Após Trump culpar Zelensky pela guerra, Zelensky pede a Trump para ir pressionar a outro sítio

Agência Lusa , com TR
19 fev, 10:47
Volodymyr Zelensky e Donald Trump (Julia Demaree Nikhinson/AP)

Trump culpou Zelensky pelo início e pela duração da guerra e pede eleições na Ucrânia. Declarações do presidente dos EUA surgiram após reunião negocial entre a Rússia e os norte-americanos

Confrontado com as críticas do presidente dos Estados Unidos, Volodymyr Zelensky reage: em declarações em Kiev aos jornalistas, afirma que Trump vive "numa bolha de desinformação"; num post nas redes sociais, avisa que os russos são "mentirosos patológicos" e que "não são de confiança".

"Ainda ontem, após a célebre reunião em Riade, ficou claro que os representantes russos estavam, uma vez mais, a mentir, afirmando que não têm como alvo o sector energético da Ucrânia. No entanto, quase em simultâneo, lançaram outro ataque, com drones a atingir transformadores eléctricos. E isto durante o inverno - estavam 6 graus Celsius negativos à noite", escreve Zelensky no Twitter.

"Pelo menos 160.000 habitantes de Odessa estão agora sem aquecimento e eletricidade. Treze escolas, um jardim de infância e vários hospitais também ficaram sem eletricidade e sem aquecimento. As equipas de reparação estão a trabalhar incansavelmente e todos os serviços municipais estão empenhados. Estou grato a todos os socorristas e a todos os que estão a ajudar as pessoas", acrescenta. E depois: "Nunca devemos esquecer que a Rússia é governada por mentirosos patológicos - não se pode confiar neles e é preciso pressioná-los. Para bem da paz".

Zelensky pede pressão sobre os russos mas é ele próprio que é pressionado por Trump. O chefe de Estado norte-americano diz que está desiludido com Zelensky: Trump, em conferência de imprensa, defendeu terça-feira que o seu homónimo ucraniano é impopular e não entende as posições tomadas por Zelensky após os contactos diplomáticos entre os Estados Unidos e a Rússia.  

O presidente norte-americano, questionado pelos jornalistas na residência de Mar-a-Lago, no estado da Florida, criticou Zelensky, que disse que as conversações russo-americanas realizadas na terça-feira na Arábia Saudita foram contactos "sobre a Ucrânia sem a Ucrânia".

"Estou muito desiludido” com estas observações, respondeu Donald Trump, antes de ter acusado Zelensky de ter iniciado o conflito na Ucrânia.

"Hoje ouvi dizer 'não fomos convidados'. Bem, vocês [Ucrânia] estão lá há três anos. Deviam ter acabado com isto há três anos. Nunca o deviam ter começado", referiu Trump sobre o conflito na Ucrânia.

Nas conversações na Arábia Saudita na terça-feira, Washington e Moscovo concordaram em nomear negociadores sobre a guerra, sem a participação da Ucrânia ou de países da Europa. 

Horas depois do encontro, Trump confirmava que as conversações tinham sido "muito boas" e que estava "muito mais confiante" na possibilidade de que um acordo com a Rússia possa acabar com a guerra. "A Rússia quer fazer alguma coisa. Querem acabar com a barbárie selvagem", afirmou Trump sem especificar. 

Questionado sobre um possível encontro com o presidente russo antes do final do mês, Donald Trump limitou-se a acenar com a cabeça e a responder: "provavelmente".

Ao contactar telefonicamente o presidente russo, na semana passada, para discutir diretamente o conflito na Ucrânia, Donald Trump desencadeou uma série de reações na Europa e em Kiev.

Durante a conferência em Mar-a-Lago, Trump acusou ainda a Ucrânia de desvios da ajuda norte-americana desde o início do conflito.

"O presidente Zelensky disse-me na semana passada que não sabia onde estava metade do dinheiro que lhes tínhamos dado", afirmou o presidente norte-americano, criticando também a ausência de eleições na Ucrânia.

"Temos uma situação em que não houve eleições na Ucrânia, em que temos essencialmente lei marcial e em que o líder da Ucrânia - lamento dizê-lo - mas tem 4% de votos favoráveis", respondeu quando questionado se Washington apoiaria a realização de eleições em Kiev.

A Ucrânia encontra-se sob um estado de exceção prevista pela própria Constituição e que não obriga à realização de eleições enquanto o país estiver a ser alvo de invasão militar estrangeira.

Trump, quando questionado sobre algumas propostas do bloco europeu sobre o envio de tropas de manutenção de paz para a Ucrânia, disse "estar a favor". 

Apesar da atividade diplomática entre Washington e Moscovo, verificaram-se esta quarta-feira violentos ataques russos numa área residencial em Odessa, no sul da Ucrânia.

O abastecimento de energia foi afetado deixando milhares de pessoas com problemas de aquecimento. Nos últimos três anos, o exército russo tem vindo a atacar instalações de energia e infraestruturas civis da Ucrânia.

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