Ventura diz que há "forças vivas do PSD" com quem conta para uma maioria de direita

Daniela Costa Teixeira , atualizado às 22:59
4 mar, 22:20
André Ventura

O presidente do Chega diz que há “forças vivas do PSD” que defendem uma solução governativa à direita. Mas assegura que ainda não desistiu de ser primeiro-ministro

André Ventura revelou esta segunda-feira que nomes como Ângelo Correia, Rui Gomes da Silva e Miguel Relvas estão entre as “forças vivas do PSD” que têm defendido publicamente a existência de uma maioria de direita. E também Pedro Passos Coelho foi mencionado.

Em entrevista à RTP, quando questionado sobre quem lhe garantiu que, em caso de maioria de direita, haverá sempre uma coligação AD e Chega, Ventura respondeu que “são forças vivas, aquelas que conheço bem”, dizendo que são sociais-democratas que “sabem que não podemos deixar o PS a governar se houver uma maioria à direta”, dando o nome destes três históricos sociais-democratas, reforçando posições que os próprios já têm tornado públicas.

Já depois da entrevista ter sido emitida e em declarações aos jornalistas, André Ventura destacou que essas “forças vivas” já tinham mostrado a sua posição “publicamente”, mas sem revelar conversas. Em novembro, Miguel Relvas, que é comentador da CNN Portugal, já tinha defendido um acordo entre PSD e Chega, mas contactado já depois das declarações de Ventura, Relvas limitou-se a dizer “está desmentido” que tenha falado diretamente com Ventura, não se adiantando sobre o tema. Também Rui Gomes da Silva, em declarações à Visão e antes de serem convocadas eleições antecipadas, já tinha dito que “o PSD não pode definir limites, tal como António Costa não definiu, quando fez acordos com o Bloco de Esquerda e PCP”.

Na entrevista à RTP, o líder do Chega defendeu que “se houver uma maioria de direita, mesmo com o PS a vencer as eleições, haverá um govenro à direita”, justificando que “todas as sondagens dão uma vitória à direita”, defendendo que falta ou não saber se “estão ou não os partidos à direita disponíveis para formar um govenro estável”, assegurando que o Chega está disposto a “entendimentos”.

“Nós, se tivermos essa maioria parlamentar, estamos dispostos a criar um entendimento, como aconteceu em Itália. Infelizmente a AD não compreende isso ou pelo menos o Luís Montenegro [não compreende] para já, no PSD há muita gente que compreende alguns até se têm feito ouvir, Ângelo Correia, Rui Gomes da Silva e Miguel Relvas. O próprio Pedro Passos Coelho diz no final do discurso disse ‘Luís eu sei que terás que encontrar as forças necessárias para fazer uma maioria’”.

Questionado se o antigo primeiro-ministro se estaria a referir ao Chega, Ventura atira: “Neste momento sabemos que só há hipótese de haver duas forças com maioria. É o PSD e o Chega ou o PSD ou o Chega, as sondagens todas mostram que só o PSD e Chega terão uma maioria”.

O jornalista Hugo Gilberto perguntou ainda se esses nomes são as tais forças do PSD a que Ventura se referia e o líder do Chega disse que “estes nomes são uma das forças do PSD”, dando a entender que há mais membros do partido favoráveis a uma coligação com o Chega.

Em declarações aos jornalistas, Ventura assegurou que a revelação de nomes de elementos do PSD “não é estratégia nenhuma, é a evidência que o PSD não deixará que o PS governe por causa de um capricho de Luís Montenegro e de outros”. E rejeitou que a importância do Chega para um governo à direita seja uma “interpretação” sua. 

“O que eu disse [à RTP] é que algumas destas pessoas já disseram que Luís Montenegro tinha de encontrar uma solução”, defendendo que “não há mais nenhuma do que a coligação [do PSD] com o Chega”. “É a única interpretação possível, não há outra”, continua, dizendo que “não vemos ter uma coligação entre PSD e PS” e por isso “ou vamos a eleições daqui a seis meses” ou PSD e Chega têm de se unir.

Agarrando-se às sondagens, que têm mostrado um crescimento do Chega e a sua consolidação como terceira força política, Ventura disse na entrevista que ainda não desistiu de ser primeiro-ministro. “Estamos mais perto do que nunca, nunca um partido esteve perto de quebrar este bipartidarismo”, atira, dizendo que tem de “lutar para vencer para conseguir essa mudança”.

Para André Ventura, o grande sucesso do Chega está no “poder de confronto”, dizendo que outros partidos, como o CDS, não foram capazes de o fazer.

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