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Trabalhou em Wall Street durante quase 50 anos. Saiba o que tem para lhe ensinar sobre as suas finanças

CNN , John Towfighi
12 abr, 22:00
Bolsa de Wall Street

Quando Howard Silverblatt começou a trabalhar em Wall Street, o S&P 500 estava nos 99,77 pontos. Na semana antes de se reformar, o índice de referência tinha subido 70 vezes esse valor, para 7 mil pontos

A subida é impressionante, mas talvez não surpreendente, considerando que Howard iniciou a sua carreira a 17 de maio de 1977.

Em janeiro deste ano, pendurou o chapéu, após quase 49 anos na Standard & Poor’s - agora S&P Dow Jones Indices. É uma lenda em Wall Street como analista de mercados, uma fonte de confiança para jornalistas e um génio dos dados com um vasto historial.

Tudo isto o deixou numa posição única para partilhar as lições que aprendeu ao longo de uma carreira que abrangeu períodos de expansão, recessão e uma transformação no mundo dos investimentos. Quanto ao Dow, o índice de blue chips era negociado na casa dos 900 pontos quando Howard iniciou a sua carreira e ultrapassou os 50 mil pontos uma semana após a sua reforma.

Howard Silverblatt, natural de Brooklyn, Nova Iorque, falou com a CNN por telefone a partir da Flórida.

Saiba quanto risco consegue suportar

Saiba o que está a comprar e conheça os riscos.

Existem menos empresas cotadas na bolsa de valores agora do que quando Howard iniciou a sua carreira, nos anos 70. Mas há uma oferta infinita de fundos negociados em bolsa, derivados e outros títulos que os investidores podem comprar e vender num instante. Isso tornou ainda mais crítico para os investidores permanecerem vigilantes sobre onde estão a colocar o seu dinheiro, avisa o antigo analista de mercados.

Os máximos históricos no mercado de ações - que o Dow e o S&P atingiram recentemente - são ótimas oportunidades para rever a sua carteira e garantir que está bem diversificada.

“Ainda estou no caminho certo em relação ao que quero e a todas as minhas alocações? Ou o mercado alterou isso? E quero voltar atrás?”, aconselha Howard Silverblatt que os investidores questionem. “É realmente necessário conhecer a sua tolerância ao risco e a sua liquidez”.

Mantenha uma mente aberta e esforce-se por aprender

Howard Silverblatt diz que sempre teve jeito para números, algo que vem do trabalho do seu pai como contabilista fiscal.

“Lembro-me, literalmente, que o meu primeiro emprego foi em casa, quando tinha sete ou oito anos, a organizar cheques físicos”, recorda.

Depois de se formar na Universidade de Syracuse, Howard ingressou num programa de formação na S&P, no centro de Manhattan, no final da década de 1970.

Howard permaneceu na empresa durante toda a sua carreira. Diz que os desenvolvimentos nas comunicações, informação e tecnologia foram as mudanças mais notáveis ao longo da sua carreira. E isso reflete-se no mercado dos Estados Unidos: há 10 empresas americanas avaliadas em mais de 1 bilião de dólares e oito delas são empresas de tecnologia.

É ótimo quando as ações sobem. Está preparado para quando elas caírem?

O Dow atingir os 50 mil pontos é um marco incrível, afirma Howard. Mas ele salientou um facto matemático fundamental - um aumento de mil pontos, de 49 mil para 50 mil, representa uma variação de 2%. É muito menos significativo do que, digamos, o Dow passar de mil para 2 mil, o que representa um aumento de 100%. É um lembrete para ficar atento às variações percentuais no mercado, em vez de pontos.

Com o tempo, como exemplifica, o Dow atingir os 50 mil pontos, o mercado tende a subir cada vez mais. Quanto à exuberância do mercado, Howard Silverblatt enfatiza a necessidade de os investidores serem cautelosos e bem informados.

Howard diz que a Segunda-feira Negra - a maior queda do mercado de ações num único dia da história, a 19 de outubro de 1987 - ainda se destaca como um dos momentos mais reveladores e memoráveis da sua carreira. O S&P 500 caiu 20,47% num só dia.

Recorda-se disso, como analista e como investidor particular. Não perdeu nada naquela fatídica segunda-feira, brincou, porque já tinha vendido tudo na sexta-feira.

Após a Segunda-feira Negra, dois momentos memoráveis de Wall Street, para Howard Silverblatt, foram a falência do Lehman Brothers e do Bear Sterns, durante a crise financeira de 2008, e o advento e desenvolvimento das corretoras e como estas alteraram o acesso ao mercado bolsista.

“Não se trata tanto de ganhar dinheiro nos bons tempos”, sublinha. “Trata-se de o manter nos maus tempos”.

As poupanças para a reforma dependem mais do mercado, para o bem ou para o mal

Basta olhar para os ativos de reforma, diz Howard Silverblatt. Ele vai reformar-se com uma pensão, ou plano de benefícios diretos, para além do seu 401(k) [um sistema de poupança para a reforma patrocinado por empregadores, típico dos EUA, que permite aos funcionários investir parte do salário antes de impostos]. O aumento dos planos 401(k) e das contas de reforma individuais significa que a maioria dos americanos, atualmente, tem apenas o seu plano de reforma investido, e não uma pensão definida.

Isso é ótimo para reforçar as suas poupanças de reforma, mas traz consigo mais responsabilidade na gestão do risco.

As participações diretas e indiretas em ações, incluindo fundos de investimento ou planos de reforma, representaram um máximo histórico de 45% dos ativos financeiros das famílias, no segundo trimestre de 2025, de acordo com dados da Reserva Federal.

“O risco é um dos principais aspetos que acho que as pessoas por vezes ignoram”, afirma. “Todos queremos subir, mas como é que nos vamos sair quando descermos?”.

Os passatempos não fazem mal

Howard Silverblatt diz que está ansioso por ler mais, incluindo as obras de William Shakespeare. Diz também que está ansioso por jogar mais xadrez, ler mais livros, assistir a palestras no seu clube de economia local e talvez adquirir novos passatempos, como o golfe.

A matemática foi sempre a sua melhor disciplina na escola, recorda. “Fui um nerd desde o início”, brinca. “E pior do que apenas um nerd dos números… Eu era capitão da minha equipa de xadrez, por isso era um nerd duplo”.

“Não jogo golfe, mas talvez comece a jogar”, diz. “Vou definitivamente jogar mais xadrez. Tenho alguns projetos para ajudar alguns amigos no que diz respeito ao mercado… e depois tenho de decidir o que vou fazer, é verdade. Mas definitivamente não serão semanas de 60 horas”.

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