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Senado dos EUA falha oitava tentativa de acabar com paralisação do Governo

Agência Lusa , AM
15 out 2025, 06:42
Presidente dos EUA, Donald Trump (EPA)

Os democratas votaram em massa contra a proposta porque insistem em negociar a expansão dos benefícios de saúde, que expiram este ano

A câmara alta do parlamento dos Estados Unidos falhou a oitava tentativa consecutiva de aprovar uma resolução de financiamento para pôr fim à paralisação parcial do Governo, que entrou no 14.º dia.

A votação de terça-feira à tarde em Washington resultou em 49 votos contra 45, ficando aquém dos 60 votos necessários para avançar.

O Senado dos EUA (câmara alta do Congresso) reuniu-se ne terça-feira para votar uma proposta republicana, aprovada pela Câmara dos Representantes (câmara baixa), para financiar o governo, de forma temporária, até 21 de novembro.

Os democratas votaram em massa contra a proposta porque insistem em negociar a expansão dos benefícios de saúde, que expiram este ano.

Os republicanos insistem em aprovar o projeto de lei tal como está, recusando-se a sentar-se à mesa, argumentando, sem provas, que o programa de saúde conhecido como Obamacare beneficia os imigrantes indocumentados.

Seis senadores não votaram, incluindo John Fetterman, da Pensilvânia, um dos três democratas que tinha apoiado o projeto de lei apoiado pelo Partido Republicano em votações recentes.

Ainda não é claro quando é que o Senado poderá tentar avançar novamente com o projeto de lei. O período das festas de fim de ano está a aproximar-se e a Câmara, controlada pelos republicanos, ainda não convocou novas sessões.

Ainda antes da votação, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou acabar com alguns programas de ajuda pública se a paralisação do Governo durar mais uma semana.

Em declarações aos jornalistas da Casa Branca, o republicano disse estar pronto para apresentar na sexta-feira uma lista de programas governamentais apoiados pelos democratas e encerrá-los.

Trump não especificou a que tipo de subsídios ou programas se referia, mas disse que se trata de projetos "ultrajantes e semicomunistas".

"Nunca mais voltarão", frisou o chefe de Estado norte-americano.

A paralisação do governo já levou ao despedimento de centenas de funcionários federais, ordenado pela Casa Branca, e provocou atrasos no tráfego aéreo e na fronteira com o México.

Democratas e republicanos ainda não chegaram a acordo sobre os 60 votos necessários para uma das duas propostas orçamentais temporárias, levando o país a entrar na quarta semana desta situação, que o assola desde 01 de outubro.

Aeroportos recusam mostrar vídeo que culpa democratas

Vários aeroportos do Estados Unidos (EUA) recusaram-se terça-feira a mostrar um vídeo com uma mensagem da secretária de segurança interna, Kristi Noem, onde culpou os democratas pela paralisação do governo federal, noticiou a Associated Press (AP).

"De acordo com os regulamentos aeroportuários, os terminais e as áreas adjacentes não são designados como fóruns públicos, e a intenção do aeroporto é evitar a utilização das instalações para ativismo político ou religioso", refere o comunicado do Departamento de Aviação de Chicago, uma dos departamentos que recusou passar o vídeo.

O Departamento de Aviação de Chicago disse ainda que a publicidade e os anúncios de serviço público devem seguir diretrizes que "proíbem conteúdos que apoiem ou se oponham a qualquer partido político".

Aeroportos em Nova Iorque, Atlanta, Chicago, Las Vegas, Charlotte, Phoenix, Seattle e outros que não transmitiram a mensagem de Noem sublinham que o vídeo vai contra regulamentos aeroportuários que proíbem mensagens políticas nas instalações.

Alguns aeroportos em estados republicanos também recusaram-se a transmitir o vídeo, como por exemplo o Aeroporto Internacional de Salt Lake City, no Utah.

De acordo com a porta-voz do aeroporto, Nancy Volmer, o vídeo viola a lei estadual que proíbe o uso de propriedades municipais para fins políticos.

No vídeo, Kristi Noem disse que a "prioridade máxima" da Administração de Segurança dos Transportes (sigla em inglês, TSA) é ajudar a tornar as viagens agradáveis ​​e eficientes, mantendo os passageiros em segurança, destacando que a paralisação dos democratas está prejudicar as operações da TSA.

"Os democratas no Congresso recusam-se a financiar o governo federal e, por causa disso, muitas das nossas operações são impactadas, e a maioria dos funcionários da TSA está a trabalhar sem remuneração", disse secretária de segurança interna no vídeo, sendo que 61.000 dos 64.130 funcionários da agência são obrigados a trabalhar durante a paralisação.

A porta-voz do Departamento de Segurança Interna (sigla em inglês, DHS), Tricia McLaughlin, espera que os democratas acabem com a paralisação, destacando que é "lamentável" que a DHS seja afetada por "jogos políticos", sendo que a TSA faz parte do DHS.

O secretário dos Transportes dos EUA, Sean Duffy, disse, na semana passada, que a greve levou à falta de controladores aéreos em alguns aeroportos do país, destacando que voos foram interrompidos, assim como as operações de rotina.

A paralisação, que começou no dia 01 de outubro, deve-se às posições inconciliáveis entre os republicanos e os democratas sobre o financiamento de subsídios de saúde, discutidas no Senado (câmara alta do Congresso).

Os líderes democratas no Congresso disseram que prologariam a paralisação do governo até chegarem a um acordo com os republicanos para reforçar o financiamento do Obamacare (a Lei de Cuidados de Saúde Acessíveis), cujos créditos vão expirar no final de 2025.

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