Acabam de ser descobertos factos importantes sobre a vitamina B6 : leia, leia - em nome da sua saúde mental

28 ago, 09:00
Laranjas (Eddy Buttarelli via Getty Images)

Mas quer isto dizer que agora devemos ir a correr comprar suplementos da B6?

Há quem a designe "vitamina esquecida" mas a vitamina B6 parece ser bem mais essencial do que aquilo que imaginamos. Pelo menos é isso mesmo que sugere um estudo publicado em julho na revista científica Human Psychopharmacology, cujos resultados demonstram que a vitamina B6 reduz a ansiedade e os sintomas de depressão.

Não é novidade que as vitaminas do complexo B são essenciais para o funcionamento do sistema nervoso e do sistema imunológico. Sabemos também que a vitamina B12 ajuda a prevenir a anemia e a fortalecer os ossos, enquanto a B9 (ácido fólico) é recomendada na gravidez, sendo necessária para o crescimento e desenvolvimento do feto.

Todavia, a vitamina B6 é considerada a "vitamina esquecida" entre as vitaminas do complexo B, como a descreveu em declarações ao New York Times Reem Malouf, neurologista que se dedica ao estudo na Universidade de Oxford sobre os efeitos da B6 ao nível cognitivo.

Um estudo desenvolvido na Universidade de Reading, no Reino Unido, procurou resolver esta lacuna através de um ensaio experimental que contou com a participação de 478 adultos, com idades compreendidas entre os 18 e os 58 anos. Os participantes foram agrupados de forma aleatória e, durante cerca de um mês, um grupo recebeu comprimidos placebo, outro grupo recebeu comprimidos de 100 miligramas de vitamina B6, enquanto o terceiro recebeu comprimidos de 100 miligramas de vitamina B12.

Os participantes que receberam o suplemento da vitamina B6 admitiram sentir menos ansiedade e os resultados sugerem que esta vitamina "induziu uma tendência de redução dos sintomas de depressão", enquanto a vitamina B12 "produziu tendências para mudanças na ansiedade e no processamento visual". 

"Os nossos resultado sugerem que a suplementação da vitamina B6 em doses elevadas [100mg] aumenta as influências neurais inibitórias GABAérgicas, o que é consistente com o seu papel conhecido na síntese de GABA", ou seja, na forma como os medicamentos atuam no nosso organismo, pode ler-se no estudo.

É preciso ter em conta que a amostra deste estudo é de pequena dimensão, não sendo, por isso, representativa. As conclusões dos restantes estudos científicos sobre os efeitos da vitamina B6 na saúde mental também são muito limitadas e nem sempre é possível identificar uma causa-efeito. Isto porque é muito difícil medir a forma como as vitaminas são absorvidas pela corrente sanguínea.

E agora devemos ir a correr comprar suplementos da B6?

Em declarações à CNN Portugal, o presidente da Associação Portuguesa de Alimentação Racional e Suplementos Alimentares, Pedro Lôbo do Vale, concorda que "as vitaminas são um bocado esquecidas" no mundo da medicina, admitindo que hoje em dia os médicos as "receitam pouco".

Em teoria, os nutrientes e vitaminas naturais dos alimentos "deveriam ser suficientes", mas "é claro que não são", argumenta o médico especialista em Medicina Geral e Familiar. Exemplo disso mesmo é a necessidade de suplementação de ácido fólico nas durante a gravidez, por muito correta que seja a alimentação das grávidas. 

Com o avançar da idade, a necessidade de suplementação também vai sendo cada vez maior, acrescenta o médico: "As pessoas com mais idade, alimentam-se pior - muitos alimentam-se apenas de uma caneta de leite e um pãozinho, etc. -, absorvem menos nutrientes e a necessidade de suplementação é maior".

Nos jovens, a recomendação do médico já não é tão generalizada - os que praticam desporto ou que ficam "muito nervosos e stressados" com os exames da escola ou outras situações devem recorrer a suplementação, mesmo que tenham uma "alimentação variadíssima".

Em relação ao estudo da Universidade de Reading, Pedro Lôbo do Vale pede cautela, ressalvando que a ansiedade e os sintomas de depressão ou problemas de memória "não desaparecem com a vitamina B6", sendo necessárias outras terapias nesse sentido, como a psicoterapia, por exemplo.

Katherine Tucker, epidemiologista nutricional na Universidade de Massachusetts Lowell, considera, por outro lado, que a maioria dos adultos saudáveis consegue obter vitamina B6 mais do que suficiente através da alimentação, uma vez que "está amplamente disponível nos alimentos integrais". O atum, salmão, grão de bico, aves, bananas, laranjas, melão e nozes são alguns exemplos desses alimentos, aponta.

Uma das autoras do estudo da Universidade de Reading, a estudante de doutoramento em psicologia nutricional Jessica Eastwood, também partilha da opinião de Katherine Tucker: "Eu defendo sempre uma abordagem da alimentação em primeiro lugar. Se estiver a sentir mais fadiga, se não se sente você próprio ou se considerar que não ingere muitos alimentos que contenham B6", então talvez esteja na hora de procurar ingerir mais alimentos ricos em B6", argumenta, citada pelo New York Times.

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