Afinal, as conversas no WhatsApp podem não ser assim tão privadas. Há uma investigação a decorrer nos EUA

30 jan, 00:02
Meta

Denúncia diz que há funcionários da Meta com acesso “irrestrito” a todas as mensagens enviadas através da aplicação

As autoridades norte-americanas estão a investigar alegações de ex-funcionários da Meta de que há trabalhadores da gigante tecnológicas que têm acesso às mensagens enviadas por qualquer pessoa no WhatsApp, apesar de a aplicação assegurar que o serviço de mensagens é encriptado de ponto a ponto.

A notícia está a ser avançada pela Bloomberg que teve acesso a um conjunto de entrevistas e a um relatório que demonstram que os testemunhos dos ex-contratados da Meta, que apontam no sentido de que alguns funcionários tinham acesso “irrestrito” às mensagens de WhatsApp, estão a ser investigados por agentes especiais do Departamento de Comércio dos EUA.

A questão não é nova. Em 2024, alegações semelhantes foram alvo de denúncia por irregularidades na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, de acordo com uma das fontes que aceitaram falar com a Bloomberg sob condição de anonimato. investigação e a denúncia não tinham sido tornadas públicas anteriormente.

As denúncias sob investigação contrastam fortemente com a forma como a Meta tem optado por comercializar o WhatsApp: uma aplicação privada com criptografia “ponta a ponta” padrão, o que, segundo o site da empresa, significa que “ninguém fora do chat, nem mesmo o WhatsApp, pode ler, ouvir ou compartilhar” o que um utilizador diz.

O WhatsApp tem vindo a rearfimar este nível de privacidade na aplicação nas campanhas publicitárias e aos governos que desejam acesso a informações sobre crimes, o que a Meta sempre respondeu que era tecnicamente impossível de fornecer devido à arquitetura do software.

A Meta já reagiu às denúncias, através de um porta-voz, que garante mais uma vez que as alegações dos antigos funcionários são tecnicamente impossíveis.

“O que estas pessoas alegam não é possível, porque o WhatsApp, os seus funcionários e os seus contratados por outsourcing não podem aceder às comunicações encriptadas dos utilizadores”, disse o porta-voz, Andy Stone, através de e-mail.

O relatório da investigação a que a Bloomberg tee acesso, datado de julho de 2025, descreve o processo como “em andamento”, inclui número e batiza o caso de “Operação Criptografia de Origem”. No documento, consta o nome do agente que conduziu as entrevistas e afirma que o relatório foi revisto por um outro agente especial assistente, que também é identificado.

Em janeiro, a investigação permanecia ativa, de acordo com uma fonte familiarizada com o processo. No entanto, o estado atual da operação e quem podem ser os alvos não são claros, sendo que não é incomum investigações serem arquivadas sem nenhuma acusação formal de irregularidade.

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