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Mitos vs Factos

A depressão não atinge crianças?

Há detalhes que são essenciais e aos quais se deve estar atento. A psicóloga Ana Isabel Lages explica quais

Para falar sobre a depressão e as crianças, a psicóloga Ana Isabel Lage diz ser importante lembrar primeiro e detalhadamente o que se passa quando alguém tem este problema de saúde mental.

“A depressão é um dos quadros mais comuns na psicopatologia com um profundo impacto no funcionamento das pessoas. Emoções e pensamentos entram em ciclos repetidos de negatividade. A perceção de si fica distorcida e todos os erros são exageradamente considerados. Os comportamentos, sobretudo nas relações interpessoais, ficam empobrecidos. Com a prolongamento desse estado depressivo no tempo, a própria saúde física e a performance na escola podem ficar gravemente comprometidas. A satisfação com a vida perde-se”.

A descrição, garante a psicóloga e membro da Delegação Regional Norte da Ordem dos Psicólogos Portugueses levaria qualquer um a afastar a possibilidade de atingir os mais novos. O que, garante, é errado.

“Este quadro parece tão grave que é difícil imaginá-lo numa criança ou num adolescente”, refere, acrescentando que apesar de “menos frequente que nos adultos”, não  é impossível de encontrar naquelas faixas etárias.

“No mais recente relatório sobre o estado da saúde mental na União Europeia, a UNICEF aponta para 13% de jovens e crianças com menos de 19 anos com sinais de uma perturbação da sua saúde mental”, nota Ana isabel Lage, sublinhando que “para crianças até aos 5 anos essa percentagem é bem menor e fica nos 2%". Mas há um dado que é importante reparar. “Dessas perturbações, a depressão aparece como ligeiramente menos frequente do que a ansiedade”. 

Sinais de alertas

E o que há então, de diferente entre a depressão dos adultos e das crianças? A psicóloga explica que “hoje é largamente aceite que a depressão não é uma categoria, mas varia ao longo de um contínuo de gravidade” e que “quando comparados adultos com crianças e jovens, não há um consenso na classificação de sintomas e de diagnóstico”.

No entanto, Ana Lage esclarece o que se já se sabe. “Se por um lado os níveis de incapacitação podem ser semelhantes, por outro a estrutura desenvolvimental dos mais jovens parece ser protetora”.

Ou seja, detalha a psicóloga, os mais novos “ainda não têm tão desenvolvidas as capacidades cognitivas, sócio-emocionais e até biológicas que sustentam os sintomas depressivos, então a sua gravidade pode ser menor”.

Mas há mais razões para a depressão poder ter diferenças na forma como ocorre, se desenvolve e atua nos adultos e nas crianças e adolescentes. “O próprio período de desenvolvimento pode ser em si reparador, na medida em que passam mais rapidamente por alterações de rotinas, de contextos, de pessoas com quem interagem, e até dos papéis que desempenham”. 

Quanto aos sinais, a psicóloga refere que o “mais comum é aparecerem em crianças sinais mais somáticos” como dores musculares ou de cabeça e falta de energia.

Já nos adolescentes, avisa Ana Lage, “é mais prevalente a perda de prazer e uma certa lentificação ou maior sonolência”.  

No que diz respeito ao “humor depressivo, que inclui a tristeza, o desânimo e a baixa autoestima, é o que aparece com mais frequência”.

E são estes sintomas que segundo a psicóloga devem dar o alarme. “Podem ser precisamente os primeiros sinais de alerta aos quais devemos ter atenção, pois, se se mantiverem no tempo, podem constituir-se como um fator de risco para que um quadro de depressão se instale mais tarde”. 

Até porque há uma questão que é importante não esquecer, lembra Ana Lage: “Em crianças e adolescentes a habilidade em comunicar emoções e pensamentos é muitas vezes mais baixa e, por isso, a sua manifestação pode aparecer em forma de queixas somáticas”.

Este projeto é apoiado por parceiros, sendo todo o conteúdo criado,
editado e produzido pela equipa editorial, sem qualquer interferência externa. Uma parceria com: Johnson & Johnson Hospital da Luz Com a colaboração de: Ordem dos Farmaceuticos Ordem dos Médicos Ordem dos Psicologos
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