nos Greensboro Swarm, estava a hesitar fazer uma tatuagem no pescoço, declarou Carrasco à CNN. Agora que Clarkson fez na cara, Carrasco disse que talvez seja uma motivação para que outros jogadores tatuem mais a cara ou a zona do pescoço.

"Os atletas são... empresários", disse Carrasco, explicando que acha que a maioria não vai ter tatuagens faciais enormes ao estilo Aaron Carter. "Mas vejo tatuagens faciais subtis tornarem-se uma tendência no futuro próximo."

Mike Scott tem uma série de tatuagens de emojis nos dois braços. Uma das obras mais ecléticas da Liga. Créditos: Elsa/Getty Images

E obviamente que semanas depois de Clarkson ter feito a sua tatuagem facial, Kuzma, dos Washington Wizards, revelou delicado escrito por trás da orelha que parecia dizer, "sê como a água meu amigo".

Não foi sempre assim. Um olhar para uma fotografia de 1992 da "Dream Team" dos EUA que ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos com os talentos de Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird e Scottie Pippen, revela que poucos, se não todos, têm tatuagens visíveis, quanto mais enormes.

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Mas quanto à equipa que jogou nos Jogos Olímpicos de 2020, a história é diferente. Entre Damian Lillard, cujos braços estão cobertos de tatuagens, e Jayson Tatum, cujas tatuagens nas costas espreitam acima do ombro para fora da camisola, as tatuagens em jogadores são a norma.

Damian Lillard, que representou os EUA nas Olimpíadas de Tóquio, tem os dois braços tatuados, algo muito diferente dos jogadores do passado. Créditos: Aris Messinis /AFP/Getty Images

Parte da mudança de cultura na NBA foi produto de mudanças mais alargadas nos Estados Unidos, à medida que as tatuagens se foram tornando mais convencionais. Embora seja difícil saber exatamente quantas pessoas têm tatuagens, uma sondagem de 2019 da firma Pisos de estudos de mercado revelou que três em cada dez pessoas nos EUA têm pelo menos uma tatuagem.

E à medida que a sua popularidade cresce, mais pessoas prestam atenção à qualidade das tatuagens que fazem, procuram artistas vanguardistas para obterem a melhor. Carrasco reparou que alguns jogadores fazem tatuagens de qualidade inferior antes de entrarem para a Liga, mas acabam por substituí-las por tatuagens de mais alta qualidade quando ganham mais dinheiro.

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“Derrick Rose dos New York Knicks é um exemplo disto”, disse o tatuador Jose Guijosa, que tatuou o veterano da NBA várias vezes.

"Ele tem algumas tatuagens feitas nos tempos de juventude... na garagem de um amigo," declarou Guijosa à CNN. "E as tatuagens não são muito boas... Acho que ele não se importa de gastar dinheiro agora, ele só quer garantir que é uma bela tatuagem."

À medida que um número crescente de jogadores da Liga faz tatuagens mais bonitas, os jogadores mais jovens em ascensão, que podem andar na faculdade neste momento, começam a reparar. Guijosa, por exemplo, fez a primeira tatuagem da G League ao defesa DJ Steward enquanto ele ainda estava na faculdade, na Universidade Duke.

"(Os jogadores mais jovens) querem fazer tatuagens mais bonitas," declarou Guijosa. "Acho que eles veem as novas tatuagens que os jogadores mais velhos fazem, por isso pensam fazer melhores tatuagens em vez de viajarem."

Guijosa prepara-se para tatuar o pescoço de Derrick Rose. Créditos: Jose Guijosa

Não é apenas a quantidade de tatuagens que está a mudar, mas os locais que são tatuados. As pernas e os joelhos tornaram-se as zonas mais populares, segundo Carrasco, sobretudo com o aumento do volume de tatuagens que as pessoas fazem.

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"Depois de tatuarmos os braços, o que fazemos a seguir?" diz ele.

Ainda assim, Carrasco refere que costuma trabalhar as zonas mais visíveis, enquanto as tatuagens nas costas, costelas ou barriga são menos frequentes.

"Fiquei surpreendido porque o Kuzma quis tatuar as costas, mas já estávamos a ficar sem espaço.

Kyle Kuzma a ser tatuado por Carrasco. Créditos: Herchell Carrasco

A forma como os jogadores da NBA são tatuados também é ligeiramente diferente do cidadão comum. Como têm mais meios financeiros, os jogadores costumam pedir aos tatuadores que viajem com eles, em vez de acontecer o contrário. Rose, por exemplo, uma vez levou Guijosa de avião, em classe executiva para o Arizona, para poder ser tatuado.

Há alguns anos, Carrasco foi convidado para uma penthouse com vários jovens jogadores dos Los Angeles Lakers da altura: Ingram, Kuzma, Thomas Bryant e Vander Blue. Embora Carrasco tenha tido o contacto inicial com Bryant, acabou por tatuar vários jogadores nesse dia.

Ser contactado para tatuar um jogador e acabar por tatuar vários é bastante comum, segundo Carrasco. Por vezes, os amigos ou os agentes dos jogadores também querem tatuagens novas e "tudo se transforma numa pequena festa de tatuagens".

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"Já aprendi que, vá para onde for, levo sempre um colega comigo por causa disso", disse ele, observando que pode ser uma boa oportunidade para um tatuador mais jovem.

A tatuagem na perna de LaMelo Ball, da autoria de Carrasco, é uma das obras mais reconhecidas da NBA. Créditos: Ezra Shaw/Getty Images


Mas não são apenas os jogadores e os tatuadores que estão atentos às tatuagens da NBA. Os fãs também estão.

Tema de muitas contas nas redes sociais, a visibilidade das tatuagens na NBA (em parte devida à natureza dos equipamentos) significa que é fácil ver quando uma das estrelas tem uma tatuagem nova.

InkedNBA, uma conta no Instagram dedicada às tatuagens da NBA com 154 mil seguidores, tornou-se uma verdadeira base de dados das novas tatuagens.

Matt Mangano criou a conta em 2019, quando pensava em fazer a primeira tatuagem. Procurou inspiração na NBA, pois "sempre viu tatuagens com estilo dentro do campo".

A popularidade da conta mostra que ele não é o único a ficar maravilhado com as tatuagens da liga. Mangano atribui isso à moda. Os jogadores da NBA são conhecidos por exibir o seu estilo (leaguefits, uma conta de Instagram dedicada às roupas vestidas pelos jogadores, tem mais de 700 mil seguidores). O fascínio pelo visual dos jogadores abrange as tatuagens. As pessoas sentem-se atraídas por esse swag", disse Mangano.

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"Há certos estilos de roupa e com as tatuagens acontece a mesma coisa".

D'Angelo Russell, dos Minnesota Timberwolves, tem a tatuagem N:OW, que muitas copiaram, segundo Mangano. Créditos: Jonathan Bachman/Getty Images


Algumas pessoas chegam ao ponto de copiar as suas tatuagens favoritas, e os seguidores de InkedNBA enviaram a Mangano fotografias daquilo que já tatuaram. D'Angelo Russell, dos Minnesota Timberwolves, tem uma tatuagem destacada no ombro, onde diz N:OW. Pelo menos 100 pessoas enviaram a Mangano a sua cópia da tatuagem, disse ele à CNN.

De certas formas, a obsessão com as tatuagens da NBA é semelhante à forma como as pessoas seguem os influenciadores de moda, de acordo com Mangano.

Só é apenas... um pouco mais intensa.

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