Xi acenou com uma metáfora militar para dizer que é melhor que China e EUA sejam amigos. Trump está deliciado com as crianças

14 mai, 04:30
Encontro entre Xi Jinping e Donald Trump (AP)
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Primeiras declarações dos dois líderes foram, como se esperava, de amizade mútua. Segue-se agora a parte mais difícil

A jogar em casa e depois de um desfile militar em que pôde mostrar algumas das muitas capacidades das Forças Armadas que lidera, o presidente da China não teve medo de colocar as cartas em cima da mesa, atirando uma teoria das relações internacionais para a discussão.

Falamos da Armadilha de Tucídides, que refere a inclinação para a existência de uma guerra quando uma potência emergente ameaça substituir uma potência instalada. Xi Jinping não o disse, mas está claro que nesta metáfora, que provavelmente se refere mais a uma guerra militar do que a uma guerra convencional, a China é para os Estados Unidos aquilo que Atenas foi para Esparta.

Esta invocação de tempos que remontam a vários anos antes de Cristo não deixa de poder ser vista como uma ameaça, ainda que a retórica de Xi Jinping tenha sido amigável, talvez até de forma surpreendente.

O presidente chinês entende que o mundo está agora numa era de “turbulência e transformação interligadas” que vão provocando “profundas mudanças”. Para Xi Jinping, os dois países têm de conseguir “transcender” a tal armadilha para “inaugurar um novo paradigma de relações entre grandes potências”.

O objetivo, garantiu o líder da China, é “unir forças para enfrentar os desafios globais e injetar mais estabilidade no mundo”, mas também “responder ao bem-estar dos nossos dois povos e ao futuro e destino da humanidade”, para que assim se possa “criar um futuro risonho para as relações bilaterais”.

“São questões de história, questões do mundo e questões dos povos”, disse. “São também as respostas da nossa era que eu e você, como líderes de grandes potências, precisamos de escrever juntos.”

“Sempre acreditei que os interesses comuns entre a China e os Estados Unidos superam as nossas diferenças. O sucesso de cada lado é uma oportunidade para o outro. Uma relação estável entre a China e os EUA é benéfica para o mundo”, reiterou, defendendo que todos beneficiam da cooperação e todos sofrem da luta.

O pensamento de Xi Jinping está, portanto, numa parceria que permita “alcançar o sucesso” para todos os envolvidos.

Trump deliciado

Depois de passar por uma cidade quase deserta que teve de se remodelar totalmente para o evento, Donald Trump ficou visivelmente deliciado com a receção na Praça Tiananmen.

Foi lá que foi recebido com uma passadeira vermelha, uma salva de canhões, crianças a abanar bandeiras e flores - cada gesto foi cuidadosamente planeado pela China para dar as boas-vindas ao presidente dos Estados Unidos.

Cumprimentos feitos, ambos os líderes reuniram-se com membros das delegações americana e chinesa. De seguida, os dois homens caminharam por uma passadeira vermelha até uma tribuna coberta com detalhes em vermelho e dourado, onde uma banda militar tocou os hinos nacionais de ambos os países e canhões dispararam na Praça Tiananmen. Donald Trump e Xi Jinping inspecionaram as tropas e depois passaram por centenas de crianças que saltavam, parando para as observar.

"Maravilhoso", comentou o presidente norte-americano, que ficou claramente sensibilizado pela coreografia especialmente preparada.

Os dois presidentes tocaram várias vezes nos braços um do outro, sinalizando uma relação cordial entre os dois antes das negociações de alto risco.

Foi já depois disso, e sentado numa mesa em que, como a CNN fez notar, estavam apenas homens, Donald Trump lembrou a presença de empresários como o CEO da Tesla, Elon Musk, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o CEO da Apple, Tim Cook, que foram até Pequim para “prestar homenagem” e desenvolver os negócios com o país.

“Temos pessoas incríveis, e todas estão comigo”, disse Trump no seu discurso de abertura.

“Convidámos os 30 melhores do mundo. Todos eles aceitaram, e eu não queria o segundo ou o terceiro lugar. Queria apenas os melhores. E eles estão aqui hoje para prestar homenagem a si e à China, e estão ansiosos por negociar e fazer negócios, e isso será totalmente recíproco da nossa parte”, acrescentou.

Expressando otimismo no início da cimeira, Donald Trump quis garantir a Xi Jinping: “É uma honra estar consigo. É uma honra ser seu amigo, e a relação entre a China e os EUA será melhor do que nunca”.

Donald Trump disse ainda que algumas pessoas “não gostam” quando chama Xi Jinping de “grande líder”, mas que isso nunca o impedirá de o dizer.

“Eu digo isto a toda a gente. Você é um grande líder. Às vezes, as pessoas não gostam que eu diga isto, mas eu digo-o na mesma, porque é verdade”, reiterou Donald Trump, que não se cansou de elogiar as “lindas e felizes” crianças que ajudaram na sua receção.

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