Já morreram duas pessoas que tentavam conter um fogo que sozinho já consumiu metade de toda a área ardida com seis mil incêndios em Portugal
Como em Portugal, praticamente toda a Europa mediterrânica está a arder. Aqui mesmo ao lado, em Espanha, já se caminha para o maior incêndio de sempre, o que ajuda a explicar a decisão de Madrid de pedir ajuda à União Europeia.
De acordo com os mapas do sistema europeu de satélites Copernicus, o incêndio de Molezuelas de la Carballeda, em Zamora, já consumiu mais de 36 mil hectares.
Um fogo que começou no domingo e que até já se alastrou para a província de León que, tal como Zamora - cidade onde foi assinado o tratado que deu origem a Portugal -, faz fronteira com Portugal a norte.
As estatísticas oficiais apontam que este já é o maior incêndio registado em Espanha desde 1968, mas dificilmente a situação vai ficar por aqui, pelo que as autoridades se prepararam para um novo recorde.
El 🔥#IFMolezuelasdelaCarballeda en Zamora, se podría haber convertido en uno de los incendios más extensos de 🇪🇸España [https://t.co/Z7lGK6aMqo] desde que tenemos registros.
— educación forestal (@eforestal) August 13, 2025
En torno a 30 000 - 35 000 ha
ℹ️Evolución y actualizaciones: https://t.co/cSfuBitbgC pic.twitter.com/GqaW4hhiOF
Para se ter uma ideia da dimensão deste único fogo, em Portugal arderam, até ao momento, cerca de 75 mil hectares, o dobro do valor registado em Zamora. A questão é que a área ardida em Portugal foi consumida por 6.010 incêndios.
Na prática, um só fogo em Espanha consumiu em menos de uma semana metade de toda a área ardida em Portugal durante este ano.
Na sua conta na rede social X, o portal Educação Ambiental avisa que dados definitivos só serão conhecidos quando o incêndio for extinto. “A esta superfície teremos de descontar a superfície agrícola, já que a estatística de incêndios florestais só tem em conta a área exclusivamente florestal”, pode ler-se.
Seja como for, este será já sempre um incêndio para recordar, até porque já morreram duas pessoas que realizavam trabalhos de desmatamento em Nogalejas, na província de León.
Abel Ramos, de 35 anos, morreu a 12 de agosto depois sofrer queimaduras graves, enquanto Jaime Aparicio veio a falecer quando já estava no hospital, depois de ter ficado gravemente ferido na mesma situação.
Apesar de o incêndio ainda ser considerado como ativo, o diretor técnico de extinção antevê que a situação possa melhorar. “As condições têm sido muito favoráveis graças ao trabalho dos meios de extinção e à meteorologia”, disse Manuel Moreno, em declarações citadas pelo El Mundo.
