Vinho açoriano servido aos czares da Rússia regressa ao mercado a 490 euros a garrafa

Agência Lusa , DCT
15 dez 2021, 16:32
Vinho açoriano servido aos czares da Rússia regressa ao mercado a 490 euros a garrafa
Vinho açoriano servido aos czares da Rússia regressa ao mercado a 490 euros a garrafa

O Single Harvest Reserve 2013, explica Fortunato Garcia, traz uma nova imagem do Czar baseada num vidro fino, com estampagem em ouro, sendo que a rolha da garrafa, apesar de ser cortiça, possui uma percentagem em vidro e basalto

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O vinho da ilha do Pico Czar, servido aos czares da Rússia, foi alvo de um novo lançamento, de apenas 863 garrafas, a 490 euros a unidade, havendo já uma lista de espera mundial.

Fortunato Garcia, da Adega Czar, que produz o vinho a partir de castas antigas, na zona da Criação Velha, na ilha do Pico, nos Açores, refere que o Single Harvest Reserve 2013 é destinado ao mercado 'premium'.

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No seu segundo lote de 2013 - o primeiro foi para apreciação de jornalistas e críticos - contém parte do primeiro lote, adicionado de uma barrica que ficou mais dois anos a envelhecer, o que lhe “deu mais riqueza e complexidade”.

A cereja em cima do bolo foi adicionar um garrafão do último Czar do século XX (1999)", declarou à agência Lusa Fortunato Garcia, que explicou que no universo de 630 litros foram adicionados cinco litros de 1999.

O Single Harvest Reserve 2013, explica Fortunato Garcia, traz uma nova imagem do Czar baseada num vidro fino, com estampagem em ouro, sendo que a rolha da garrafa, apesar de ser cortiça, possui uma percentagem em vidro e basalto para “simbolizar o local onde as vinhas do Pico nascem e crescem”.

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O produtor diz que, além de haver uma lista de espera mundial, tem resistido à tentação de vender várias garrafas a um único consumidor, dado o baixo número de exemplares e visando assim “atingir os quatro cantos do mundo” através da diversificação das vendas.

Diz haver compradores de vários países do leste e norte da Europa (Ucrânia, Rússia e Bielórrusia), a par de Angola, Estados Unidos da América, Canadá, Brasil, para além do continente e Açores.

O segredo está nas vinhas com uma média de 60 a 80 anos

O que faz do Czar um vinho especial é, de acordo com o seu produtor, o facto de “resultar de vinhas velhas que foram plantadas em 1872, plantas com quase 150 anos".

"Não são todas, porque são replantadas, mas a média das vinhas é de 60 a 80 anos”, refere, sendo a sua produtividade “extremamente reduzida, o que gera diferença em termos de concentração de nutrientes”.

O produtor refere que “faz-se sempre uma colheita bastante tardia, sendo que a maior parte das uvas são passas autênticas”, apontando que “nada é adicionado” ao produto final, havendo um equilíbrio natural de acidez, açucar e álcool.

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Durante cinco anos da atual década que o vinho Czar não surgiu no mercado, sendo que nos anos em que o produto é lançado não são excedidas as mil garrafas.

Fortunato Garcia refere que isto "nunca foi visto como um negócio, mas sempre na expetativa de um dia lá chegar, atingindo os mercados 'premium' de vinho, em que existem muito poucos vinhos no mundo”.

O vinho, depois de 2013, surgirá também em 2014, mas “não irá haver Czar em 2016, 2017, 2018, e 2019 ainda está em 'stand by'”, ressalvando que “também não houve Czar em 2010 e 2012”.

Vinho com história

O Czar, considerado o primeiro vinho conhecido no mundo por atingir naturalmente, sem adição de álcool, açúcar ou leveduras, 18% ou mais de graduação, é gerado a partir das castas autóctones do Pico.

É produzido desde a década de 60 e engarrafado desde os anos 70, com a marca Czar, em referência ao facto de, após a revolução russa, em 1917, terem sido encontrados vinhos licorosos do Pico nas caves do palácio de Nicolau II.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já recebeu uma garrafa de vinho licoroso Czar, de um lote de 75, "único no mundo" que atingiu “uma graduação de 20,1% de álcool de forma natural sem a adição de uma gota de aguardente”.

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Os vinhos dos Açores, de forma particular os brancos produzidos na ilha do Pico, têm vindo a ganhar notoriedade no mercado, sendo a paisagem da vinha da “ilha montanha” considerada património da humanidade.

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