Benfica-Alverca, 1-0 (crónica)

David Silva , Estádio da Luz, Lisboa
Há 1h e 7min

​​​​​​​No suar é que está o ganho

Foi um duelo de igual para igual. Os nomes nas camisolas do Alverca podem ser bem menos sonantes do que os do Benfica, mas a dureza do relvado revelou que o Benfica teve de suar, e muito, para conseguir ganhar ao décimo classificado da Liga e continuar a perseguição ao líder FC Porto.

O Benfica apresentou-se na Luz com um equipamento retro e embalado por figuras saudosas da época 1980/81 – Shéu, Toni, Humberto Coelho ou Carlos Manuel subiram ao relvado. Manuel Bento, Minervino Pietra ou Fernando Chalana estiveram no pensamento.

Mas, do outro lado, estava uma equipa que, apesar das homenagens e da dimensão do rival, não se amedrontou pelo momento. Cedo o Benfica de Marco Silva descobriu que o Alverca de Sérgio Ferreira seria um osso duro de roer. Só um golo de grande penalidade de Vangelis Pavlidis, após uma entrada em jogo importante de Claudio Echeverri, conseguiu desequilibrar o marcador.

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Alverca teve golo anulado na primeira parte

O 3-4-3 dos ribatejanos, que passava a 5-3-2 a defender, funcionava bem para 'secar' Pavlidis, muito vigiado por Sergi Gómez, e intercetar qualquer tentativa de cruzamento. O lado esquerdo do Benfica bem tentava, com os movimentos constantes de Dahl, Schjelderup e Prestianni. Bah e Lukebakio estavam mais comedidos. Mas, mesmo que um alverquense fosse ultrapassado, aparecia outro para compensar.

O Alverca ainda conseguiu ter a posse de bola durante alguns momentos mais prolongados, mas acabava quase sempre por bater na frente para o possante Dawda Camara, que travava uma luta férrea com Lenglet. Samuel Soares não era incomodado… até aos 25 minutos. Um livre lateral foi desviado por Figueiredo, o guardião defendeu contra o poste e Bojang marcou no ressalto. Para infelicidade dos visitantes, o defesa estava adiantado.

O Benfica perdeu algum fulgor na troca de bola após esse momento. Em todos os primeiros 45 minutos só deu trabalho a Matheus Mendes duas vezes – num remate forte de Bah, à entrada da área, e num tiro fraco de Lukebakio. O Alverca não concedia espaços e Marco Silva tinha de atuar ao intervalo.

'El Diablito' escolheu travessura e entregou doce a Pavlidis

E atuou. Provavelmente com muitas indicações, mas também com uma alteração – Schjelderup saiu e entrou o ‘Diablito’ Echeverri. Teve efeito praticamente imediato. Na área, perante o veterano Sergi Gómez, aparenta ter questionado: ‘Doçura, ou travessura?’. E optou pela segunda. ‘Sacou’ uma grande penalidade ao espanhol, dando a Pavlidis a hipótese, bem aproveitada, de marcar pelo quarto jogo consecutivo.

O diabinho continuou a fazer das suas, procurando um golo para si próprio. Aos 76 e 77 minutos, teve duas chances. Na primeira desequilibrou-se, na segunda perdeu no duelo com Matheus Mendes. Infelicidade. A mesma que Chiquinho podia queixar-se, em dois remates perigosos que acabaram nas mãos de Samuel Soares. O jogo não estava resolvido.

Os últimos minutos foram de 'bate, bate, coração'. Notava-se o desconcerto em ambas as equipas e a pressa em rematar. Foram minutos algo entrópicos mas que, essencialmente, não alteraram o marcador. O Benfica somou mesmo mais três pontos e segue a cinco do líder FC Porto. Se existirem vitórias morais, o Alverca teve uma esta noite. Mas continuam com 11 pontos.

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