Tem 77 anos e sobreviveu a um ataque cardíaco. Agora está a tentar dar a volta ao mundo de mota

CNN , Tamara Hardingham-Gill
29 mar, 09:00
Steve Bernett (Foto: Cortesia de Steven Barnett via CNN Newsource)

O americano Steve Barnett começou a sua viagem em Espanha e deverá demorar um ano a completar a volta ao mundo

Steven Barnett, de Los Angeles, recebeu a sua primeira mota aos 15 anos e, desde então, já percorreu quase 80 países. Agora, aos 77 anos, prepara-se para a maior aventura da sua vida: tentar bater o recorde do homem mais velho a dar a volta ao mundo de moto.

Barnett, que se mudou dos Estados Unidos para o Panamá há duas décadas, foi até  Madrid, em Espanha, para embarcar numa viagem por 27 países, incluindo França, Austrália e Peru, cobrindo uma distância estimada de mais de 80 mil quilómetros.

O professor reformado prevê que a viagem demore pelo menos um ano. Antes de começar, estava ansioso por se fazer à estrada e "não fazia ideia do que ia acontecer".

Embora só esteja a planear a viagem há alguns meses, um ataque cardíaco no ano passado - que o levou a precisar de stents - convenceu-o a não adiar. "Nunca se sabe quanto tempo se tem", diz à CNN Travel. "Nunca estaremos tão preparados como gostaríamos, mas isso não é uma desculpa para adiar as coisas."

Um desafio incrível

Barnett anda de moto desde os 15 anos de idade (Foto: Cortesia de Steven Barnett via CNN Newsource)

Barnett diz que teve a ideia para esta viagem  depois de ler um artigo da CNN sobre Bridget McCutchen, que estava a competir para se tornar a mulher mais nova a dar a volta ao mundo sozinha de mota. Contactou-a e encontrou-se com ela no Panamá em dezembro de 2022, cerca de um ano antes de ela concluir com êxito a viagem. “Pensei: Espera um minuto. Se ela consegue fazê-lo como a mulher mais nova, porque é que eu não consigo fazê-lo como o homem mais velho?", recorda, admitindo que a ideia não lhe tinha ocorrido até conhecer esta história.

Depois de descobrir que não havia nenhum recordista na lista, contactou o Guinness World Records. "Acho que 78 ou 79 deve ser o suficiente para estabelecer um recorde", sugeriu. O Guinness World Records confirmou-o e a sua candidatura foi aceite. 

Veterano de viagens de longa distância de mota, Barnett diz que adora "a liberdade de ir a qualquer lado" e "estabelecer ligações com as pessoas e os lugares, algo que não é possível fazer quando se está fechado num carro".

Em outubro, comprou uma mota nova, uma Suzuki DR650, e passou vários meses a modificá-la para a viagem, acrescentando um depósito de combustível maior e uma suspensão mais forte.

Com autorização médica - incluindo um exame ao coração - dizia-se ansioso por começar esta aventura. "Está tudo bem", garante. A partir de Espanha, Barnett atravessará a Europa, passando por França, Itália, Eslovénia, Croácia, Sérvia, Bulgária, Grécia e Turquia.

Desafios físicos

“Desta vez, terei muito mais cuidado com isso… Porque não consigo levantar a bicicleta da mesma forma que fazia quando tinha 50 anos”, diz Barnett, fotografado aqui na Argentina em 2009 (Foto: Cortesia de Steven Barnett via CNN Newsource)

Para cumprir os requisitos do Guinness World Record, Barnett tem de conduzir a mesma mota durante toda a viagem e documentar o seu progresso. Só pode utilizar outro meio de transporte nas zonas "de outro modo intransitáveis por motociclos". 

Está entusiasmado com a possibilidade de visitar locais onde nunca esteve antes, especialmente na Ásia Central, onde a sua rota o levará através do Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão antes de seguir para a China. "É esse o plano", diz, "sabendo que os planos nunca funcionam". Não se sabe se ou como a atual crise no Médio Oriente terá impacto na sua viagem.

Embora Barnett se sinta suficientemente apto para a viagem, reconhece que a sua idade irá condicioná-la um pouco. "Antes, não me incomodava estar numa pista de terra batida no meio do nada", diz. Mas, agora, prefere andar em zonas mais movimentadas. "Vou ter muito mais cuidado com isso desta vez... Porque não consigo levantar a mota da mesma forma que fazia quando tinha 50 anos."

Barnett explica que vai ficar em hotéis, albergues e pensões durante o percurso, mas acampar está fora de questão porque não gosta de dormir no chão. O orçamento não será uma preocupação, nem o tempo de ausência do trabalho - a reforma, afinal, tem algumas vantagens. 

Embora goste de ver as paisagens, diz que são "as pessoas que se encontram pelo caminho" que definem a experiência - como fazer amizade e "andar às voltas" com outro motociclista no Brasil, apesar de não falarem a mesma língua, ou ser convidado a comer com uma família enquanto ia para uma cascata no Laos, no ano passado.

Um viagem na montanha-russa

Barnett, que está a levar o seu companheiro de peluche, Rocky, para a viagem, diz que são as pessoas que encontra pelo caminho que tornam as suas viagens memoráveis (Foto: Cortesia de Steven Barnett via CNN Newsource)

"Há dias em que dizemos: 'É tão fixe estar aqui. Esta é a melhor coisa do mundo". Noutros dias, dizemos: "Caramba, o que é que estou aqui a fazer?"

Leva pouca bagagem, mas trará o seu guaxinim de peluche, Rocky - um "ótimo quebra-gelo", diz - e o seu bandolim. "Espero conhecer outras pessoas com quem tocar e talvez aprender algumas musicas locais", afirma.

Barnett tem partilhado pormenores da sua viagem nas redes sociais e diz-se impressionado com a repercussão. "Encorajei muitas pessoas", conta. "Dizem: 'Uau, estás a fazer isso na tua idade, é muito fixe e inspirador'. E isso faz-me sentir muito bem".

A sua mulher, Karen, com quem está casado há 43 anos, apoiou-o, assim como a jovem motociclista  McCutchen. Apesar de estarem, como o próprio diz, em “polos opostos em termos de idade, género e fase da vida”, mantiveram-se em contacto, e McCutchen partilhou dicas da sua própria jornada.

“Acho que ela pode ser um exemplo para mim, para que outros — jovens e idosos — simplesmente sigam em frente”, diz Steve Barnett.

O ataque cardíaco só veio fortalecer a sua determinação. Dois meses após o susto com a sua saúde, partiu para uma viagem de três meses pelo Vietname, visitando a Baía de Ha Long, Património Mundial da UNESCO, e a Estrada Ho Chi Minh.

“O meu cardiologista achou que eu estava louco”, conta. “Mas eu expliquei-lhe que era para isso que ele me tinha curado.”

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