Congresso do Partido Comunista Chinês acaba com elevação do estatuto de Xi

Agência Lusa , AM
22 out, 12:47
Congresso do Partido Comunista Chinês (EPA/Lusa)

Evento ficou marcado pela aparente expulsão do seu antecessor que governou o país entre 2003 e 2013

Xi Jinping reforçou o seu estatuto como líder da China, no encerramento do 20º congresso do Partido Comunista, que ficou marcado pelo afastamento do primeiro-ministro, Li Keqiang, e a aparente expulsão do ex-presidente Hu Jintao do evento.

“As conquistas do Partido [Comunista], nos últimos cem anos, são de glória incomparável”, afirmou Xi, no discurso de encerramento do mais importante evento da agenda política do país. “O Partido está a florescer e temos total confiança de que seremos capazes de criar novos e maiores milagres”, disse.

Os mais de 2.200 delegados que participaram no congresso, que se realiza a cada cinco anos, aprovaram uma série de emendas à carta magna do Partido Comunista, que efetivamente elevam Xi Jinping ao estatuto de líder mais importante na História da República Popular, desde o seu fundador, Mao Zedong. As emendas designam Xi Jinping como o “núcleo de todo o Partido”.

A elevação do seu pensamento ideológico, designado “Pensamento de Xi Jinping”, torna também qualquer crítica às diretrizes de Xi num ataque direto ao Partido e sinaliza amplo apoio ao líder chinês entre a elite política do país, segundo observadores.

As emendas são uma “grande vitória” para Xi Jinping, observou Willy Lam, especialista em assuntos do Partido Comunista Chinês, na Universidade Chinesa de Hong Kong.

“Todos vão ter que obedecer a Xi”, apontou. “Por um lado, isto acelerará a tomada de decisões, mas, por outro lado, haverá uma completa ausência de contrapesos e freios ao seu poder”.

O evento ficou marcado pela aparente expulsão de Hu Jintao, o antecessor de Xi Jinping que governou o país entre 2003 e 2013.

Além do atual primeiro-ministro, outros três membros foram afastados do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista: o secretário do Partido no município de Xangai, Han Zheng; o chefe do órgão consultivo do Partido, Wang Yang; e Li Zhanshu, o presidente da Assembleia Nacional Popular, o órgão máximo legislativo da China.

As suas saídas devem permitir a Xi integrar mais aliados próximos no Comité Permanente do Politburo, cujos membros serão revelados no domingo.

O congresso frisou que a liderança de Xi Jinping “eliminou sérios perigos dentro do Partido, Governo e Exército” – numa referência velada à corrupção generalizada e disputas entre fações, que marcaram os 10 anos de Hu Jintao no poder – e “garantiu a realização do grande rejuvenescimento da nação chinesa”.

Xi emergiu durante a sua primeira década no poder como um dos líderes mais fortes na História moderna da China, quase comparável a Mao Zedong, o fundador da República Popular, que liderou o país entre 1949 e 1976.

Um terceiro mandato de Xi quebra o limite não oficial de dois mandatos, que foi instituído para tentar evitar os excessos do poder absoluto que marcaram o reinado de Mao.

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