Vodafone não antecipa "complexidade de decisão" ou "remédios substanciais" na compra da Nowo

Agência Lusa , DCT
24 out, 12:56
Vodafone (Getty Images)

Esta "cláusula em particular não é aplicável ao caso concreto, não é uma alienação da licença", sublinhou

O presidente executivo da Vodafone Portugal, Mário Vaz, afirmou esta segunda-feira que não antecipa "complexidade de decisão" ou "remédios substanciais" na operação da compra da Nowo e adiantou que a aquisição será notificada à Concorrência em novembro.

Mário Vaz falava num encontro com jornalistas, a propósito dos 30 anos da operadora de telecomunicações, na sede da Vodafone Portugal, em Lisboa.

"Não há razões objetivas, não antecipamos nem complexidade de decisão, nem remédios substanciais", afirmou o presidente executivo, quando questionado sobre o tema.

Em 30 de setembro, a Vodafone Portugal anunciou a celebração de um acordo para a compra da Cabonitel, que detém a Nowo, numa operação que deverá estar concluída no primeiro semestre de 2023.

A intenção do negócio, "a ser aprovado, é a aquisição da totalidade dos ativos da empresa, nesses ativos estão as licenças" 5G, disse. Isto porque a Nowo adquiriu espectro no leilão de quinta geração.

Questionado sobre a cláusula de que as licenças não podem mudar de titularidade nos dois seguintes à atribuição, Mário Vaz explicou que "isso é a licença 'per si', mas a entidade que é titular" é que é adquirida, "é uma mudança acionista da empresa".

Esta "cláusula em particular não é aplicável ao caso concreto, não é uma alienação da licença", sublinhou.

O gestor não antecipa complexidade na decisão dos reguladores sobre a operação, quer "em função daquilo que é a dimensão" que está a ser comprada, quer face à "dimensão da Vodafone" ou do "impacto do mercado".

A Nowo "tem uma quota relativamente reduzida no mercado, para nós tem relevância, estamos a falar de mais de 150 mil clientes fixos" e mais de 200 mil clientes móveis, o que nos permite um crescimento", além de que "há sinergias na aquisição da empresa, mas não há uma alteração do ponto de vista competitivo, até porque há um novo entrante", argumentou.

"Cá estaremos para ver que decisões é que os reguladores tomaram nesta matéria", acrescentou, aludindo a eventuais dúvidas sobre a questão do espectro 5G.

A Autoridade da Concorrência (AdC) vai ser notificada durante a primeira quinzena de novembro "sobre o que é que vamos fazer quando tomarmos conta da empresa, na altura veremos", já que o tempo que levar a aprovação do negócio poderá trazer condicionantes, referiu Mário Vaz.

A Vodafone Portugal celebrou um acordo com a Llorca JVCO Limited, acionista da Másmóvil Ibercom, para a compra da Cabonitel, detentora da Nowo Communications.

Questionado sobre o que motivou o vendedor a alienar aquela posição no mercado português, Mário Vaz antecipou que podem ser questões ligadas à evolução do mercado espanhol.

"O mercado em Espanha mais não é que o reflexo daquilo (...) que temos referido para este setor", é que "a dimensão dos operadores é chave, a consolidação é inevitável que isso aconteça", sublinhou.

Este mercado (português), "pela sua dimensão, três operadores, é um número já difícil 'per si' para entregarmos o retorno que os investidores", disse Mário Vaz.

Sobre quantos trabalhadores da Nowo irá absorver - ronda entre os 120 e os 130 - Mário Vaz disse que é uma empresa com um número de colaboradores "relativamente reduzido" e que "ainda é cedo para estar a adiantar" informação sobre isso.

"Não quero estar a falar sobre aquilo que vier a acontecer de uma aprovação que ainda não existe ainda, que está pendente", argumentou.

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