O jovem de 17 anos foi visto a manusear uma arma no exterior da escola e as autoridades foram alertadas
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve, na última sexta-feira, um jovem de 17 anos na Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras. O rapaz, que frequenta o 11º ano de Artes, foi visto no exterior da escola a manusear aquilo que parecia ser uma arma e as autoridades foram alertadas. O adolescente seria um dos “mentores” do grupo de WhatsApp onde circulavam conversas violentas e eram combinados supostos atentados, uma notícia avançada pela CNN Portugal na última semana.
A CNN Portugal e a TVI sabem que foi apreendida uma réplica de uma Glock 19 e 13 munições de 9 milímetros verdadeiras. A reprodução da arma e as munições estavam escondidas num canteiro, no exterior da escola. Terá sido na altura em que as escondia que o jovem foi visto por um indivíduo exterior à comunidade educativa que lançou o alerta. A réplica da Glock 19 e as 13 munições foram também apreendidas. As munições de 9 milímetros são compatíveis com a Glock 19, uma arma usada pela PSP e pela GNR.
De acordo com o que a CNN Portugal e a TVI apuraram, o jovem é um aluno “perturbador do funcionamento na sala de aula” e já com “várias faltas disciplinares”, mas não tem cadastro criminal. Nas redes sociais, o jovem tem publicadas várias fotografias e na imagem de perfil do Instagram segura o que parece ser uma arma ou uma réplica de uma arma. Na escola é conhecido pelos pares por ser problemático e temido.
Há uma semana, a CNN Portugal noticiou a existência de um grupo de Whatsapp com alunos maioritariamente do 7.º ano da Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras, denominado ‘Até 1k de pessoas’. Nas conversas do grupo, de acordo com um email enviado pela escola para os pais dos alunos do 7.º ano, podiam ler-se frases como "vamos fazer um atentado ao LIDL", "vamos matar as funcionárias todas”, "tu ficaste de trazer as armas” ou "eu levo as facas".
No email, a direção da escola diz que foi alertada por uma encarregada de educação. “Após as primeiras averiguações, confirmou-se a existência do referido grupo, onde foi utilizada, como imagem identificativa, uma fotografia de uma docente retirada da plataforma institucional (TEAMS)”, pode ler-se no email.
“Para além disso, foram identificadas mensagens com conteúdos de natureza violenta e ameaçadora, ainda que não haja indícios, nem sequer acreditemos, de uma intenção real de concretização. Independentemente dessa circunstância, a banalização deste tipo de discurso é motivo de séria apreensão, quer pelas implicações legais, quer pelo impacto formativo e ético que comporta”, acrescenta ainda a direção na escola no documento.
Além das mensagens de teor violento, circulavam no grupo imagens de professores retiradas da plataforma Teams, a plataforma usada pelo estabelecimento de ensino para comunicar com alunos, pais e professores. A imagens identificativa do grupo no Whatsapp seria mesmo a de uma docente.
Questionada também pela CNN Portugal, na altura, a direção da Escola Secundária Quinta do Marquês respondeu por escrito, garantindo que “a ocorrência foi analisada pelos órgãos competentes, tendo sido adotados os procedimentos adequados e previstos em situações análogas, nomeadamente dar conhecimento aos encarregados de educação presumivelmente envolvidos e às entidades parceiras”.
A CNN Portugal e a TVI voltaram a contactar a direção do estabelecimento de ensino para comentar a detenção do jovem. Numa resposta por escrito, a direção respondeu que "a ocorrência de sexta-feira não esteve em nada relacionada com o dia a dia" da escola e que "acontecimento externos", que a direção desconhece, "terão levado ao procedimento por parte da polícia". A direção da escola diz ainda que "os dois acontecimentos [detenção e grupo de WhatsApp] não estão relacionados".
