Talarico, Abdul El-Sayed, Hamilton, Miller, Colom. Estes são os cinco nomes que vão marcar as eleições nos EUA

Há 1h e 43min
James Talarico (Lekan Oyekanmi/AP)
James Talarico (Lekan Oyekanmi/AP)

Texas, Kansas e Mississippi são territórios nos quais o Partido Democrata aposta para recuperar o Congresso

Os Estados Unidos vão a votos esta terça-feira para eleger os membros do Congresso. A Câmara dos Representantes será inteiramente renovada, uma vez que os seus membros cumprem mandatos de apenas dois anos, enquanto um terço do Senado será eleito, com cada nome representando o seu estado por seis anos.  

Num país de dimensões continentais como os Estados Unidos e com uma política fortemente polarizada, existem inúmeras disputas com dinâmicas únicas no território norte-americano. A CNN Portugal separa alguns nomes para ficar de olho nas intercalares. 

James Talarico, Texas 

O Texas é um dos principais territórios dos Estados Unidos. Com uma população de mais de 31 milhões de pessoas e uma área que supera sete vezes o espaço geográfico de Portugal, o local é um importante reduto republicado há décadas. No entanto, tudo pode mudar com James Talarico, candidato democrata ao Senado.  

Talarico é membro da Câmara dos Representantes do Texas desde 2018 e, no seu website, destaca a sua “luta contra mega doadores eleitorais multimilionários e políticos fantoches que tomaram o Texas", assim como a “luta contra a corrupção". O seu grande objetivo seria ir para Washington para “ganhar de volta o poder para os trabalhadores”.  

Segundo o New York Times, com o objetivo de atrair eleitores mais conservadores, Talarico tenta distanciar-se de declarações anteriores sobre o Partido Republicano de Donald Trump e enfatiza o seu passado de colaboração para aprovar legislações no Estado mesmo fazendo parte da minoria liberal da Câmara dos Representantes texana.  

A disputa no estado está aberta devido à participação direta de Donald Trump na escolha do candidato republicano, explica a revista Time. Inicialmente, John Cornyn, senador desde 2002, parecia o nome natural, mas o candidato perdeu o apoio dentro do partido e o atual presidente preferiu apoiar Ken Paxton, procurador-geral estadual que alegadamente esteve envolvido em escândalos de fraude e abuso de poder, além de adultério, algo que pode ser danoso à imagem de um político numa região conservadora como o Texas.  

Segundo um agregador de sondagens do MS Now, Talarico lidera a disputa com 49,2% das intenções de voto, enquanto Paxton regista 46,5%. Caso seja eleito, esta será a primeira vez desde 1988 que um democrata é escolhido para uma vaga ao Senado no estado. Isso pode ser um sinal de preocupação para o futuro, uma vez que o Texas é um território fundamental nas eleições presidenciais, garantindo 40 votos no colégio eleitoral aos republicanos desde 1980.  

James Talarico é o candidato democrata no Texas (Foto: Michael Gonzalez/AP)

Abdul El-Sayed, Michigan 

Filho de imigrantes egípcios, Abdul El-Sayed venceu as primárias democratas e foi o nome escolhido pelo partido para concorrer ao Senado pelo Michigan. O candidato, segundo o New York Times, tem tentado distanciar-se da ala mais à esquerda do Partido Democrata, afirmando ser capitalista e não socialista.

Apoiado por Alexandria Ocasio-Cortez, o candidato defende medidas progressistas como a extinção do ICE [Immigration and Customs Enforcement], força de segurança que ganhou um investimento recorde durante a administração Trump para garantir o cumprimento da agenda anti-imigração do presidente de extrema-direita, assim como um plano de saúde estatal para todos os cidadãos.  

El-Sayed pode ser o primeiro muçulmano eleito para o Senado nos Estados Unidos e tem sido alvo de ofensas islamofóbicas por parte de Donald Trump. O atual presidente afirmou que o democrata defende a imposição da Lei Sharia nos Estados Unidos e chamou-o de "jihadista". “Eles acham que, ao destacarem o meu nome e a minha fé, de alguma forma vão fazer com que [os eleitores] ignorem o facto de não terem dinheiro para a gasolina ou para as compras de supermercado, nem para ir ao médico”, respondeu o candidato, citado pelo Washington Post.  

O candidato democrata lidera as sondagens com 48% das intenções de voto. Do outro lado está Mike Rogers, antigo membro da Câmara dos Representantes apoiado por Donald Trump. 

Abdul El-Sayed pode ser o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos (Foto: Don Campbell/AP)

Adam Hamilton, Kansas 

No Kansas, Adam Hamilton concorre pelo Partido Democrata e está numericamente à frente, embora a distância seja mínima, de Roger Marshall, o senador republicano apoiado por Donald Trump: 45,9% contra 45,7%. A eleição surge como algo potencialmente histórico, uma vez que os democratas não elegem um senador no estado há quase um século.  

A última vez que o partido obteve uma vitória neste estado foi em 1932, quando George McGill garantiu a sua reeleição depois de dois anos no Senado. O candidato permaneceu no poder legislativo até 1939, sendo substituído pelo republicano Clyde M. Reed.  

Desde então, o Kansas permaneceu vermelho nas eleições para o Senado, e Adam Hamilton aparece para tentar acabar com este histórico. Segundo o New York Times, Hamilton é pastor e fundador da igreja Resurrection, a maior instituição religiosa metodista dos Estados Unidos que conta com mais de 24 mil membros.  

Segundo o jornal norte-americano, um dos fatores que fazem com que a candidatura de Hamilton seja tão competitiva é o facto de o político ter sido apoiante do Partido Republicano. O líder religioso pensou em concorrer como independente, mas recebeu o apoio de democratas moderados, assim como de alguns republicanos.  

O candidato critica as ações e Donald Trump na guerra contra o Irão e tem o acesso à saúde como um dos seus principais temas de campanha. Segundo a Reuters, o aumento do custo de vida e as dificuldades encontradas pela comunidade agricultora da região também fazem com que o descontentamento com Donald Trump cresça, aumentando assim as chances do candidato democrata.

Adam Hamilton pode ser o primeiro senador democrata eleito pelo Kansas em quase um século (Foto: John Hanna/AP)

Max Miller, Ohio 

Max Miller é membro da Câmara dos Representantes desde 2023, sendo eleito pelo sétimo distrito congressional do Ohio. O local era tido como uma garantia do Partido Republicano na disputa pelo Congresso, mas acusações de abuso contra o político colocam esta situação em xeque.  

Miller é acusado de violência doméstica pela sua ex-esposa e por mais de uma ex-namorada, segundo a Associated Press. As acusações fizeram com que políticos republicanos e democratas apelassem à demissão do congressista, algo que não ocorreu. 

Um dos nomes que pediu o afastamento do representante é Bernie Moreno, antigo sogro de Miller. Mesmo assim, o candidato decidiu não só continuar na vida pública, como concorrer novamente pelo Ohio.

A situação, segundo o Washington Post, tornou-se central nas campanhas legislativas do distrito em que Miller concorre, com o candidato a negar as acusações, mas os democratas a utilizarem o tema em anúncios televisivos. 

Max Miller é acusado de violência doméstica, mas decidiu concorrer pelo Partido Republicano em Ohio (Amanda Andrade-Rhoades/AP)

Scott Colom, Mississippi 

Mississippi é um estado no sul dos Estados Unidos que há décadas não elege nomes democratas. Nas presidenciais, Jimmy Carter foi o último democrata escolhido pelos cidadãos da região em 1976. No Senado, John C. Stennis foi o último representante do partido, deixando o poder legislativo em 1989. Agora, Scott Colom tenta mudar a história como primeiro senador negro eleito pelo estado.

Colom apresenta-se como “marido e pai de dois filhos, e um procurador distrital que luta todos os dias para garantir a segurança dos habitantes do Mississippi”. Além disso, o candidato ressalta a fé cristã que, segundo o New York Times, é uma das principais características do democrata.  

O candidato conta com o apoio de Kamala Harris, antiga vice-presidente que concorreu contra Donald Trump nas eleições de 2024. Harris esteve num comício partidário em outubro num evento que serviu não apenas para apoiar Colom, mas também para manter o nome da antiga candidata nos holofotes com vista a 2028, noticiou o Washington Post.  

Num estado em que questões raciais ainda são significativas, Colom pode ter dificuldades para garantir os votos necessários. Para isso, precisará de garantir uma participação maciça dos eleitores negros e cerca de 25% dos votos de eleitores brancos. A missão não é fácil, uma vez que o estado não elege senadores democratas há mais de 40 anos.  

Scott Colom pode ser o primeiro senador negro eleito pelo Mississippi na história (Foto: Sarah Warnock/AP)
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