"A Rússia tem quatro novas regiões": Putin formaliza anexação de territórios ucranianos

30 set, 13:44

Está concluído um dos grandes objetivos da Rússia para a sua invasão à Ucrânia: Zaporizhzhia, Kherson, Lugansk e Donetsk são oficialmente reconhecidas como regiões independentes. Num discurso muito aclamado em Moscovo, Vladimir Putin congratulou-se pela "vontade do povo", mostrou-se aberto a negociar com a Ucrânia e fez mais um leque de acusações ao Ocidente "imperialista"

O presidente russo, Vladimir Putin, formalizou esta sexta-feira a anexação de quatro regiões ucranianas. Zaporizhzhia, Kherson, Lugansk e Donetsk são agora reconhecidas pela Rússia como territórios nacionais. 

"A Rússia tem quatro novas regiões", anunciou o presidente russo, arrancando uma ovação de pé da classe política que assistia à cerimónia em Moscovo - e que contou com a presença dos quatro líderes separatistas.

Importa referir que a Rússia declarou a anexação destes territórios depois de realizar aquilo que considerou como referendos em áreas ocupadas da Ucrânia. Tanto o Ocidente como Kiev denunciaram que os votos violaram o direito internacional e foram coercivos e não representativos. Já Putin defende que "o regime de Kiev ameaçou aqueles que participaram nos referendos com repressão": "Kiev devia respeitar a vontade do povo".

"Estas quatro regiões queriam fazer parte da Rússia", afirmou Putin, justificando que os resultados dos referendos "chegaram e são conhecidos": "As pessoas fizeram a sua escolha, e é a escolha definitiva".

Putin acredita que a população do Donbass foi "vítima de ataques terroristas desumanos conduzidos pelo regime de Kiev" e apelou à Ucrânia que cesse imediatamente todas as ações militares e a guerra "que começaram em 2014". Nesse sentido, mostrou-se disponível para "voltar à mesa de negociações". "Estamos abertos a isso e afirmámos isso muitas vezes", acrescentou, advertindo que as autoridades ucranianas devem "respeitar a expressão da vontade do povo".

Apesar de alegar que "as pessoas foram separadas da sua pátria quando a União Soviética se separou", Vladimir Putin defendeu que "a Rússia não pretende trazer de volta a União Soviética". Ainda assim, reiterou: "Vamos defender o nosso território a todo o custo", o que para o presidente russo significa um "aumento da segurança" nas quatro regiões.

Horas antes, o Kremlin já tinha reiterado que quaisquer ataques ao território ucraniano anexado pela Rússia serão considerados atos de agressão contra o próprio país. Quando questionado se, após a assinatura dos documentos de anexação, a Rússia consideraria os ataques das forças ucranianas em territórios anexados como um ato de agressão contra Moscovo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse: "Não será outra coisa".

O ataque ao ocidente "imperialista"

O discurso de Vladimir Putin intensificou-se quando este se dirigiu ao Ocidente, acusando os Estados Unidos e aliados de travar "uma guerra híbrida" contra a Rússia e as administrações separatistas que apoiou no leste da Ucrânia.

Numa longa lista de queixas sobre o que considerou ser o "ocidente imperialista", Putin acusou novamente o de este ter quebrado as suas promessas à Rússia e de não ter nenhum direito moral de falar sobre a democracia. "Os países do Ocidente estão a agir como os estados imperialistas que sempre foram".

Aliás, para Vladimir Putin, "a Rússia não precisa do Ocidente". 

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