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Ex-presidente Jimmy Carter será homenageado em Washington e no estado da Georgia

Agência Lusa , AM
30 dez 2024, 08:37
Jimmy Carter (AP)

Os preparativos finais para um funeral de Estado, incluindo todos os eventos públicos e percursos da comitiva, ainda estão pendentes

O ex-Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, que morreu no domingo aos 100 anos, será homenageado em cerimónias públicas em Washington e na Georgia, o seu estado de origem, informou a organização Carter Center.

A organização humanitária não-governamental fundada por Carter não deu pormenores sobre as datas destas homenagens ao antigo chefe de Estado norte-americano democrata, eleito em 1976 e vencedor do Prémio Nobel da Paz em 2002.

Segundo a organização, Jimmy Carter será enterrado em Plains, no estado da Georgia, onde morreu rodeado pela sua família.

No domingo, o atual Presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou que deu instruções para que se realize um funeral de Estado para Carter em Washington.

Os preparativos finais para um funeral de Estado, incluindo todos os eventos públicos e percursos da comitiva, ainda estão pendentes, referiu o Carter Center.

Obama, Clinton e Bush exaltam vida e serviço público de Carter

 Os ex-presidentes democratas Bill Clinton e Barack Obama e o republicano George W. Bush manifestaram condolências pela morte do ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, que morreu aos 100 anos.

“O Presidente Carter ensinou-nos a todos o que significa viver uma vida de graça, dignidade, justiça e serviço”, declarou este domingo o ex-presidente Barack Obama (2009-2017) nas redes sociais.

“Michelle e eu enviamos os nossos pensamentos e orações à família Carter e a todos os que amaram e aprenderam com este homem extraordinário”, escreveu Obama na rede social X.

Por seu lado, o antigo presidente Bill Clinton (1993-2001) e a mulher e ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, destacaram a longa carreira política e humanitária do antigo líder democrata.

“Hillary e eu lamentamos o falecimento do Presidente Jimmy Carter e damos graças pela sua longa e boa vida”, afirmou o antigo presidente num comunicado, divulgado nas redes sociais.

“Guiado pela sua fé, o Presidente Carter viveu para servir os outros até ao fim”, acrescenta o texto.

“Estarei sempre orgulhoso de o ter agraciado com a Medalha da Liberdade, a ele e a Rosalynn [Carter, esposa], em 1999, e de ter trabalhado com ele nos anos que se seguiram à sua saída da Casa Branca”, sublinhou ainda Bill Clinton.

“O presidente Carter dignificou o seu cargo. E os seus esforços para deixar um mundo melhor não terminaram com a sua presidência. O seu trabalho com a Habitat for Humanity e o Centro Carter constituíram um exemplo de serviço que inspirará os americanos nas gerações vindouras”, afirmou o antigo presidente George W. Bush (2001-2009).

O antigo presidente vai ser homenageado em cerimónias públicas em Washington e no seu estado natal, a Geórgia, informou o Carter Center.

“O meu pai foi um herói, não só para mim, mas para todos os que acreditam na paz, nos direitos humanos e no amor altruísta”, afirmou James E. “Chip” Carter III, filho do antigo presidente, num comunicado divulgado pelo Carter Center.

Na Europa, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sublinhou o apoio de Jimmy Carter a Kiev, na luta da Ucrânia “pela liberdade”.

“O seu coração esteve firmemente ao nosso lado na nossa luta pela liberdade (...). Apreciamos o seu compromisso inabalável com a fé cristã e os valores democráticos, bem como o seu apoio inabalável à Ucrânia face à agressão injustificada da Rússia”, escreveu Zelensky na X.

Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse estar “profundamente triste” com a morte do ex-presidente norte-americano, de quem destacou o legado na paz e segurança mundiais.

Numa declaração emitida na tarde de domingo em Nova Iorque, Guterres sublinhou os “marcos” de Carter na diplomacia dos Estados Unidos, como os acordos de Camp David ou os relativos ao Canal do Panamá, mas também o seu desempenho enquanto mediador de conflitos, após a sua presidência, em matérias como o controlo eleitoral em países em transição, a promoção da democracia e a erradicação de doenças.

Estes esforços, reconhecidos com a atribuição a Carter do Prémio Nobel da Paz em 2022, “contribuíram para fazer avançar as Nações Unidas”, sublinhou Guterres, cujo organismo que lidera atravessa um momento de fragilidade particular.

Carter será recordado pela solidariedade para com os mais fracos e “pela sua fé infatigável no bem comum e na nossa humanidade partilhada”, o que permitirá que o seu legado como “campeão dos direitos humanos” continue vivo.

China exprime “profundas condolências”

A China expressou hoje as suas “profundas condolências” na sequência da morte, no domingo, do antigo Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, cujo mandato ficou marcado pelo reconhecimento diplomático da República Popular da China por parte de Washington.

“Jimmy Carter deu uma contribuição significativa para o desenvolvimento das relações sino – norte - americanas e para a promoção de intercâmbios amigáveis e da cooperação entre as duas nações, que muito apreciamos”, recordou Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa.

“Ele foi um dos principais arquitetos e decisores do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e os Estados Unidos”, apontou.

Em janeiro de 1979, durante o curto mandato de Carter, os Estados Unidos reconheceram diplomaticamente a República Popular da China, cortando assim as suas relações oficiais com o regime de Chiang Kai-shek, derrotado pelo exército comunista e exilado em Taiwan desde 1949.

Os Estados Unidos comprometeram-se a manter relações não oficiais e a fornecer armas a Taiwan, a fim de evitar qualquer resolução militar do conflito.

Nesse mesmo ano, o líder chinês Deng Xiaoping, arquiteto das grandes reformas económicas do país, encontrou-se com Jimmy Carter durante uma visita histórica aos Estados Unidos.

O 39.º Presidente norte-americano incentivou posteriormente o intercâmbio comercial e académico entre as duas potências, reforçando a abertura progressiva da China.

Carter não visitou a China durante a sua presidência, mas visitou-a antes e depois do seu mandato.

O antigo líder visitou a China pela primeira vez em 1949, quando era um jovem oficial da marinha. Depois, visitou o país em 1981, pouco depois de deixar o cargo, e novamente em 1991.

Também visitou a China em julho de 1997, tendo passado vários dias numa pequena aldeia da província oriental de Shandong.

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