E se entre os mais influentes do mundo não houver um futebolista?

2 mai 2016, 10:05
Bola de Ouro: Neymar, Messi e Ronaldo

Eleição da revista «Time» destaca sete desportistas, mas nenhum deles é do futebol

A revista «Time» publicou há cerca de uma semana a lista anual das 100 pessoas mais influentes no mundo. Desde dirigentes políticos a figuras das artes, passando por ícones só por si, também vários nomes do mundo do desporto foram eleitos neste ano.

Os desportistas (em atividade) eleitos são sete e são maioritariamente dos Estados Unidos fugindo a esta regra uma indiana, um jamaicano e outro inglês. A variedade aumenta mais se se tiver em conta as idades, mas há um aspeto que se destaca num lote que inclui elementos desde o desporto automóvel às modalidades coletivas: não há um futebolista nesta eleição.

As modalidades que são disputadas individualmente são mais propensas a terem figuras que sobem ao olimpo dos adeptos pelo nível que certas super estrelas atingem na consagração do seu lugar único no desporto. Mas, mesmo em desportos de equipas, há outras super estrelas que se elevam para além dos pares entre colegas e adversários.

Onde param – ou deveriam parar – os futebolistas no meio de uma eleição destas feita por uma prestigiada publicação sediada nos Estados Unidos da América? Antes de o leitor aceitar contribuir para esta resposta, veja-se quem foram os desportistas eleitos pela «Time».

Lewis Hamilton, piloto de F1 (Inglaterra, 31 anos)

Tricampeão do mundo de Fórmula 1 em 2015 (depois de 2014 e 2008), o piloto inglês tem uma vida pública fora das pistas bastante solicitada e presente em várias atividades extra-F1. Hamilton é uma cara muito vista no dia a dia como embaixador de várias marcas (como outros).

A eleição de Hamilton na «Time» é justificada por Mario Andretti, antigo campeão do mundo de F1, dizendo que se o inglês se retirasse agora «continuaria entre os melhores de sempre». «O que o torna diferente é a sua atitude. Ele exala confiança, mas é sereno. O mais fascinante nele é a sua vida fora do desporto. Num dia está num desfile de moda na China, no seguinte está a abraçar tigres no México. E ele continua focado.»

Ronda Rousey, lutadora (EUA, 29 anos)

Ex-judoca medalha de bronze em Pequim 2008, uma das atuais estrelas dos EUA dedicou-se ao campeonato UFC de artes marciais mistas. Começou em 2011 e o seu último combate foi a sua primeira derrota, em novembro passado, para um recorde entre vitórias e derrotas de 12-1 em quatro anos.

A atriz Tina Fey que vai contracenar com Rousey num filme exaltou a sua combatividade citando o lema da mãe da lutadora: «Não se treina para sermos os melhores do mundo. Treina-se para sermos os melhores do mundo no nosso pior dia.»

Stephen Curry, basquetebolista (EUA, 28 anos)

No ano de 2015 arrasou na NBA sendo a figura maior da equipa que conquistou o título de campeã. Curry foi também o MVP da fase regular e ganhou o concurso de triplos, só para nomear alguns dos feitos. E continua a ser visto como o melhor basquetebolista da atualidade.

Misty Copeland é uma bailarina que esclarece desde logo que não se deve estranhar a sua avaliação na «Time». «A vida de treino e a disciplina mental» comuns às suas atividades justificam-no.

«Ele combina uma destreza nunca vista com a leveza e o instinto de um grande artista. Estas qualidades e um espantoso sentido de tempo permitem-lhe liderar sem receio a sua equipa recordista por, em simultâneo, encaixar-se e colocar-se de fora permitindo aos companheiros de equipa progredir e disporem-se a vencer constantemente.»

Usain Bolt, velocista (Jamaica, 29 anos)

Vai lutar pelo «tri» olímpico nas três especialidades em que detém as seis últimas medalhas de ouro nos Jogos: 100m, 200m, e 4x100m, em Pequim 2008 e em Londres 2012. É o homem mais rápido do mundo e o melhor velocista da história do atletismo. Mas não são só os títulos – como os vários troféus mundiais que ficam por nomear – o que Bolt tem. Ele é também uma inspiração para imensos.

Ziggy Marley, músico jamaicano e filho do ícone do reggae Bob Marley, considera o compatriota «uma força unificadora» no meio da diversidade que caracteriza o mundo.

«Ele corre com grande alegria, com paixão, com alma. Muitos que chegam a esse nível de super estrela pretendem ser outra pessoa. Ele é real. Ele não está atrás de uma fachada. Ele é um líder e continuará a ser uma inspiração.»

Jordan Spieth, golfista (EUA, 22 anos)

É visto como o sucessor (substituto?) de Tiger Woods. O jovem golfista já disse ao que vinha na última época: ganhou cinco títulos e embolsou 22 milhões de dólares (cerca de 19,2 milhões de euros).

Tony Romo é o quarterback dos Dallas Cowboys e garante que «Jordan Spieth é o exemplo de toda a grandeza que há no desporto». «Raramente um atleta é tão supremamente confiante e ainda assim incrivelmente humilde. Ele é o exemplo pelo qual os nossos heróis devem ser avaliados.»

Katie Ledecky, nadadora (EUA, 19 anos)

Aos 15 anos, em Londres 2012, ganhou o ouro olímpico nos 800m livres. Um ano depois já ganhava mais quatro títulos nos Mundiais de natação; que aumentou para cinco no ano passado. Atualmente, detém os recordes mundiais dos 400m, 800m e 1.500m livres.

Janet Evans foi, antes de Ledecky, a primeira nadadora dos EUA a deter aqueles recordes em simultâneo.

«Nunca pensei ver uma pessoa ganhar os 200m, 400m, 800m e 1.500m metros livres nos mesmos Campeonatos do Mundo, que foi exatamente o que ele fez no verão passado. Ainda mais impressionante foi que ela o fez com 18 anos. A Katie não está a dizer às pessoas o que elas devem fazer, ela está a mostrar-lhes como podem fazê-lo.»

Sania Mirza, tenista (Índia, 29 anos)

Foi a primeira tenista indiana a vencer um torneio WTA em singulares, em 2005. Agora é a parceira de Martina Hingis na dupla nº1 do ranking mundial, que só não ganhou o torneio de Roland Garros entre os quatro troféus do Grand Slam.

Sachin Tendulkar é considerado um dos melhores jogadores de críquete de sempre e fala assim da sua compatriota na «Time»: «Quando a carreira de singulares de Sania terminou por lesões no pulso, ela, com dedicação e força de vontade, reiventou-se totalmente como jogadora de pares. A sua confiança, força e resiliência vão para além do ténis.»

E, então, onde fica o futebol? Esta é uma pergunta aberta que deve ser o leitor fechar. Nós, aqui, apenas faremos um exercício simples. Perguntaremos onde ficarão pela sua influência super estrelas do futebol e do desporto mundial tão famosas como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi ou Neymar Jr.?

A influência de um desportista no planeta irá desde os resultados que obtém até ao impacto que tem nos seus seguidores pela dedicação que estes lhe têm fora do ambiente da alta competição. Muito desse impacto foi referido na «Time».

Há atletas que são verdadeiros ícones dentro (e depois) fora do seu ambiente desportivo e cujo exemplo começa a ser seguido desde logo no seu país de origem estendendo-se depois para além das fronteiras geográficas que a atual aldeia global já ultrapassou: por exemplo, a tenista Sania Mirza vem do segundo país mais populoso do mundo; Cristiano Ronaldo de um país com dez milhões de habitantes.

Mas a influência de um desportista passará por mais fatores; em última instância, no impacto que tem nos seus seguidores, cuja difícil mensuração pode ter uma avaliação também pelos números.

Tentaremos de uma forma simples constatar que influência terão aqueles futebolistas no planeta global indo à rede social mais famosa aferir da sua popularidade. Quantos seguidores tem cada um destes dez aqui nomeados na rede social Facebook?

Cristiano Ronaldo: 111.229.190

Lionel Messi: 84.613.606

Neymar Jr.: 56.593.853

Usain Bolt: 17.170.728

Ronda Rousey: 10.977.829

Sania Mirza: 10.976.568

Stephen Curry: 5.668.319

Lewis Hamilton: 3.649.456

Jordan Spieth: 383.181

Katie Ledecky: 28.728

Ronaldo

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