Comando dos Bombeiros Municipais de Machico, corporação à qual pertence o homem filmado a bater na mulher (que ficou desfigurada) diante do filho menor, apresenta “profunda consternação” perante o crime (aviso: este artigo contém imagens que podem chocar os leitores)
Amigos do homem de 35 anos filmado a agredir a mulher, de 34, na presença do filho, de nove anos, partilham agora em grupos privados de Whatsapp que a situação era "pública e recorrente". O caso ocorreu na Madeira.
Ao que a CNN Portugal conseguiu apurar, o bombeiro partilhava as histórias e ria-se, orgulhoso de si mesmo, daquilo que dizia ser “uma atitude de homem”. Mantinha ainda há vários anos uma relação extraconjugal com outra mulher, também ela vítima de maus-tratos físicos e psicológicos.
Do lado da vítima, as amigas garantem que o agressor, por ter um trabalho com salário superior, ameaçava a mulher com a retirada da criança de 9 anos, mas tal nunca foi denunciado por ninguém à PSP.
A Madeira acordou em sobressalto com a ampla partilha nas redes sociais das imagens da agressão, que decorria enquanto o filho gritava por ajuda, implorando ao pai que parasse e pedindo à mãe que fugisse, protegendo-a inclusive de golpes que podiam ter sido fatais.
A mulher ficou desfigurada, foi hospitalizada, fez uma primeira cirurgia, teve alta e está agora a recuperar em casa de familiares, à espera de poder realizar uma segunda intervenção cirúrgica. Também a criança está à guarda da família próxima.
Ainda nas redes sociais, o Comando dos Bombeiros Municipais de Machico apresentou “profunda consternação” perante o crime, cujo autor é um dos elementos daquela corporação. Diz ainda ser um “ato reprovável” que quer ver tratado pelas entidades responsáveis, apelando a que seja feita justiça.
A Madeira soma cada vez mais casos de violência doméstica. Só este ano, a Segurança Social da Madeira já recebeu 135 denúncias, 126 casos de mulheres e nove de homens.
O caso em questão foi investigado pela PSP e entregue ao Ministério Público.
Até ao fecho desta reportagem, o agressor continuava em liberdade a aguardar as medidas cautelares.