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Putin não gostou que Zelensky mencionasse a sua idade na carta aberta e tem uma mensagem para os soldados russos: "Trabalhem, irmãos"

5 jun, 17:08
Vladimir Putin no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo (Dmitri Lovetsky/AP)
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Presidente russo diz que o documento escrito por Zelensky tem elementos "rudes" e afirma não ver nenhuma razão para se encontrar com o líder ucraniano. No entanto, refere que não exclui a possibilidade de uma reunião no futuro após alguns acordos

Vladimir Putin respondeu esta sexta-feira à carta aberta escrita por Volodymyr Zelensky ao presidente russo, na qual o líder ucraniano propôs um encontro cara a cara entre os dois chefes de Estado.

Em declarações no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, o presidente russo diz que olhou para ela “de forma breve”, mas criticou a atenção que Zelensky deu à sua idade.

"Em primeiro lugar, o autor da carta referiu-se à minha idade. É claro que todos devem ter em conta a idade, mas parece-me que, na minha idade, muitas outras figuras políticas desempenham as suas funções, e algumas são mais velhas do que eu. O essencial não é a idade. Isto é importante. Na verdade, é claro que é importante, mas o essencial não é a idade. O essencial é a capacidade e a eficiência", disse Putin, de 73 anos, citado pela agência estatal russa RIA Novosti.

Putin disse também que a carta contém outros elementos “rudes”, sem especificar quais, e diz que “não vê razão” para haver um encontro entre ele e o presidente ucraniano. Ainda assim, o presidente russo afirma que nunca recusou uma reunião presencial com Zelensky e diz mesmo que será possível marcar um encontro após alguns acordos.

"Precisamos de acordos não para seis meses, nem para três meses, mas numa perspetiva histórica de longo prazo. Deixemos que os especialistas trabalhem, elaborem algumas soluções e, depois disso, poderemos reunir-nos”, afirmou.

Sobre as operações no terreno, Vladimir Putin voltou a acusar a Ucrânia de cometer “crimes terríveis”, dando o exemplo do alegado ataque a uma escola em Starobilsk, na região de Luhansk ocupada por Moscovo, que matou 21 pessoas a 22 de maio, e que foi a justificação do Kremlin para a realização de grandes ataques. Putin disse também que a Rússia precisa e vai reforçar as suas defesas aéreas perante os constantes ataques com drones ucranianos a infraestruturas críticas.

Em São Petersburgo, o líder do Kremlin deixou ainda uma nova mensagem para os soldados russos que estão a participar na invasão da Ucrânia. “Dirijo-me aos nossos combatentes na linha de contacto para lhes dizer o seguinte. Camaradas soldados e marinheiros, camaradas suboficiais e aspirantes, camaradas oficiais, almirantes e generais, todo o país está de olhos postos em vós, todo o país orgulha-se de vós e deposita as suas esperanças em vós. Trabalhem, irmãos”.

Não poderiam faltar algumas palavras sobre Donald Trump. Putin disse que se o atual presidente americano estivesse no cargo em 2022 não teria havido invasão e, mais uma vez, concordou com as teorias de que a eleição presidencial dos EUA em 2020 foi “roubada” a favor de Joe Biden.

Apesar dos elogios a Trump, Putin diz que a paz entre Rússia e Ucrânia deve ser negociada apenas entre Moscovo e Kiev, com os EUA e “outros parceiros” a prestar um papel secundário de “criação de condições e de garantes” da segurança.

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