Caso aconteceu na Madeira, foi filmado - o filho de 9 anos, presente durante as agressões, implorou ao pai para parar de agredir a mãe. O agressor foi detido terça-feira depois de o caso ter sido tornado público pela comunicação social. Mas o caso era conhecido entre pessoas da comunidade (aviso: este artigo contém imagens sensíveis)
Um homem de 35 anos bateu à porta de uma casa e irrompeu aos socos, pontapés e insultos contra uma mulher, com quem está casado há 18 anos. O filho de nove anos assistiu a tudo e gritava, implorando ao pai para que parasse.
O caso está a chocar o país, mas em Machico, onde tudo aconteceu, já se sabia que era este o cenário entre paredes. “Não é a primeira vez que ela aparece marcada”, conta à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) uma pessoa próxima do casal. A vítima, de 34 anos, tentava “esconder a situação” justificando as marcas ora porque “caiu das escadas”, ora porque lhe atiraram “uma bola à cara”.
Desta vez, ficou de tal forma desfigurada que precisou de duas intervenções cirúrgicas.
Os amigos contam à TVI que o homem nunca escondeu as agressões. Pelo contrário, gabava-se e ria-se do que fazia, afirmando que aquilo é que é uma "atitude de homem".
Agora, diz que está “profundamente arrependido”. Citado pelo Diário de Notícias da Madeira, o agressor justifica as agressões com problemas conjugais. “Vi umas mensagens e fiquei cego, foi isso que aconteceu e peço desculpa.”
A mulher estava com o filho em casa de familiares depois de o casal se ter separado - o que, segundo amigos, não era a primeira vez que acontecia. As agressões foram filmadas por uma câmara de videovigilância.
“Nós notámos logo na voz dela e do filho que não tinha sido a primeira vez. Já estavam aos gritos ‘não’, ‘não’, ‘não’. Qualquer pessoa consegue perceber que aquela não foi a primeira vez que ele lhe bateu”, afirma à TVI uma pessoa próxima do casal
“Eu acho que não aconteceu pior porque o menino estava presente. Se o menino não estivesse presente, não sei o que poderia ter acontecido”, afirma uma outra testemunha da vítima.
Ao contrário dos relatos iniciais, que davam conta de que a PSP foi chamada ao local naquela madrugada, sabe-se agora que foi a própria vítima quem "pegou no cartão de memória das imagens de videovigilância e levou à polícia".
A PSP emitiu um mandado de detenção durante a tarde de terça-feira, acabando por deter o agressor na casa de familiares, onde se tinha refugiado por medo de represálias.
O homem foi assim detido mais de dois dias após as agressões. O superintendente-chefe da PSP Carlos Bastos Leitão explica que este hiato está relacionado com o facto de a queixa ter sido apresentada à polícia já depois de a mulher ter recebido alta do hospital, após a primeira intervenção cirúrgica. A partir daí, a PSP encaminhou a queixa para o Ministério Público, que está a investigar o caso.
O homem permanece nos calabouços da PSP, onde aguarda apresentação para interrogatório judicial, que deverá acontecer entre esta quarta ou quinta-feira.
A vítima está a recuperar em casa de familiares. Também a criança está à guarda da família próxima.