Militar enviou a superior do Exército vídeo em que estava a violar uma mulher. Esse superior nada fez e agora é GNR

16 abr 2025, 13:27
Militares

REVISTA DE IMPRENSA || Nenhum dos seis militares que receberam as imagens denunciou o autor do crime

Um superior hierárquico de Jorge L., militar condenado por violação de uma mulher (fê-lo durante hora e meia), admitiu em tribunal ter recebido um dos vídeos do crime e nada ter feito, avança o Jornal de Notícias.

O primeiro-cabo do Exército foi condenado a sete anos de prisão por ter violado uma jovem durante hora e meia, filmado os abusos e partilhado os vídeos num grupo de WhatsApp com colegas da tropa e um amigo de infância.

No julgamento no Tribunal da Guarda, uma testemunha, atualmente militar da GNR, confirmou ter sido superior de Jorge L. e ter recebido diretamente um dos vídeos, que diz ter eliminado. Apesar disso, nunca denunciou o crime nem agiu na sua qualidade de responsável.

O Exército Português confirmou na terça-feira à CNN Portugal que não abriu qualquer processo disciplinar aos seis militares que receberam um vídeo enviado por Jorge L. Nenhum dos seis militares que receberam as imagens denunciou o autor do crime, entretanto condenado na Justiça civil.

Quanto ao autor do crime, mantém-se contratualmente ligado ao Exército. "O militar em questão possui à data um vínculo contratual com o Exército sob a forma de Regime de Contrato", afirma ainda a Divisão de Comunicação do Exército em declarações à CNN Portugal.

A defesa do militar alegou, em recurso para o Tribunal da Relação de Coimbra, que não houve violência explícita e que o rosto da vítima estava tapado, mas as juízas desembargadoras rejeitaram o argumento, destacando o esforço físico da vítima, a ausência de qualquer consentimento e o tom autoritário do agressor.

A Relação confirmou a condenação por violação e devassa da vida privada.

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