Para o presidente chinês, não é guerra e paz - é guerra ou paz. Disse-o no dia em que apresentou armamento de última geração. Na reação, Trump pediu a Xi para enviar "calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e a Kim Jong-un enquanto conspiram contra os Estados Unidos da América"
"Hoje, a humanidade enfrenta novamente a escolha entre paz ou guerra, diálogo ou confronto, ganho mútuo ou nenhum.” Dita pelo comum dos mortais, esta frase pode não passar de algo para postar no Facebook e seguir em frente, mas não foi qualquer um que a disse. Foi Xi Jinping.
As palavras do líder chinês foram proferidas esta quarta-feira durante o desfile militar que assinalou os 80 anos do final da Segunda Guerra Mundial, conhecida na China como Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa.
Em frente a uma multidão de 50 mil pessoas, onde foi exibido o armamento de última geração que Pequim desenvolveu, Xi afirmou que o povo chinês “posiciona-se firmemente do lado certo da história”.
Citado pelo The Guardian, o presidente chinês frisou que a sua nação "não se deixa intimidar por quaisquer bullies" e é "imparável".
O desfile desta quarta-feira foi o coroar de uma semana de grande projeção internacional para Xi Jinping e o regime chinês. O líder chinês recebeu alguns dos mais importantes líderes mundiais, como Vladimir Putin e Narendra Modi, com quem foi visto a conversar amigavelmente, e Kim Jong-Un, que fez apenas a sua segunda viagem ao estrangeiro em seis anos, após a viagem ao extremo-leste da Rússia em setembro de 2023.
Se do lado do Sul Global houve muitos sorrisos, do lado do Ocidente houve cautela e apreensão. Kaja Kallas, líder da diplomacia da União Europeia – que teve um dos seus Estados-membros, a Eslováquia, representada na cerimónia pelo seu primeiro-ministro, Robert Fico -, afirmou que a reunião entre Xi, Putin e Kim, realizada também esta quarta-feira, é um “desafio direto” à ordem internacional.
Este encontro não envia apenas "sinais antiocidentais" como também representa um "desafio direto ao sistema internacional baseado em regras e não é apenas uma questão de simbolismo", afirmou Kallas à imprensa, em Bruxelas, citada pela Agência Lusa.
Donald Trump, como seria de esperar, também não ficou calado. “Que o presidente Xi e o maravilhoso povo da China tenham um dia de celebração grandioso e duradouro. Por favor, transmita os meus mais calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e Kim Jong-un enquanto conspiram contra os Estados Unidos da América”, escreveu o presidente americano na Truth Social.
As palavras de Trump tiveram resposta pronta do Kremlin, que alegou que “ninguém tinha sequer isso nos planos”. Também o próprio Putin brincou com a publicação. “Todos sabem que Trump não é desprovido de sentido de humor”, disse o líder russo, citado pela Al Jazeera.