Xi Jinping avisa Biden para não cruzar linha vermelha de Taiwan

Agência Lusa , DCT
14 nov, 15:40
Xi Jinping (AP Photo/Alex Brandon)

“A resolução da questão de Taiwan é da competência dos chineses”, disse.

O Presidente chinês, Xi Jinping, avisou esta segunda-feira o seu homólogo norte-americano, Joe Biden, para não “cruzar a linha vermelha” em Taiwan, durante o encontro bilateral que mantiveram na Indonésia, anunciou a diplomacia chinesa.

“A questão de Taiwan está no centro dos interesses centrais da China, a base da fundação política das relações sino-americanas, e é a primeira linha vermelha a não ser atravessada nas relações sino-americanas”, disse Xi a Biden, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

“A resolução da questão de Taiwan é da competência dos chineses”, advertiu o líder chinês, citado pela agência francesa AFP.

Os dois presidentes estiveram reunidos durante mais de três horas na ilha indonésia de Bali, à margem da cimeira do G20, o grupo das economias mais desenvolvidas e emergentes.

Xi disse que “é a aspiração comum do povo chinês de alcançar a reunificação nacional e salvaguardar a sua integridade territorial”, segundo a agência espanhola EFE.

“Qualquer pessoa que procure separar Taiwan da China estará a violar os interesses fundamentais da China e o povo chinês nunca o permitirá. Esperamos ver paz e estabilidade no Estreito de Taiwan, mas a paz e a 'independência' de Taiwan são irreconciliáveis”, avisou.

O líder chinês disse esperar que Washington “honre a sua palavra” e “respeite a política de uma só China e os três comunicados conjuntos assinados” pelas duas partes.

“São a base das relações entre os nossos dois países”, insistiu.

Xi recordou que Biden comentou “em numerosas ocasiões” que os Estados Unidos “não apoiam a independência da ilha” e não têm intenção de “utilizar Taiwan como instrumento para ganhar vantagem na sua concorrência com a China ou para conter a China”.

“Esperamos que os Estados Unidos cumpram as suas promessas e ponham realmente tudo isto em prática”, acrescentou.

A presidência norte-americana disse que, no encontro, Biden criticou as “ações coercitivas e cada vez mais agressivas” da China em relação a Taiwan.

“Não creio que haja uma tentativa iminente da China de invadir Taiwan”, disse Biden, no entanto, na conferência de imprensa que deu em Bali após a reunião com Xi.

A ilha de Taiwan tem sido governada autonomamente desde 1949, quando as forças nacionalistas ali se refugiaram após a derrota na guerra civil frente ao Partido Comunista Chinês, no poder em Pequim desde então.

A República Popular da China reivindica a soberania sobre a ilha, que considera ser uma província rebelde, e ameaça invadir a ilha se Taipé declarar a independência.

As tensões entre Pequim e Washington agravaram-se em agosto, na sequência de uma viagem à ilha pela presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi.

A China respondeu à visita com os maiores exercícios militares em redor da ilha em décadas e com sanções comerciais contra Taipé.

Os Estados Unidos são o principal fornecedor de armas de Taiwan e têm declarado que estarão do lado de Taipé em caso de um conflito militar com a China.

A China iniciou o chamado processo de reunificação da pátria em 1997, com a recuperação da soberania da colónia britânica de Hong Kong, a que se seguiu, dois anos depois, a transferência da administração portuguesa de Macau para Pequim.

A reunião em Bali entre Xi e Biden foi primeiro presencial entre os dois líderes desde que são presidentes, apesar de terem estado juntos anteriormente, quando eram ambos vice-presidentes.

Depois de Biden ter chegado à Casa Branca, em janeiro de 2021, falaram várias vezes ao telefone, mas a pandemia de covid-19 impediu encontros pessoais.

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