Planos são para avançar já em março, mesmo que não haja luz ao fundo do túnel sobre um cessar-fogo duradouro
A Ucrânia iniciou planos para realizar eleições presidenciais em simultâneo com um referendo a um eventual acordo de paz com a Rússia, depois de a administração de Donald Trump ter pressionado Kiev a avançar com ambos os escrutínios até 15 de maio, sob pena de perder garantias de segurança norte-americanas.
Segundo o Financial Times, que cita responsáveis ucranianos e ocidentais, a iniciativa surge num contexto de forte pressão da Casa Branca para concluir as negociações de paz na primavera. O plano está alinhado com a intenção de fechar todos os documentos até junho, pondo fim ao maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
De acordo com as mesmas fontes, Volodymyr Zelensky deverá anunciar a proposta a 24 de fevereiro, no quarto aniversário da invasão russa. Nem o gabinete do presidente ucraniano nem a embaixada de Kiev responderam a um pedido de comentário do FT.
“Os ucranianos têm a difícil ideia de que tudo isto tem de ser combinado com a reeleição de Zelensky”, referiu um funcionário ocidental familiarizado com o assunto.
A realização de eleições representaria uma mudança significativa, depois de o Presidente ter defendido que o estado de lei marcial, os milhões de deslocados e a ocupação de cerca de 20% do território inviabilizavam qualquer votação.
O calendário e o eventual ultimato dos EUA dependem de progressos nas negociações com Vladimir Putin. Washington terá condicionado as garantias de segurança a um acordo mais amplo, que poderá incluir concessões no Donbass. Zelensky tem resistido a ceder território, numa altura em que o apoio público, embora ainda expressivo, tem vindo a diminuir.