Presidente dos EUA pede eleições na Ucrânia porque Zelensky só tem o apoio "de 4% para população" - uma percentagem que Trump não diz de onde vem. Kiev diz que sabe de onde veio - e de Kiev vem também uma sondagem que tem valores completamente distintos
Cerca de 57% dos ucranianos mostram confiança no presidente Volodymyr Zelensky, um número que representa um aumento de cinco pontos percentuais desde dezembro de 2024, de acordo com uma sondagem do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS) publicada esta quarta-feira.
A sondagem, realizada entre os dias 4 e 9 de fevereiro, foi divulgada pouco tempo depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter alegado que Zelensky tem um “índice de aprovação de 4%”, sem fornecer qualquer fonte que sustente esse número. Zelensky diz que a afirmação de que a sua taxa de aprovação é de 4% vem da Rússia e que Kiev tem provas de que os números foram discutidos entre os EUA e a Rússia - mas também não apresentou essas provas.
Esta última sondagem relativa aos 57% mostra que o presidente ucraniano continua a contar com o apoio da maioria dos ucranianos, registando inclusive um ligeiro aumento da confiança após um ano de declínio constante da popularidade ao longo de 2024.
“Se alguns parceiros e aliados internacionais estão preocupados com a legitimidade do presidente no contexto de possíveis negociações de paz e consideram apropriado insistir na realização de eleições, então, do ponto de vista dos próprios cidadãos ucranianos, não há problemas com isso”, afirma Anton Hrushetskyi, diretor executivo do KIIS, citado pelo jornal ucraniano The Kyiv Independent.
Por outro lado, cerca de 37% dos inquiridos afirmaram não confiar em Zelensky, uma descida de dois pontos percentuais desde dezembro.
O estudo surge um dia depois de Donald Trump ter defendido que a Ucrânia, devido ao seu contexto político atual, devia ir a eleições em breve para eleger um chefe de Estado, acrescentando que o atual presidente do país reunia o apoio de apenas 4% dos ucranianos.
"Temos uma situação em que não houve eleições na Ucrânia, em que temos essencialmente lei marcial e em que o líder da Ucrânia - lamento dizê-lo - mas tem 4% de votos favoráveis", afirmou o presidente norte-americano na terça-feira quando questionado sobre se Washington apoiaria a realização de eleições em Kiev.