"Bem-vindo à IKEA. Se é vítima de violência doméstica, prima 8". Linha de apoio em Portugal reencaminhou mais de mil pedidos de ajuda este ano

25 nov, 13:07
IKEA

Aquando do lançamento da linha, a empresa sueca sublinhou que "a luta contra a violência doméstica" era um tema que apoiava "ativamente"

A IKEA Portugal recebeu até novembro "mais de 1.000" pedidos de ajuda de vítimas de violência doméstica, informa a empresa sueca esta terça-feira, data em que se assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. No primeiro ano da iniciativa, a IKEA tinha recebido cerca de 160 pedidos de ajuda.

"Só este ano, já recebemos mais de 1.000 chamadas que foram reencaminhadas para a Linha de Informação às Vítimas de Violência Doméstica. Por isso, neste Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres reforçamos o compromisso de proteger quem mais precisa: se é vítima de violência doméstica, ou conhece alguém que é, ligue para o nosso Apoio ao Cliente e selecione a opção 8, com a segurança de que essa chamada ficará registada como sendo para a IKEA", indica.

Dois anos e meio depois de ter lançado a campanha “Recomeços”, lançada no âmbito do Dia Internacional da Mulher e em parceria com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, a IKEA volta a lembrar neste dia que há mais uma forma de pedir ajuda quando se é vítima de violência doméstica.

Aquando do lançamento da linha, Cláudia Domingues, diretora de comunicação da IKEA Portugal, disse que "a luta contra a violência doméstica" é um tema que a empresa tem "apoiado ativamente ao longo dos anos" e que, para além da opção na linha de apoio, a marca ia lançar ainda um fundo de apoio à autonomização, no valor de 12.000 euros, destinado às mulheres que estão temporariamente acolhidas em Casas de Abrigo da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica. 

"Acreditamos que uma vida melhor começa em casa e que esta tem de ser, antes de mais, um lugar seguro. Este ano, decidimos manter o foco no recomeço: estas mulheres, muitas vezes com os filhos, têm o direito a recomeçar as suas vidas, de forma segura e confortável. Conseguir apoiar pessoas nestas situações complexas, numa nova casa, que simboliza esperança, segurança e recomeço, deixa-nos muito orgulhosos", acrescentou a responsável.

Com a disponibilização desta ferramenta, as vítimas ou testemunhas de violência podem pedir ajuda através da Linha de Apoio ao Cliente da IKEA  +351 21 989 99 45. As outras alternativas são através de SMS 3060 ou para o 800 202 148.

"Papel ativo no combate a este flagelo"

Em julho de 2024, fonte da empresa explicou à CNN Portugal que quando se contacta a linha de apoio da IKEA para pedir ajuda, "a chamada fica registada como sendo para a IKEA", garantindo que "os acessos são anónimos e confidenciais, pelo que a IKEA não tem qualquer registo das pessoas que pedem o reencaminhamento da chamada".

Na mesma reportagem, a IKEA reforçava que "infelizmente, os dados continuam a mostrar-nos que ainda não é possível que todas as pessoas se sintam seguras e confortáveis em casa" e que a empresa "quer ter um papel ativo no combate a este flagelo".

"É essencial permitir a estas pessoas que reconstruam a sua vida, e a casa é uma parte essencial deste processo, pelo que a IKEA e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género mantêm a sua parceria, não só na disponibilização desta linha, mas também no Apoio à autonomização de pessoas que estão em Casas Abrigo, mas que se encontram em condições de segurança para recomeçar as suas vidas, numa nova casa", sublinhou a mesma fonte.

Também em julho de 2024, Marta Silva, coordenadora do Núcleo de Prevenção da Violência Doméstica e Violência de Género da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), explicou à CNN Portugal que "a parceria da CIG com a IKEA é muito mais ampla do que a linha".

"O IKEA é uma das entidades aderentes ao Pacto contra a Violência, que no fundo é um convite a todas as empresas a trazerem os seus serviços e os seus produtos para a luta nacional contra a violência doméstica. A IKEA tem connosco várias dimensões de apoio: essa linha telefónica, um apoio ao arrendamento por parte das mulheres que estão acolhidas em casas abrigo, uma linha de apoio financeiro, pecuniário, ao pagamento de rendas e cauções".

A linha telefónica, explicou, "foi criada no âmbito da linha de apoio ao cliente deles, em que uma das opções desde março de 2023 passou a ser a possibilidade da pessoa - quando se perceciona como vítima de violência doméstica - clicar na tecla 8, e a partir daí a IKEA desliga e essa chamada é reencaminhada para o Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica, onde há uma equipa de especialistas. Obviamente, a IKEA não tem competências para esta matéria". 

De acordo com os dados divulgados pela CIG, nos primeiros trimestres do ano houve 23.272 queixas de violência doméstica reportadas à PSP e à GNR e 4299 pessoas – entre 2.298 mulheres, 1.962 crianças e 69 homens – deram entrada numa casa de abrigo ou num acolhimento de emergência.

No três trimestres foram ainda registados 19 homicídios em contexto de violência doméstica: 16 mulheres, uma criança e dois homens.

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