Em três horas, comboios que parecem do futuro podem levá-lo a um passado de 1.200 anos

CNN , Tracy You
14 set 2025, 16:00
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Venha daí numa viagem que começa no futuro e acaba num passado cheio de história

Visitar Xangai é uma experiência estimulante.

Este centro financeiro de 25 milhões de habitantes parece ter sido criado para se admirar os arranha-céus, descobrir a moda e comer bolinhos de massa. O seu sistema de metro é limpo e eficiente, tornando incrivelmente fácil a deslocação pela cidade - ou para a cidade seguinte.

Mas a dada altura, o cansaço urbano começa a aparecer, um sinal de que está na altura de desaparecer nas montanhas enevoadas, tantas vezes captadas nas pinturas a tinta tradicionais chinesas.

Graças à enorme rede de caminhos-de-ferro de alta velocidade da China - a maior do planeta - a calma do campo nunca está longe.

Veja-se o caso de Wuyuan, um condado rural na província sem litoral de Jiangxi, no leste da China. A menos de três horas de Xangai, em comboio de alta velocidade, está repleto de aldeias centenárias, onde as paredes brancas e os telhados de telha acenam e as refeições fartas confecionadas com ingredientes vindos diretamente das quintas são a norma.

Esta justaposição oferece uma oportunidade fascinante de mergulhar no presente ultramoderno da China e no seu famoso passado numa curta viagem.

Mas sabemos que viajar na China pode ser intimidante para quem está a visitar o país pela primeira vez. Aqui está um exemplo de itinerário para quem procura inspiração para fazer a sua própria viagem de alta velocidade ao passado, juntamente com conselhos sobre como reservar bilhetes de comboio.

Shanghai paragem 1: o palco

A admiração dos arranha-céus não é uma coisa nova em Xangai, mas há um novo ângulo para o fazer. O mais recente miradouro da cidade, um antigo heliporto, é o local perfeito para tirar uma fotografia panorâmica desta paisagem futurista.

Situado no topo do edifício mais alto do lado oeste do rio Huangpu, o The Stage - a 320 metros de altura - oferece um lugar na primeira fila para o gigantesco distrito financeiro de Xangai, do outro lado do rio.

Graças a uma curva do Huangpu, também oferece uma vista panorâmica sobre os famosos edifícios coloniais do mesmo lado do rio. As barcaças do tamanho de um brinquedo que descem o Huangpu transportam várias mercadorias, desde carvão a areia, lembrando que a China nunca pára de construir.

A melhor altura para apreciar as vistas de 360 graus é ao fim da tarde, quando se pode comprar um bilhete combinado para o pôr do sol que inclui uma bebida.

A entrada para o Stage fica no nível B1 do Edifício Magnolia de Xangai, no 501 Dong Daming Road, distrito de Hongkou; 240 yuan (cerca de 28 euros) por pessoa, 288 yuan (perto de 34 euros) para um bilhete combinado para o pôr do sol.

Paragem 2: The Bund

O avô de todas as atrações de Xangai, o Bund é um trecho da margem oeste do rio Huangpu com 52 edifícios históricos que datam do início do século XX e que foram construídos por bancos, empresas comerciais e magnatas de todo o mundo. O caleidoscópio de estilos varia do neoclássico ao gótico.

O mais grandioso de todos é o antigo edifício do HSBC, atualmente a sede do Shanghai Pudong Development Bank. Quer trocar algum dinheiro? O salão do banco no rés do chão apresenta uma série de murais de estilo grego que escaparam às marteladas da Revolução Cultural, depois de um arquiteto de Xangai os ter alegadamente mandado pintar para os proteger.

O Bund é movimentado dia e noite, mas o início da manhã oferece uma rara janela de paz desfrutada por apenas alguns peões e pessoas a fazer exercício.

Paragem de metro mais próxima: East Nanjing Road, acessível a partir das linhas 2 e 10.

Paragem 3: a cidade velha

A cidade velha refere-se à Xangai original, uma parte da cidade que prosperou antes da chegada dos colonos britânicos na década de 1850. É uma área com cerca de metade do tamanho do Central Park de Nova Iorque e foi outrora rodeada por uma muralha da cidade há muito demolida.

Atualmente, é um destino popular para os visitantes chineses e internacionais durante o Ano Novo Lunar, graças ao seu deslumbrante espetáculo de lanternas. No resto do ano, oferece um labirinto de edifícios antigos fortemente restaurados para os visitantes se perderem.

Não se esqueça de que esta é uma zona altamente comercializada: quase todas as ruelas residenciais tradicionais foram demolidas. Mas vale a pena visitar o núcleo da cidade velha à volta do Jardim Yuyuan. A Jiuqu, ou ponte das nove voltas, atravessa em ziguezague um pequeno lago habitado por carpas, passando pela mais antiga casa de chá da cidade, a Huxinting.

De um lado da ponte está o restaurante Lu Bo Lang, onde o antigo presidente dos EUA, Bill Clinton, jantou durante a sua visita a Xangai em 1998. Do outro lado está o Nanxiang Steamed Bun Restaurant, onde os famosos bolinhos de sopa da cidade, ou xiaolong mantou, atraem longas filas de espera.

Paragem de metro mais próxima: Yuyuan Garden nas linhas 10 e 14.

Paragem 4: passeio ribeirinho de Xuhui

Esta é a resposta de Xangai ao South Bank de Londres. Os habitantes locais vão até lá para dar um passeio à tarde, encontrar-se com os amigos, andar de bicicleta ou simplesmente matar o tempo. Outrora a espinha dorsal industrial da cidade, esta parte da zona ribeirinha, que se estende por cerca de oito quilómetros, tem um ritmo diferente do glamoroso Bund: aqui, as coisas andam muito mais devagar.

A antiga Fábrica de Cimento de Xangai alberga agora um grande espaço de arte e uma mistura de lojas, restaurantes e cafés. O West Bund Art & Design, um centro separado nas proximidades, tem uma parceria de longo prazo com o Centre Pompidou em Paris e organiza algumas das melhores exposições contemporâneas chinesas do país.

Os praticantes de skate reúnem-se no Riverside Skateboard Park para desafiar os corrimões e os lances de escadas. Os animais de estimação também adoram este local: existe um parque dedicado que permite aos cães correrem sem trela - uma rara exceção às regras rigorosas da cidade em matéria de manutenção de animais de estimação.

As melhores paragens de metro para sair são a Yunjin Road ou a estação Longyao Road na linha 11 do metro, e a Middle Longhua Road nas linhas 7 e 12 do metro.

Paragem 1 de Wuyuan: aldeia Yan

O condado de Wuyuan, na província de Jiangxi, sem litoral, é a China que se vê nas pinturas tradicionais: campos ondulantes, riachos sinuosos e pequenas aldeias encravadas entre montanhas verdejantes.

São apenas duas horas e 44 minutos de viagem a partir de Xangai no comboio de alta velocidade, mas as suas vibrações estão separadas por centenas de anos.

Com uma história de 1.200 anos, Wuyuan é famosa por duas coisas: as flores amarelas brilhantes de colza, que florescem todos os meses de março, e as grandes casas de família construídas pelos antigos mercadores de Huizhou, que acumularam fortunas entre os séculos XV e XVIII vendendo sal, chá e madeira.

A 20 minutos de táxi da estação de comboios de Wuyuan fica a aldeia de Yan (延村), uma aldeia típica de Huizhou que remonta a cerca de 800 anos. Os turistas têm de pagar uma pequena taxa para entrar, mas não se deixem enganar. Yan é uma aldeia puramente residencial, habitada por agricultores. A maioria deles tem o mesmo apelido, Jin - um reflexo da cultura de clã que ainda é forte na China rural.

A aldeia vizinha, Sixi, oferece a mesma sensação de tranquilidade e fica a 20 minutos a pé, através de um trilho ao longo do campo.

Custo: 55 yuan (perto de seis euros) para entrar nas aldeias de Yan e Sixi.

Paragem 2: Hotel Skywells

Comprado e renovado por um expatriado britânico e a sua mulher chinesa, este hotel boutique de três andares na aldeia de Yan é uma atração por si só. Datada de há cerca de 300 anos, a casa foi construída ao estilo clássico de Huizhou: paredes altas e grossas, com janelas minúsculas - caraterísticas concebidas para afastar os bandidos quando os homens da família viajavam para fazer comércio.

A peça central do hotel são os seus pátios interiores, conhecidos como skywells, outra caraterística da arquitetura de estilo Huizhou. Estes espaços ao ar livre proporcionam luz e ventilação naturais, ajudando a casa a manter-se fresca. Também permitem que a água da chuva, um símbolo de fortuna, seja recolhida no interior da casa.

Este hotel de 14 quartos é gerido por uma residente da aldeia que cozinha pratos locais saudáveis para os hóspedes, utilizando legumes diretamente da horta da sua família. Esta mulher é um poço de conhecimentos sobre onde ir e o que fazer, e faz um excelente gin tónico.

Skywells Hotel, aldeia de Yan, Wuyuan, China.

Paragem 3: Huangling

Situada na encosta de uma montanha, esta aldeia com 600 anos de idade foi inicialmente estabelecida pelo clã Cao, que se mudou para lá vindo do norte para se esconder da guerra.

Mas Huangling foi-se degradando e ficou parcialmente abandonada até 2009, altura em que uma empresa de turismo transferiu os residentes para o sopé da montanha e transformou a aldeia numa espécie de parque temático histórico.

Os turistas sobem à aldeia de teleférico, que oferece uma vista panorâmica dos campos em socalcos que descem em cascata para um vale. As suas pequenas ruas estão repletas de restaurantes, lojas de recordações e casas de chá. Mas a maioria das pessoas vem para ver os legumes coloridos secos em cestos redondos nas varandas, uma tradição transmitida por gerações de habitantes das montanhas para preservar as suas colheitas.

Precisa de um pouco mais de emoção? Huangling tem não uma, mas duas pontes com fundo de vidro suspensas entre as montanhas próximas.

Custo de 145 yuan (perto de 17 euros) para entrar na aldeia através do teleférico.

Paragem opcional na cidade: Suzhou ou Hangzhou

Elogiadas pelos poetas antigos como “céus na terra”, Suzhou e Hangzhou eram muito apreciadas pelo imperador chinês Qianlong, que viajou de Pequim seis vezes durante a sua vida, no século XVIII, para apreciar as suas paisagens e provar a sua comida.

Hoje em dia, os viajantes chineses continuam a deslocar-se até lá para fazer o mesmo, embora de comboio-bala (ou nos seus carros elétricos). As duas cidades podem ser alcançadas por comboio de alta velocidade na rota de Wuyuan para Xangai, embora nem todos os comboios parem em ambas.

A pouco mais de duas horas de comboio de Wuyuan, Hangzhou é uma movimentada capital de província imortalizada pelo seu lago, pagodes e campos de chá verdejantes. É também o centro de comércio eletrónico da China: O cofundador da Alibaba, Jack Ma, é natural da cidade e a empresa está sediada lá.

A 40 minutos de Hangzhou ou a meia hora de comboio de Xangai, Suzhou tem alguns dos mais belos jardins antigos da China. Construídos pelos literatos locais há centenas de anos, têm lagos, pavilhões, salgueiros de sonho, juntamente com “montanhas artificiais” feitas com rochas retiradas do lago Taihu, nas proximidades.

Como comprar bilhetes de comboio na China

Os viajantes internacionais podem comprar bilhetes de comboio na estação de comboios com os seus passaportes ou reservá-los através de várias aplicações. A “Railway 12306” é a aplicação oficial de emissão de bilhetes de comboio da China e tem uma versão em inglês.

Todos os bilhetes de comboio na China estão associados aos bilhetes de identidade ou passaportes dos titulares, pelo que os utilizadores da aplicação terão de apresentar uma fotografia dos seus documentos ao criar uma conta no 12306. Isto permitir-lhes-á entrar na estação de comboios digitalizando os mesmos documentos.

A aplicação também tem um guia com informações práticas para os viajantes internacionais, tais como a forma de pagar os artigos e onde obter um cartão SIM.

Um bilhete de comboio-bala para a rota Xangai-Wuyuan custa entre 193 e 292 RMB (23 a 35 euros) por trajeto.

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