«Diziam que eu era o novo Eusébio. Apareciam amigos de todos os lados»

10 dez 2021, 18:16
Estoril - Vitória de Guimarães I Liga (Lusa)
Estoril - Vitória de Guimarães I Liga (Lusa)

Pepa resumiu a sua carreira na plataforma «The Coaches Voice», desde a estreia de «sonho» pelo Benfica, ainda como jogador, até a atualidade como treinador

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Pepa resumiu a sua carreira de jogador e treinador, numa conversa com a plataforma The Coaches Voice, em que interliga as duas profissões, desde a estreia de «sonho» pelo Benfica, em que chegou a ser apontado como o «novo Eusébio», até à desilusão imposta por muitas lesões e nova ascensão, agora como treinador, até chegar ao Vitória, o seu atual clube.

Uma conversa que começa em 1999. «Eu tinha 18 anos e surgia como uma das promessas do Benfica. Entrei nos últimos minutos do jogo contra o Rio Ave, no Estádio da Luz. Fiz um golo e saí de campo ovacionado por milhares de torcedores. No dia seguinte, eu estava nas capas de todos os jornais. Diziam que eu era o novo Eusébio. Apareciam amigos de todos os lados. Toda a gente queria estar comigo», começa por contar o antigo avançado.

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Uma carreira de jogador que acabou por ser curta, com uma série de lesões a minarem uma carreira que muitos apontavam como promissora. «Dos que chegam ao topo, muitos não conseguem permanecer. É difícil não cair em tentações. Foi o meu caso. O talento fez-me subir, mas faltou-me juízo para evitar a queda. Parei de jogar por incapacidade física. Antes das incontáveis lesões, veio a minha conduta errática. Quando me aposentei, aos 26 anos, já tinha filhas para sustentar. Então, o meu luto precisou de ser rápido. Não tinha o direito de entrar em depressão. A depressão não pagaria as contas da casa», prossegue.

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Penduradas as botas, Pepa sentiu-se impelido a continuar perto da relva. «Eu não sabia fazer mais nada além do futebol. Portanto, arregacei as mangas e comecei a fazer cursos para seguir ligado ao desporto. Foi assim que começou o meu percurso como treinador», conta.

Uma opção que também já vinha de trás, dos tempos da adolescência, em que Pepa já simulava conferências de imprensa. «Encantei-me pelo jogo de computador, Championship Manager. Até aí, sem novidades. Muitos jovens encantaram-se pelo jogo. Mas eu simulava uma conferência de imprensa antes e depois de cada partida. Imaginava uma pergunta e a respondia em voz alta», revela. 

Depois de uma primeira experiência no Sacavenense, Pepa acabou por regressar ao Benfica onde trabalhou na formação e, depois foi sempre a subir, de escalão em escalão, época a época. «O que veio a seguir foi, de facto, incomum. Precisei de um ano em cada divisão até chegar ao topo. Contrariei as estatísticas e, após quatro anos, lá estava eu, na Primeira Liga de Portugal», destaca.

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Feirense, Moreirense, Tondela, Paços de Ferreira e, finalmente, no início da presente época, chegou o Vitória. «Apesar do sucesso no Paços, decidi aceitar a proposta do Vitória de Guimarães. Era um namoro antigo. Eu sempre me identifiquei com o clube. Aqui, a exigência é tremenda. A cidade não respira apenas futebol. Respira o Vitória. A pressão é enorme, mas não estou à procura de conforto. Eu quero encarar grandes desafios. E estou onde queria estar», comenta.

Quanto ao futuro. «Não escondo que tenho ambições. Uma delas é participar da Liga dos Campeões. Só de pensar em ouvir aquele hino já fico arrepiado. São desejos que passam pela cabeça, mas que não me tiram os pés do chão. Hoje já não fico deslumbrado com nada. Não esperem que me torne num pavão nos bons momentos, nem que me encolha nas adversidades. Não tenho tempo para isso. O que vivi deixou cicatrizes, mas trouxe também uma estabilidade mental muito bem-vinda», destaca ainda o atual treinador do Vitória. 

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