As novas fações que estão a competir para suceder a Xi Jinping

CNN Portugal , HCL
25 jan, 22:31
Xi Jinping no encerramento do 20.º Congresso do Partido Comunista Chinês

Ainda que não constituam, neste momento, uma ameaça ao poder, estas novas fações vão competir por controlo e influência - e, em última análise, quem sucede a Xi no topo do partido

O presidente chinês, Xi Jinping, vai utilizar as sessões conjuntas do parlamento e do órgão consultivo político, no próximo mês de março, para confirmar uma lista de nomeações para papéis críticos na gestão do país.

Segundo o jornal Financial Times, trata-se maioritariamente de homens que Xi conhece desde a sua juventude ou funcionários de confiança com quem trabalhou durante décadas cedo na sua carreira política, bem como estrelas em ascensão que têm demonstrado a sua lealdade ao líder chinês.

As nomeações para cargos governamentais em março vão marcar a conclusão da consolidação do poder de Xi ao embarcar no terceiro mandato sem precedentes como líder, depois de selar a sua reeleição num congresso do partido comunista em outubro.

Mas, ao mesmo tempo, estas sessões também vão assinalar a emergência de um novo conjunto de fações entre políticos próximos de Xi elevados aos mais altos cargos no partido durante o congresso.

Wu Guoguang, que trabalhou como conselheiro do antigo primeiro-ministro chinês Zhao Ziyang, escreveu num ensaio recente publicado pelo China Leadership Monitor que uma "nova era de política de fações está a desenrolar-se". "O estatuto e a autoridade de Xi como líder de topo são pouco prováveis de enfrentar quaisquer desafios dentro dos quadros superiores do Partido Comunista Chinês (PCC), mas a competição de fações já está a começar a ter lugar entre os vários seguidores de Xi", disse Wu, investigador na Universidade de Stanford.

Ainda que não constituam uma ameaça ao poder de Xi, estas novas fações vão competir por controlo e influência - e, em última análise, quem sucede a Xi no topo do partido.

Wu Guoguang afirma também que a compreensão dos antecedentes, personalidades, tendências ideológicas, preferências políticas e redes pessoais do principal corpo de políticos de confiança de Xi é crucial para elucidar o mundo obscuro e muitas vezes imprevisível da política chinesa.

"Nos próximos anos, a competição entre fações será inevitável... A mudança geracional, em termos de circulação de elite interna e sucessão de poder, irá também alimentar lutas pelo poder entre as fações ‘sub-Xi’ que estão agora a tomar forma", disse.

No seu ensaio, Wu descreve os quatro grupos críticos que compõe estas fações. Entre eles estão funcionários que trabalharam com Xi nas províncias de Fujian, Zhejiang e Xangai, bem como Shaanxi, a província no norte do país onde a família de Xi tem profundas ligações.

Qualquer fação que tome forma dentro dos escalões superiores do PCC também arrisca a fúria de Xi, que reprimiu a oposição política e cedo entende as ameaças ao seu governo.

Nos meses que antecederam o congresso do partido de outubro, longas penas de prisão foram impostas a antigos funcionários da justiça e da segurança pública acusados de fazerem parte de um "bando político" desleal ao presidente chinês.

No entanto, Joseph Torigian, especialista em política chinesa na Universidade de Washington, afirma ao FT que tais agrupamentos políticos na China "raramente se fundem em algo tão coeso como o uma fação". Isto porque, sublinha, "não querem parecer que estão a trabalhar demasiado em concertação uns com os outros, porque isso seria um sinal de aviso imediato para Xi Jinping e ele iria querer esmagá-lo".

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