França vai entrar em greve quatro dias e mais de 100 voos diários de e para Portugal estão em risco

3 out 2025, 10:33
Avião da Ryanair (Foto: Claude Paris/ AP)
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Maior sindicato francês de controlo de tráfego aéreo (SNCTA) anunciou uma greve de 7 a 10 de outubro que vai afetar voos que sobrevoem França. Ryanair diz que pode cancelar até 600 voos por dia

A Ryanair afirma que a greve dos controladores de tráfego aéreo francês na próxima semana pode afetar até 100 mil passageiros, devido ao encerramento das rotas sobre França.

Entre Portugal e França existem mais de 100 ligações diárias feitas por diversas companhias, e que poderão sofrer atrasos ou mesmo ser canceladas. Para além disso, podem ainda ser afetados voos com outros destinos que sobrevoem o espaço aéreo francês, o que, a acontecer, pode também afetar voos que liguem território português a outras cidades europeias fora de França.

Só a Ryanair poderá cancelar até 600 voos por dia na próxima semana devido às greves do controlo de tráfego aéreo francês (ATC), afirmou a companhia aérea, segundo o The Guardian.  

O maior sindicato francês de controlo de tráfego aéreo, o SNCTA, anunciou uma greve de 7 a 10 de outubro, que vai reduzir o número de voos em todo o espaço aéreo da Europa Ocidental. 

O diretor executivo da Ryanair, Michael O'Leary, reiterou as exigências à União Europeia para proteger os sobrevoos, numa campanha de longa duração que tem realizado com o objetivo de minimizar os transtornos causados pelas greves do ATC. 

As companhias aéreas não sabem exatamente quantos voos vão precisar de cancelar até que a ação seja confirmada e esteja quase em andamento, mas O'Leary disse que espera que a Ryanair seja instruída a cancelar até 600 voos diários, o que vai afetar até 100 mil passageiros. As outras companhias aéreas ainda não estimaram o potencial impacto. 

Cerca de 30 voos da Ryanair foram cancelados na quinta-feira, incluindo alguns que sobrevoavam a França, devido a uma greve de sindicatos menores. A companhia afirmou que mais de 190 dos seus voos, que transportavam 35 mil passageiros da Ryanair, sofreram atrasos de várias horas devido a outra greve francesa há duas semanas, a 18 de setembro. 

Numa declaração publicada online na quarta-feira à noite, O'Leary afirmou: “Não podemos ter uma situação na UE em que temos um mercado único, mas fechamos esse mercado sempre que os franceses entram em greve.” 

“Têm o direito de fazer greve, mas se os voos tiverem de ser cancelados, devem ser os voos com partida e destino em França. Não devem ser os voos que sobrevoam o país. Apelamos novamente a Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia... se não está disposta a defender o mercado único, se não está disposta a proteger os sobrevoos, então deve sair.”

O diretor da Ryanair sugeriu que a Eurocontrol, que supervisiona as operações dos serviços independentes de controlo de tráfego aéreo da Europa, poderia gerir os sobrevoos durante as greves. 

As declarações da Ryanair têm sido mais rigorosas, mas várias companhias aéreas também manifestaram preocupações sobre o papel do controlo de tráfego aéreo nos atrasos dos voos. Embora as greves sejam o maior problema, a escassez de pessoal pós-covid em alguns centros de controlo na Europa e falhas técnicas ocasionais também contribuíram para as perturbações. 

As restrições sobre os locais onde os aviões podem voar, incluindo o encerramento do espaço aéreo ucraniano e russo, contribuíram para a redução das rotas de voo, obrigando o controlo de tráfego aéreo a “regular”, ou atrasar, muitos mais voos. 

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