Corrupção: vice da bancada do PSD só não foi detido porque o MP temeu partilhar segredos com o Parlamento

10 jan, 19:57

Joaquim Pinto Moreira, que durante quase uma década presidiu à Câmara de Espinho, é considerado no processo o principal suspeito de corrupção passiva, na relação com a empresa "Construções Pessegueiro Lda"

A Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) tinham intenção de deter por corrupção Joaquim Pinto Moreira, atual vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD, e presidente da Comissão de Revisão Constitucional, apurou a CNN, e só não o fizeram porque para tal tinham de ter partilhado previamente informação sobre as suspeitas com a Assembleia da República, no âmbito do levantamento da imunidade parlamentar - e com isso existia o risco de os factos chegarem ao conhecimento dos suspeitos, perdendo-se o efeito surpresa da operação, com prejuízo para a apreensão de provas durante as buscas.

Pinto Moreira, que durante quase uma década presidiu à Câmara de Espinho, é considerado no processo o principal suspeito de corrupção passiva, na relação com a empresa "Construções Pessegueiro Lda". O Ministério Público considera que o atual deputado está suficientemente indiciado pelo recebimento de contrapartidas financeiras, ao longo de vários anos, face a processos de licenciamento para a construção de vários empreendimentos, nomeadamente hoteleiros.

Esta terça-feira, na operação "Vórtex", a PJ acabou por deter três empresários, um funcionário da autarquia, e o atual presidente da Câmara de Espinho, Miguel Reis, que ganhou as eleições pelo PS em 2021.

A investigação acredita ter provas de que os atos de corrupção continuaram depois das últimas eleições e se estenderam ao atual autarca. Quanto ao anterior, vai agora ser sujeito ao pedido de levantamento de imunidade parlamentar.

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