Champions: Sporting-Eintracht Frankfurt, 1-2 (crónica)

1 nov, 22:22

Saída e emergência

O Sporting precisa urgentemente de sentar no divã do psicanalista.

É verdade que o senhor doutor já não vai recuperar o que se perdeu, não há terapia de choque que reabilite o que a equipa falhou em cerca de três meses, mas pode pelo menos começar a preparar o futuro. Porque há, de facto, muito a fazer com esta equipa. E com urgência.

Chega a ser confrangedor, por exemplo, como o Sporting mudou da primeira para a segunda parte esta noite. Acabou o primeiro tempo por cima, a vencer e em primeiro lugar do grupo.

Na segunda parte regressou cansado, pareceu apresentar algumas dores de cabeça e tudo se precipitou para uma crise de ansiedade que conduziu ao esgotamento completo.

Permitiu a reviravolta no marcador e perdeu o jogo. Caiu, por isso, da Liga dos Campeões e apenas por culpa própria. Teve o apuramento na mão, numa altura em que parecia ter também o jogo controlado, mas deixou-o escapar como parece deixar escapar tudo esta temporada.

Foi o Tottenham, curiosamente, a salvar a noite. Um golo inglês aos 95 minutos em Marselha permitiu ao Sporting ficar em terceiro lugar e transitar para a Liga Europa.

Vá lá, não se perdeu tudo. Mas quase.

Diz-se que se perdeu quase tudo porque a Liga Europa não é uma conquista dele: é no fundo uma oferta embrulhada em papel natalício. Bem lá no fundo, sabe que não fez por a merecer.

Como não tinha feito por merecer a Liga e a Taça de Portugal.

Bem vistas as coisas, é cada insucesso pior do que o outro. Na Liga já perdeu doze pontos para o líder... em onze jogos. Na Taça foi eliminado por uma equipa da Liga 3.

Já na Champions, entrou a cilindrar em Frankfurt e a vencer em casa o Tottenham, somou seis pontos em dois jogos e a partir daí... foi sempre a cair. Num daqueles desvarios do destino, acabou por ser eliminado em casa pela equipa que tinha atropelado na primeira jornada.

Lá está, este Sporting é um caso de emergência: precisamente urgentemente de resolver os problemas e limpar a cabeça. Para poder olhar para o futuro com outro otimismo.

Precisa enfim de resolver os problemas e limpar a cabeça para não lhe voltar a acontecer como esta noite, em que um instante bastou para devolver todos os fantasmas à equipa: Kamada saltou mais alto do que Coates, o capitão desequilibrou-se, tocou na bola com o braço e provocou uma grande penalidade, que lançou o Eintracht Frankfurt para o empate.

Até então, e sobretudo na primeira parte, é verdade que foi o adversário a ter mais bola, mas foi a formação leonina a ter as melhores ocasiões de golo. Tirando um desvio de Paulinho para a própria baliza, que proporcionou grande defesa a Adán, os alemães não fizeram mais nada.

Ao intervalo percebia-se, portanto, que a vida corria bem à formação de Amorim.

O Eintracht regressou com mais força dos balneários, empurrado pela entrada em campo do capitão Sebastian Rode, que aos 32 anos transmite em vontade o que já lhe falta em talento, mas de princípio era só isso: muita vontade e muito força. Nada de assustador.

Até que o braço de Coates na bola permitiu o empate e atirou o Sporting para o lado negro. Voltaram os fantasmas, o medo, o cansaço. Um esgotamento total.

A partir daí era uma questão de tempo até ao segundo golo do Eintracht.

Ora esse segundo golo não demorou muito a aparecer e o Sporting viu-se atirado para um filme antigo: o coração queria, a cabeça não sabia como.

Saiu da Liga dos Campeões e tornou-se um caso de emergência.

(IMAGENS ELEVEN SPORTS)

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