Vítima foi envenenada com toxinas letais compradas na dark web num homicídio que foi inspirado em "Breaking Bad"
Um advogado chinês que envenenou fatalmente o magnata dos jogos que ajudou a produzir o sucesso de ficção científica da Netflix, "O Problema dos Três Corpos", foi executado, segundo os meios de comunicação estatais chineses.
Xu Yao matou o seu chefe, Lin Qi, em 2020, presenteando-o com o que alegava serem comprimidos probióticos, mas que na verdade continham toxinas letais compradas na dark web e misturadas no seu próprio laboratório.
No início desse ano, o bem-sucedido advogado tinha ajudado Lin a garantir os direitos de adaptação da aclamada trilogia de ficção científica de Liu Cixin, que começa com "O Problema dos Três Corpos".
Foi executado na passada quinta-feira, dois anos depois de ter sido condenado à morte por homicídio por um tribunal em Xangai.
A notícia da execução foi inicialmente divulgada esta terça-feira pelo jornal estatal chinês Economic Observer, citando fontes familiarizadas com o assunto.
Confirmando o relatório, a Three Body Universe, empresa que pertencia a Lin e que desenvolveu a propriedade intelectual da trilogia, emitiu um comunicado também esta terça-feira afirmando que "todos os funcionários da nossa empresa estão gratos pela justiça feita pelo sistema legal". A declaração prestou homenagem a Lin, que foi mencionado como produtor executivo nos créditos iniciais de "O Problema dos Três Corpos" da Netflix, quando a série foi lançada em 2024. Lin era um grande fã da trilogia de Liu e há muito que sonhava em desenvolver a franquia.
Apenas alguns meses depois de a Netflix ter anunciado os seus planos para produzir a série, Lin foi envenenado e morto aos 39 anos.
Numa noite de inverno de 2020, conduzia para casa, vindo da sede da sua empresa, a Yoozoo Games, em Xangai, quando subitamente se sentiu mal e foi para o hospital.
Morreu 10 dias depois, no dia de Natal. Pelo menos cinco toxinas foram detetadas no seu corpo, incluindo venenos mortais como mercúrio e tetrodotoxina, de acordo com relatos dos meios de comunicação chineses.
Xu foi rapidamente identificado como suspeito.
De acordo com a sentença judicial, Xu teve uma disputa com Lin sobre "questões de gestão da empresa" e planeou envenená-lo.
O caso foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação chineses, fortemente censurados pelo Estado, devido aos detalhes macabros de como Xu planeou o homicídio.
Xu inspirou-se em "Breaking Bad", a série americana sobre um professor de química que entra para o negócio da produção de metanfetamina. Montou um laboratório num subúrbio de Xangai e comprou mais de cem toxinas na dark web para experimentar, testando frequentemente venenos misturados em gatos, cães e outros animais.
Envenenou ainda bebidas nos escritórios de dois executivos com quem discutiu, fazendo com que quatro colegas adoecessem. Estes quatro sobreviveram.
Criou uma empresa comercial no Japão para adquirir os produtos químicos perigosos e, a dada altura, chegou a ter 160 números de telemóvel.
Entre setembro e dezembro de 2020, Xu substituiu o conteúdo das cápsulas de café, garrafas de whisky e garrafas de água nos escritórios dos colegas por cloreto de metilmercúrio, uma toxina aguda que pode ser fatal se ingerida, inalada ou em contacto com a pele.
Posteriormente, transformou as substâncias letais em comprimidos, antes de os dar de presente a Lin.
