Petit rejeita rótulo de Boavistão: «Estamos a dar passos firmes»

André Cruz , Porto Palácio Hotel, Porto
22 set, 22:25
Boavista-Santa Clara (RUI MANUEL FARINHA/LUSA)

Treinador projetou crescimento sustentável dos axadrezados e elogiou a dupla do meio-campo e o jovem Martim Tavares

O Boavista é uma das «equipas sensação» deste início de época. A turma do Bessa venceu cinco das sete rondas do campeonato - está na quinta posição - e o triunfo na sétima jornada, na receção ao Sporting (2-1), foi só mais uma prova do bom arranque. 

Os 15 pontos que a formação axadrezada leva por esta altura são notícia pois nem no ano do 'Boavistão' o registo era tão positivo. Em 2000/01, o Boavista tinha 14 pontos ao fim de sete jornadas, mas Petit, que fazia parte dessa equipa, destacou que o clube tem agora de dar passos sustentáveis.

«Desde que cheguei, tentei melhorar as coisas. Estamos a dar passos firmes. Temos melhorado a estrutura e estamos muito mais fortes em certos departamentos. Ainda temos algumas dificuldades, mas queremos, ano após ano, crescer e valorizar jogadores. Pensamos dia a dia e, a seu tempo, o Boavista vai ter o seu espaço. É fácil chegar lá acima, mas se não tiveres bases podes cair e não te levantares. Temos uma estrutura forte, uma equipa técnica que sabe o que quer para a formação e para o futuro do Boavista. Estamos firmes, com um misto de jogadores jovens e da formação com outros que conhecem o futebol português. Estamos a arrancar bem, mas ainda temos muitos jogos pela frente», vincou, em declarações aos jornalistas, após a 5.ª edição do World Scouting Congress.

O técnico boavisteiro lembrou que «daqui a um ou dois meses» tudo pode mudar e virou o foco para o próximo jogo, diante do Famalicão.

«A nossa ambição é sermos sempre melhores do que ontem e estarmos mais preparados para amanhã», reforçou.

As boas exibições da pantera têm destacado alguns nomes, entre os quais a dupla de meio-campo, composta por Makouta e Seba Pérez, que merecem muitos elogios do treinador. «Acasalaram muito bem. Quando chegámos, sentimos que jogavam muito encostados aos centrais, analisámos e vimos o que podiam dar. O Makouta é um box-to-box, mais selvagem, não o podes prender à posição. O Seba é inteligente na organização de jogo e, quando lhe pedes a bola, está sempre no sítio certo. Complementam-se muito bem, mas temos outros a trabalhar para, no futuro, ocupar aquela posição. Mas são dois jogadores fundamentais no equilíbrio ofensivo e defensivo do Boavista.»

O jovem Martim Tavares, que apenas 18 anos e já leva dois golos nesta época, é uma das grandes promessas do Boavista, mas Petit pediu contenção aos adeptos. Além do atacante, Pedro Malheiro é outra das revelações do plantel.

«Não lançamos jovens por lançar. Há uns meses, estavam a disputar a segunda divisão de juniores e conseguiram subir para a primeira. Quisemos trazê-los para trabalharem com o plantel principal, terem algumas referências e saberem o que é o Boavista. Assim, trabalham com jogadores da equipa A que ocupam as mesmas posições e vêem onde podem melhorar, conhecerem o que pretendo deles. O Martim está a ganhar o seu espaço, é muito inteligente, com boa formação e tem um futuro pela frente. Mas ainda é curto para o que os adeptos estão a exigir dele. Está a ganhar o seu espaço, mas precisa de tempo. Estamos a trabalhá-lo para ser um bom ativo do Boavista no futuro», analisou.

Tempo útil de jogo: estratégias para pôr em prática nos jogos

O tempo útil de jogo foi tema de debate no World Scouting Congress, esta quinta-feira, e Petit explicou como tem trabalhado com a equipa para aumentar a qualidade das partidas.

«Nos treinos, não apitamos tanto para que haja maior intensidade e menos pausas. Assim, os jogadores também se habituam a não cair no chão. Mas o tempo útil de jogo também varia muito. Podemos ter muita posse de bola, jogar muito atrás e o tempo útil vai ser maior. Eu prefiro um jogo mais intenso, mais objetivo e agressivo nos duelos. Tentamos adaptar-nos e melhorar o futebol. Trabalhamos assim durante a semana, para que os jogadores não discutam tanto com os adjuntos a pedir faltas e, depois, cheguem ao jogo sem o hábito de não cair nem reclamar com o árbitro», revelou.

Contudo, o técnico axadrezado entende que alguns jogos da Liga têm falta de intensidade. «Vejo jogos que não são tão intensos, mas têm maior tempo útil. Acabam por ser mais parados, varia muito de equipa para equipa e de treinador para treinador. Prefiro um jogo em que as equipas cheguem mais rápido à baliza, onde haja mais oportunidades de ambas as partes, porque os adeptos também gostam disso.»

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