Madrid: cerca de 40 portugueses dizem ter sido impedidos de votar. MAI garante que enviou boletins de voto aos mais de 40 mil inscritos

29 jan, 21:00

Embaixador de Portugal em Madrid, João Mira Gomes, referiu que apenas 14 pessoas fizeram o pedido de inscrição do voto presencial, todos os outros constavam da lista para votar por correio. No entanto, um português residente naquele país contou à CNN Portugal que confirmou com o consulado estar na lista dos votos presenciais, mas quando se apresentou para votar, foi informado de que não o podia fazer porque tinha recebido informações erradas de um call center subcontratado

Cerca de 40 portugueses residentes na área de Madrid, Espanha, quiseram votar este sábado no consulado, mas não o conseguiram fazer porque não estavam inscritos para a modalidade de voto presencial. Alguns eleitores disseram ter-se inscrito para votar pelo correio e afirmam que nunca receberam a carta. Questionado pela CNN Portugal, fonte da Administração Eleitoral da Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna garante que foi enviada toda a documentação eleitoral para os 42.632 inscritos. 

A entidade explica que iniciou, no dia 27 de dezembro de 2021, o envio da documentação eleitoral para a morada de todos os cidadãos portugueses residentes no estrangeiro que optaram por não votar presencialmente. Essa documentação, composta por 42.632 boletins de voto, foi expedida nos dias 2 e 3 de janeiro de 2022 e chegaram a Espanha “nos dois dias seguintes, sendo depois distribuídos localmente pela empresa Correos”.

A mesma fonte explica que “problemas pontuais associados à evolução ou distribuição da correspondência enviada para o estrangeiro, têm sido acompanhados em estreita coordenação entre o Ministério da Administração Interna, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e os CTT”.

Até ao momento, afirmou ainda a entidade, apenas foram recebidos em Portugal 5.691 envelopes contendo o boletim de voto de eleitores residentes em Espanha e que votaram por via postal. Por comparação, em 2019, foram recebidos em Portugal 4.127 envelopes com boletins de voto oriundos de Espanha, de um total de 38.542 cartas enviadas.

A CNN Portugal falou com Francisco Guimarães Neto, um dos portugueses impedidos de votar no consulado de Madrid que explicou que ficou surpreendido por não constar na lista de quem podia votar presencialmente, mesmo depois de ter confirmado o procedimento para votar até ao dia 5 de dezembro, a data limite para as inscrições da modalidade de voto presencial.

Contactei o consulado e foi-me pedido o número de cartão de cidadão e foi-me dito pelo consulado que eu votaria lá presencialmente. Quando eu reportei esta chamada que tinha feito, o que me foi transmitido foi que esse serviço de apoio ao cliente do consulado é feito por um call center que nada sabe sobre o tema", contou Francisco Guimarães Neto.

À agência Lusa, o embaixador de Portugal em Madrid, João Mira Gomes, referiu que apenas 14 pessoas fizeram o pedido de inscrição do voto presencial para as eleições legislativas no consulado  "Os eleitores que não o fizeram não podem votar presencialmente no consulado, uma vez que apenas constam nos cadernos eleitorais para o voto por correspondência", esclareceu.

Por essa razão, os cerca de 40 eleitores que hoje se dirigiram para votar no consulado não o puderam fazer. Dos 14 inscritos para exercer voto presencialmente, cinco já o fizeram, completou o diplomata.

Este sistema [voto por correspondência] é para permitir que as pessoas possam votar forma mais confortável possível e de forma a permitir uma maior participação cívica nas eleições. É o que queremos, é o que se pretende com este sistema”, argumentou.

Questionado sobre a razão pela qual vários eleitores nacionais a residir em Madrid não receberam as cartas para o voto por correspondência, o embaixador português apresentou três cenários possíveis: não receberam as cartas para votar porque se extraviaram; os eleitores mudaram de residência, mas não alteraram a morada fiscal e a carta poderá ter ido para o primeiro endereço; ou as pessoas não foram levantar a carta nos correios.

João Mira Lopes sustentou que o serviço de correio espanhol foi notificado para uma afluência maior neste período por causa do voto para as eleições legislativas em Portugal.

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