Os sobreviventes encontram-se numa ilha do lago, depois de terem sido recuperados 15 corpos e resgatadas 77 pessoas até ao momento, precisou a agência
Pelo menos 15 pessoas morreram afogadas no naufrágio de um barco no lago Kariba, no Zimbabué, que transportava mais de uma centena de passageiros, entre os quais poderá haver um número indeterminado de crianças, informaram as autoridades zimbabueanas.
O acidente ocorreu esta terça-feira, no lago onde se encontra a principal central hidroelétrica do Zimbabué. Até ao momento, pelo menos 27 pessoas continuam desaparecidas, informou esta quarta-feira, num comunicado citado pelos meios de comunicação locais, a Unidade de Proteção Civil (CPU, na sigla em inglês), a agência nacional de gestão de catástrofes.
"Uma embarcação do DDF (Fundo de Desenvolvimento Distrital) naufragou esta tarde, 11 de agosto de 2026, no lago Kariba. A bordo viajavam 114 passageiros adultos (número confirmado através dos bilhetes registados nas contas), cinco tripulantes e um número indeterminado de menores que não tinham idade para pagar bilhete", detalhou o comunicado, acrescentando que a embarcação tinha capacidade máxima para 90 pessoas.
Os sobreviventes encontram-se numa ilha do lago, depois de terem sido recuperados 15 corpos e resgatadas 77 pessoas até ao momento, precisou a agência.
"A CPU mobilizou embarcações para os transportar para terra", acrescentou, indicando que equipas de mergulho foram enviadas para o local para realizar operações de busca e salvamento.
"A agência recomenda que este acidente seja declarado como uma catástrofe", concluiu.
A estação pública de televisão ZBC News divulgou um vídeo nas redes sociais que mostra várias embarcações a dirigirem-se para um barco virado, com pessoas em cima a usar coletes salva-vidas, enquanto um helicóptero sobrevoa o local.
A barragem de Kariba foi construída entre 1956 e 1959 por engenheiros italianos no rio Zambeze, na fronteira entre o Zimbabué e a vizinha Zâmbia, dando origem ao lago com o mesmo nome, o maior reservatório artificial do mundo, com uma capacidade de cerca de 180 quilómetros cúbicos.
A última reabilitação da Central Hidroelétrica de Kariba foi financiada há sete anos pela União Europeia (UE), com 113 milhões de euros.
A central de Kariba e a Central Termoelétrica de Hwange são as duas principais fontes de produção de energia do Zimbabué, cujos equipamentos estão obsoletos. O Governo prometeu obras de "reabilitação" do serviço, que deverão terminar em 2030.
O Zimbabué sofre cortes de eletricidade que chegam a durar 14 horas por dia, um problema que se arrasta há 45 anos e que obrigou indústrias, estabelecimentos comerciais e cidadãos a recorrer a métodos alternativos mais dispendiosos.
O Governo espera acrescentar 600 megawatts à rede nacional através de um projeto atualmente em curso, num país cuja procura diária atinge os 1.800 megawatts nos períodos de maior consumo.
