Polícia Judiciária deteve os bombeiros após queixa da vítima, de apenas 19 anos
A Polícia Judiciária deteve esta terça-feira, fora de flagrante delito, 11 bombeiros voluntários da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Fundão, no distrito de Castelo Branco, pela forte suspeita de terem praticado, em duas ocasiões distintas, dentro dos quartéis do Fundão e de Soalheira, dois crimes de violação e um de coação sexual.
A vítima é um jovem bombeiro, de apenas 19 anos, que denunciou os crimes às autoridades com a ajuda do comandante do quartel.
"Foi sujeito a atos sexuais violentos, numa duvidosa praxe, pois seriam os seus dois primeiros serviço. A investigação teve o seu início numa queixa efetuada pela própria vítima, suportada e apoiada pelo Comando da referida corporação que, em todo o momento, colaborou com esta Polícia", detalha a PJ em comunicado.
O inquérito é titulado pelo Ministério Público de Castelo Branco.
Os detidos serão presentes à autoridade judiciária competente para aplicação de adequadas medidas de coação.
Inquérito interno aberto
O comandante dos Bombeiros Voluntários do Fundão, José Sousa, disse que os bombeiros detidos vão ser alvo de um processo de inquérito interno.
“Internamente, aquilo que se está a fazer, neste momento, é um processo de inquérito. Vamos averiguar se há motivo para uma ação disciplinar. Externamente, as autoridades competentes estão a ouvir os intervenientes”, explicou José Sousa à agência Lusa.
À Lusa, o comandante dos bombeiros do Fundão adiantou ainda que o resultado da investigação policial irá cruzar-se com o processo de diligências internas instaurado aos elementos da corporação.
Questionado sobre se os suspeitos se vão manter no ativo, José Sousa vincou que, “neste momento, não há motivo para os suspender”. “O nosso processo [interno] irá beber muito das conclusões da investigação policial.”
Este responsável sublinhou ainda que o comando e a direção da Associação Humanitária de Bombeiros do Fundão estão empenhados em colaborar e em resolver esta situação.