Zelensky pronto para discutir neutralidade, mas alerta que Rússia quer dividir a Ucrânia como a Coreia

27 mar, 23:44

Zelensky garante ainda estar preparado para discutir o estatuto de desnuclearização, caso existam garantias de segurança por países terceiros

O presidente ucraniano afirmou este domingo que está disposto a negociar o estatuto de neutralidade do país e chegar a um acordo em relação à região do Donbass como parte de um acordo de paz com a Rússia. Numa entrevista coletiva a vários meios de comunicação independentes russos, Volodymyr Zelensky diz estar indisponível para negociar caso em cima da mesa estejam temas como a “desmilitarização” ou a “desnazificação”.

Zelensky garante ainda estar preparado para discutir o estatuto de desnuclearização, caso existam garantias de segurança por países terceiros. O chefe de Estado ucraniano acrescentou ainda que qualquer tipo de acordo só será possível com uma total retirada das tropas russas.

“Mas não pretendo que seja um papel do estilo dos memorandos de Budapeste”, acrescentou, numa alusão aos acordos assinados pela Rússia em 1994 que garantia a integridade e a segurança de três repúblicas soviéticas, incluindo a Ucrânia, em troca do abandono das armas nucleares herdadas da União Soviética.

Apesar do anúncio da retoma das negociações entre Kiev e Moscovo já esta segunda-feira, o presidente ucraniano acredita que a invasão russa ao território ucraniano causou uma divisão histórica com a Rússia, com os exércitos de Putin a “limpar da face da terra” várias cidades que falam russo. Zelensky vai mais longe e garante que o objetivo de Putin é criar algo semelhante à divisão das Coreias.

"Na verdade, é uma tentativa de criar as Coreias do Norte e do Sul na Ucrânia”, afirmou, em resposta aos jornalistas russos.

Negociações de paz na Turquia

Um dos negociadores ucranianos, David Arakhamia, indicou hoje que as duas partes voltam a encontrar-se na segunda-feira, na Turquia, para nova ronda negocial.

Citado pelas agências noticiosas do país, o chefe da equipa de negociadores russos, Vladimir Medinski, também confirmou um novo encontro, mas disse que iria decorrer entre terça-feira e quarta-feira, sem precisar o local.

Na noite de hoje, a presidência turca revelou que as negociações vão decorrer em Istambul.

Declarações censuradas na Rússia

Zelensky proferiu estas declarações numa entrevista por videoconferência, que se prolongou por mais de hora e meia, com jornalistas da cadeia televisiva da oposição Dojd, do ‘site’ independente Meduza, bloqueado na Rússia, e do diário Kommersant.

Na Rússia, o regulador russo das telecomunicações Roskomnadzor intimou em comunicado os media russos a não publicarem esta entrevista e indicou que foi aberto um inquérito contra os participantes na entrevista.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.119 civis, incluindo 139 crianças, e feriu 1.790, entre os quais 200 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 3,8 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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