Conselheira de Viktor Orbán demite-se depois de declarações polémicas do político: "Puro discurso nazi"

27 jul, 08:53
Viktor Orbán

O primeiro-ministro húngaro condenou, este sábado, a mistura de povos europeus e não europeus

Uma conselheira de longa data de Viktor Orbán anunciou a sua demissão, colocando um ponto final numa relação profissional e "amigável" de 20 anos. O motivo? O "puro discurso nazi" do primeiro-ministro da Hungria, que descreve como "digno de Joseph Goebbels". 

Na carta de demissão, publicada esta terça-feira pela revista HVG, Zsuzsa Hegedüs admite ter ficado crescentemente incomodada pela "viragem antiliberal" do político, que tem vindo a intensificar-se nos últimos anos. 

Orbán tem sido um crítico das políticas de imigração europeias ao longo da sua carreira política, e recorre frequentemente a um tipo de linguagem associado à extrema-direita (exemplificada por expressões como "homogenia étnica"). 

Um discurso ocorrido no passado sábado, num evento na Roménia, motivou uma nova onda de críticas e indignação - tanto a nível nacional como internacional. Discursando na cidade de Băile Tuşnad, o político defendeu que a mistura de diferentes povos europeus era "aceitável", condenando porém a miscigenação entre povos europeus e não-europeus. 

"Estamos dispostos a misturar-nos uns com os outros, mas não queremos tornar-nos pessoas de raça mista", declarou, acrescentando que os países onde tal acontece "já não são nações". 

Foi este o ponto de rutura para a conselheira, que na carta de demissão confessou já ter defendido o primeiro-ministro de acusações de antissemitismo e racismo em ocasiões anteriores. Estas novas declarações são, porém, indefensáveis. "Lamento sinceramente que esta posição tão vergonhosa me tenha forçado a cortar a nossa relação". 

Viktor Orbán já é familiar a acusações de intolerância e preconceito - assumindo orgulhosamente, aliás, a sua resistência à "mordaça do politicamente correto" e às "elites liberais". Ainda assim, são raras as acusações por parte de membros do seu círculo político, e ainda mais raras as demissões motivadas por dissonâncias ideológicas. 

Shaun Walker, jornalista do The Guardian, comenta que a demissão de Zsuzsa Hegedüs pode significar uma mudança na conjetura política húngara, mostrando que "até algumas partes da direita se mostram desconfortáveis com a forma como esta retórica sobre temas raciais se está a desenvolver". 

Orbán já se pronunciou em comunicado, afirmando aceitar a demissão daquela que é uma das suas conselheiras mais antigas. Mas reforça: não é racista.

"Não pode estar seriamente a acusar-me de racismo depois de 20 anos a trabalharmos em conjunto. Sabe melhor do que ninguém que, na Hungria, o meu governo segue uma política de zero tolerância para com antissemitismo e racismo", escreveu.

A próxima paragem do político húngaro é em Dallas, nos Estados Unidos, onde marcará presença na abertura do CPAC - um evento político organizado pelos conservadores do país. 

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