Garantia foi avançada por responsáveis ocidentais
É uma nova regra num jogo que já se prolonga há quase cinco anos. Militares britânicos e de outros países europeus destacados na Ucrânia como força de manutenção da paz vão poder ripostar caso sejam atacados por tropas russas, se for alcançado um cessar-fogo.
A garantia foi avançada por responsáveis ocidentais, citados pelo The Guardian, que esclareceram que a força de estabilização, liderada pelo Reino Unido e por França, terá uma postura essencialmente defensiva e estará preparada para proteger os seus elementos de qualquer agressão.
A estrutura deverá ser quase exclusivamente europeia e não dependerá de sistemas ou tecnologias norte-americanas, como a rede de comunicações por satélite Starlink, de Elon Musk. O plano foi divulgado no âmbito do anúncio do exercício militar Koalicja, que decorrerá ainda este mês na Polónia e envolverá 11 países. A operação pretende testar a capacidade de mobilização rápida de forças europeias para a Ucrânia, caso o conflito termine.
O exercício contará com 2.800 militares, marinheiros e elementos da Força Aérea. França participará com 1.500 soldados da sua 1.ª Divisão, enquanto o Reino Unido mobilizará 300 militares da 7.ª Brigada Ligeira Mecanizada. Polónia, Alemanha, Bélgica, Estónia, Lituânia, Países Baixos, Espanha, Suécia e Turquia são os restantes países envolvidos.
O comandante da força, o tenente-general britânico Tom Bateman, fez saber que o Reino Unido, França e os restantes parceiros estão empenhados em assegurar "garantias de segurança robustas e vinculativas" à Ucrânia após o fim das hostilidades.
O responsável sublinhou ainda que a missão será independente da NATO e terá como objetivo contribuir para "regenerar e reforçar" as capacidades militares ucranianas, prevendo-se que as tropas ocidentais fiquem afastadas da linha da frente. Ainda assim, as regras de intervenção irão permitir responder a ataques russos, incluindo ofensivas com drones.
A eventual mobilização continua dependente de um acordo de cessar-fogo, mas os planos surgem num contexto de incerteza quanto à evolução da guerra e ao apoio dos EUA. Donald Trump já afirmou que não pretende comprometer tropas norte-americanas numa missão de manutenção da paz na Ucrânia.
A preocupação com a dependência tecnológica de Washington também aumentou depois de os EUA terem limitado, durante cerca de dez dias, o acesso ucraniano à versão militar do Starlink, Starshield, afetando operações com drones de médio alcance.
Para além da proteção militar, os planos europeus incluem patrulhas aéreas para ajudar a reabrir aeroportos comerciais ucranianos e uma operação liderada pela Turquia para desminar o mar Negro e permitir a retoma das exportações de cereais e de outras atividades comerciais marítimas.