opinião
Colunista e comentador

Uma Mensagem na qual se fala de quatro "monstros" engordados pela presidência de Pinto da Costa. E de ameaça em ameaça, agora é a "nação" e o "altar" que se veem ameaçados

1 fev, 09:25

Na Mensagem dedicada a Pinto da Costa no “Rui Santos Em Campo” desta semana, já o comentador da CNN referia-se à claque dominante do FC Porto como um dos “monstros” que vêm afectando a imagem e a presidência do clube portista

Caro Jorge Nuno Pinto da Costa,

A semana ficou marcada pela notícia segundo a qual vai apresentar a sua recandidatura à presidência do FC Porto no próximo domingo, dia 4, sob o lema “Todos pelo Porto”, “rumo a novas conquistas”.

É reconhecido - e cito - que “chegou o momento de lançar o FC Porto para uma nova era, mantendo o inabalável espírito de vitória que nos caracteriza”. E é definido - e volto a citar - que o “'Todos pelo FC Porto’ é um projecto de renovação, que irá redefinir o patamar competitivo do clube, contando com uma equipa de gestão contemporânea, comprometida em assegurar a sustentabilidade financeira e preservar o nosso espírito indomável”.

A recandidatura a um 16.º mandato fala ainda de ‘renovação’ e de um ‘Porto Novo’. Não é contraditório?

Caro Jorge Nuno Pinto da Costa,

A necessidade de mudança, mais do que a intenção agora proclamada, vem com pelo menos 10 anos de atraso.

Sentado confortavelmente em cima da noção de controlo não apenas do seu núcleo duro mas também de uma ideia de repressão que gerou temores nos sócios portistas, verbalizada agora pelo seu principal opositor, André Villas-Boas, foi ignorando todos os sinais de envelhecimento de uma linha motora de actuação com mais de 40 anos, sustentada por uma SAD também envelhecida.

É tempo de voltar a centrar as coisas.

A sua liderança permitiu engordar quatro MONSTROS:

Primeiro "MONSTRO” - O "MONSTRO DAS FINANÇAS".

Permitiu a delapidação dos largos recursos proporcionados pela venda de jogadores e pelas constantes participações na Liga dos Campeões, com sucesso assinalável, numa galopante caminhada rumo à insustentabilidade financeira que neste momento quer inverter e que, curiosamente, um dos seus aliados, agora adversário, Angelino Ferreira, lhe disse há mais de 10 anos que não era suportável, sem efeitos arrasadores para a gestão financeira do FC Porto. Este ‘monstro’ papou quase tudo.

Segundo "MONSTRO" - O "MONSTRO DA FALTA DE TRANSPARÊNCIA"

Relacionado com a insustentabilidade financeira, permitiu que, em redor do FC Porto, se instalasse uma espécie de “circo de comissionistas”, com ações pouca claras, algumas das quais ainda hoje investigadas, que resultaram nalguns casos em aumento de poder junto da sua liderança. Este ‘monstro’ abusou, inclusive no acto de ignorar potenciais conflitos de interesses.

Terceiro "MONSTRO" - O "MONSTRO DAS CLAQUES"

Um dos pontos mais sensíveis e que resulta da sua conclusão (gerada há décadas) de que para manter o seu FC Porto controlado, por dentro e por fora, era preciso ter uma espécie de exército protetor, uma espécie de polícia de maus costumes, capaz de agir contra todos aqueles que pudessem colocar em causa a ideia dominante e hegemónica do seu regime. Uma ideia e um erro graves que ficaram desnudados na histórica Assembleia no dia 13 de Novembro, a partir da qual aquilo que era dito em termos de análise crítica, construtiva, passou a ter um aliado maior, confirmado no terreno. Este ‘monstro’ não podia ter tido tanta liberdade, mas aqui a culpa não é totalmente sua - é do País e da fragilidade das instituições.

Quarto "MONSTRO" - O "MONSTRO DA COMUNICAÇÃO"

Permitiu fazer crescer a intolerância e a delimitar o território entre amigos e inimigos, dando autonomia excessiva a uma equipa de comunicação (de credibilidade zero) capaz de utilizar os truques mais soezes para desviar as atenções de problemas reais convertidos em campanhas da comunicação social do sul e de Lisboa - tudo também no sentido de aumentar e exponenciar o valor supremo da coesão interna. Este monstro lesou gravemente a imagem do FC Porto.

Caro Jorge Nuno Pinto da Costa,

Sabe muito bem que alimentou estes monstros e levou ao limite de se deixar enredar por visões e práticas pouco recomendáveis.

Está a tentar emendar (ou talvez camuflar) um erro histórico. Tinha todas as condições para sair por cima, glorificado pelo TODO do FC Porto, promovendo uma renovação efectiva e necessária, realmente assumida, e no tempo certo.

Até conseguiu gerar a dúvida em Sérgio Conceição.

Agora, empurrado pelas circunstâncias, vai ter de lidar com uma massa associativa dividida, que provavelmente - tirando aqueles, e são muitos, que não querem perder privilégios - não vai acreditar nesta narrativa de renovação.

Pode ser tarde de mais e, se assim for, será lembrado por dois momentos: pela pujança e pela negação.

Não havia necessidade.

Winston Churchill dizia que "É melhor morrer em combate do que ver ultrajada a nossa nação e nosso altar.”

No domingo, no Coliseu, começaremos a ver se estará mais perto desta ideia (através de uma mera operação de cosmética para ganhar votos) ou se, na verdade, tomou consciência do impacto do aparecimento de André Villas-Boas.

Eu acredito mais na ideia da nação e do altar.

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