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"É um dia feliz". Derrota de Orbán na Hungria vista como sinal de esperança para a Europa

13 abr, 07:14

 

 

Eu aliás subscrevo tudo mesmo o que disse o Pedro Duarte. Quando um ditador perde eleições, quando um ditador é derrotado, no caso até pelo voto, é sempre um dia bom. Podemos chamar-lhe democracia iliberal ou autocracia, não era uma democracia, como disse o Pedro na Hungria havia um controlo da comunicação social, dos tribunais, das universidades que têm manifestado bastante, e portanto no fundo hoje é um dia bom.

 

Este dia, além do mais, pelos húngares e pelo que esperemos que venha a acontecer na Hungria, mas também por tudo o que também referiu o Pedro, porque haverá outros posicionamentos para nós no quadro da União Europeia, embora saibamos que quem ganhou as eleições, o Peter Magyar, não é também um grande europeista, mas enfim, mas vale mais, mas seguramente será uma evolução relativamente a Viktor Orbán, porque é um aliado de Putin que perde o poder, porque é um aliado de Trump que perde o poder e porque também acho que, embora seja que concorde um bocadinho prematuro, eu também faço esta leitura que o Pedro fez, que é um misto de leitura e de esperança e de vontade, de que isto também signifique uma mudança ou algo contra estes populismos, porque o que se verificou hoje foi de facto que, como sempre, os partidos de extrema direita radical populista de toda a Europa apoiaram e estiveram presentes, mais ou menos, mas apoiaram Orbán. J.D. Vance esteve num comício de Orbán, Trump telefonou e fez vários apelos e na verdade de certa forma, não quero exagerar, mas de certa forma saíram todos derrotados e portanto hoje é, nessa medida, um bom dia. Além do mais, com uma votação expressiva, terão votado cerca de 80% dos húngaros e com o resultado de cerca de dois terços, tanto quando eu entrei para aqui era o número que estava em cima da mesa, cerca de dois terços dos mandatos no Parlamento húngaro.

 

É verdade também, claramente houve aqui um voto de rejeição ao Orbán em que toda a gente se fez uma espécie de voto útil, se repararmos houve uma espécie de voto útil neste candidato, que é um candidato de centro-direita, aliás, há dois anos fazia parte do partido de Viktor Orbán, portanto saiu há dois anos, mas, como digo, ele não foi muito assertivo nem muito claro nos seus propósitos, mas eu aqui volto a dizer, entre a certeza do que é mau e muito mau, e uma certa incerteza, mas que resulta numa esperança de facto da derrota do extremismo, do populismo e da vitória da democracia e, portanto, corroboro tudo,

acho que é um bom dia, espero que a transição se faça pacificamente e se faça como deve ser feita e que não haja novidades desagradáveis, seria gravíssimo e, portanto, espero bem que assistamos a uma transição do poder como tem que ser na sequência destas eleições. Pois, Che Guevara acredita que vamos ter mesmo uma grande mudança na Hungria? Não, grande mudança, não é preciso haver uma grande mudança para haver uma mudança significativa. Porque hoje temos Putin preocupado e Trump danado e esta diferença mostra até que ponto o que aconteceu na Hungria é relevante.

 

Vá lá ver, as estruturas da União Europeia não foram feitas para a paz, não foram feitas para a guerra e hoje a Europa tem uma guerra, tem a guerra da Ucrânia, que é bastante relevante do ponto de vista político para a Europa, e tem uma guerra política país a país com o assenso de uma extrema direita que é apoiada quer por Putin, quer por Trump e o Trump, quem diz, os seus milionários, o Elon Musk, o Steve Bannon, portanto, vários que apoiam. Portanto, é uma guerra, as estruturas da União Europeia não são muito adaptadas para responder. É certo que face à traição americana em relação à Ucrânia, apesar de tudo, uma parte da Europa percebeu que tem que se mexer e tem que gastar dinheiro e tem que construir forças de defesa significativas e tem que apoiar sem ambiguidades a Ucrânia.

 

Isso, apesar de tudo, é positivo, é por más razões, mas é positivo. Agora, esta coisa da Hungria é muito importante e o homem que está preocupado está preocupado, o homem que está danado está danado. Ambos vão fazer estragos, porque cada um deles tem meios para fazer estragos.

 

O que a gente tem é que responder aos estragos com outros estragos. E vamos para o próximo tema, o fracasso das conversações, das negociações entre o Irã e os Estados Unidos, era um desfecho que o Pedro Duarte já antecipava? Hoje em dia é muito difícil nós prevermos e anteciparmos, seja o que for, desigualmente quando os protagonistas são aqueles que são, nomeadamente do lado norte-americano. Eu diria que o fracasso que é um fracasso das negociações, nesta fase, é objetivamente um fracasso de Donald Trump.

 

Isso parece mais ou menos evidente, depois de todas as ameaças, depois da escalada, depois desde logo da iniciativa em si de intervir no Irã, os Estados Unidos da América toda vez encontra-se numa situação muito delicada, por obra e graça, evidentemente, de um homem, mas a verdade é que é o país e todo aquele Estado gigantesco e aquela potência que está em causa. Porque se nós repararmos e pensarmos um pouco, Donald Trump já conseguiu deteriorar, para não dizer estragar, de vez, a credibilidade dos Estados Unidos junto daqueles países todos do Golfo, onde de facto os Estados Unidos gozavam de uma reputação, mesmo quando não tinham boas relações com alguns daqueles Estados, tinham uma reputação que era inquestionável. Hoje não se passa o mesmo.

 

A própria relação com Israel, depois desta intervenção do Irã, está muito degradada, porque até no seio da administração americana e das pessoas mais próximas de Donald Trump há muita gente já a questionar e a não perguntar mesmo se não foram enganados por Israel. Portanto aquela relação de confiança foi já também deteriorada nas últimas semanas. Mas mais grave ainda, aqueles que são os aliados tradicionais, europeus, o Reino Unido, o Reino Unido, se nós ouvirmos hoje em dia o que o Primeiro-Ministro britânico já diz cotidianamente, mostra de forma muito evidente como se quebrou de uma forma inimaginável aquilo que era uma relação de confiança mútua, aquilo que é, por exemplo, ouvirmos o líder canadiano, recorrentemente a intervenções públicas, a mostrar absoluta divergência e corte até por vezes de relações inclusive comerciais e de outra natureza com os Estados Unidos, prova-se que Donald Trump conseguiu, em muito poucos meses, deitar para o caixote lixo décadas e décadas e décadas, até séculos eventualmente, em que os Estados Unidos se afirmaram no mundo como uma referência.

 

É evidente que eu espero que tudo isto seja reversível e que aquilo que é esta intervenção no Irão, pelo menos tenha uma coisa positiva, que é de facto a derrota eleitoral no próximo mês de novembro nas intercalares norte-americanas, porque de resto eu só vejo elementos negativos nesta fase, com sinceridade. Acho que o próprio Donald Trump percebeu já que tem que encontrar uma saída, não sabe qual e está um bocadinho de cabeça perdida, a tentar de todas as formas encontrar uma saída minimamente airosa, ou pelo menos que pareça ser airosa, de um buraco em que se meteu, e cujo benefício acho que nenhum de nós consegue explicar, e quando digo nenhum de nós, nem a própria administração americana já consegue na sua propaganda explicar qualquer benefício. E isso nota-se até nas próprias fissuras internas dentro dos Estados Unidos.

 

Vamos ter esperança que de tudo isto pelo menos haja uma mudança política no curto prazo nos Estados Unidos, porque aquele país precisa muito e o mundo também precisa. A acreditar nas últimas notícias o bloqueio naval ao Irão pode ser um movimento seguinte por parte dos Estados Unidos? Que consequências receia o Pedro Duarte? Escalada, mas eu acho que isto é típico de, quer dizer, se nós avaliarmos Donald Trump, desde os tempos é que ele era um comerciante, um empresário, e ele joga sempre com uma vantagem, que as pessoas acharem que ele é louco, e ele joga com isso, e portanto de ponto de vista negocial isso é um ativo para ele, porque de facto tem estado do outro lado da mesa, acha sempre que ele pode fazer qualquer coisa irracional, e as pessoas sensatas normalmente têm uma atitude mais apreensiva perante um louco quando estão a negociar com um louco. E ele joga muito com isso.

 

Ora, com o Irã não resultou muito, porque aquele regime, por razões seculares, tem características muito diferentes, e esta escalada de ameaças, de que vai destruir, de que vai fazer mil e uma coisas, não tem resultado. Ora, isto do bloqueio é mais uma ameaça, mas é uma ameaça para efeitos evidentemente negociais, mas até pode ser que tenha um efeito e que se consiga de alguma maneira. Agora, eu genuinamente acho que isso não vai acontecer, isso é acontecer é de facto para tentar durante dois ou três dias ganhar algum peso negocial.

 

É evidente que quando eu digo que ele se coloca numa posição de que seja percepcionado pelos outros como um louco, eu também não tenho garantias que ele não seja mesmo um louco. Portanto, desse ponto de vista é evidente que pode acontecer alguma coisa muito negativa, como é evidente, nós nunca sabemos onde ele vai parar. O desfecho das negociações em Islamabad era o desfecho que a Alexandra previa? Que eu previa? Não pus grande fé em que pudessem ter bom desfecho, embora, exatamente por causa de uma coisa que o Pedro disse, hoje estamos muito de acordo, eu achasse que de certa forma o Trump estava à procura de uma saída aerosa para a situação em que se meteu, e eventualmente ter havido um acordo nestas negociações deste fim de semana poderia ser essa saída aerosa.

 

Ou seja, nós já percebemos todos, acho que o mundo todo já percebeu que o Trump não se sabe em que se meteu, não sabe como sair daquilo, está numa situação muito pior do que estava antes de fazer isto, teve uma vitória militar, naturalmente, mas eu ouvi, tenho ouvido até algumas comentários militares sobre isto, hoje em dia com drones e outras soluções é relativamente fácil a um país que tem menos meios que outro conseguir fazer danos relevantes, e como se viu que o Irã conseguiu fazer, e portanto, apesar da vitória militar, na verdade ela não serve para grande coisa a Trump, por ele está num beco sem saída, em que os seus aliados da NATO não o acompanharam, e ainda bem, em que, como disse o Pedro, semeou uma desconfiança em toda aquela zona do meio do Oriente, que é uma zona, enfim, incrivelmente instável, em que se percebeu que, não tinha pensado em nada, não havia estratégia nenhuma, em que se percebeu que foi claramente enganado pelos israelitas, que aliás, apesar do cessar fogo, continuaram a bombardear o Líbano como sem dó nem piedade, e portanto, e por tudo isto está muito fragilizado, acho eu, quer no plano internacional, quer no plano interno, e a vantagem de estar fragilizado no plano interno, espero eu, que seja exatamente como o Pedro disse, consequências eleitorais nas eleições que vai haver em novembro. Mas quer dizer uma coisa, enfim, certo? Sim, sim. Mas há uma coisa que eu queria dizer quanto à loucura de Trump.

 

Seria um peço emocional. Eu penso que irá haver, enfim, não quero acreditar, mas sim, mas sim, tudo é possível. Eu queria dizer uma coisa sobre a loucura de Trump.

 

Eu acho que ele, de facto, tem ali uma dimensão de, enfim, de psiquiátrica, mas esta coisa do Irã também serviu para apresentar um Trump a que os ingleses, os americanos andam a chamar a doutrina taco. O que é a doutrina taco? Trump always chickens out, que é como quem diz, é ultimato atrás do ultimato, mas na hora H dá mais tempo, na hora H não faz, e esta doutrina taco, ou seja, esta ideia de que ele, na verdade, é um rofia que diz umas coisas, mas que depois também não faz, também é algo que mina, para o outro lado, a posição dele. E depois ele subestimou o Irã.

 

São 90 milhões de pessoas, é uma civilização muito antiga, é um regime facínora, como é evidente, mas como se percebeu, com raízes, e portanto acho mesmo que a situação, ele mandou o J.D. Vance, e eu até achei que o J.D. Vance talvez pudesse ser um bocadinho melhor sucedido do que os que estavam a negociar na altura em fevereiro, quando ele atacou, porque não podemos esquecer que o ataque ao Irã dá-se enquanto estavam sentados à mesa das negociações, que é uma coisa, enfim, de uma traição indizível. Portanto, enquanto tinha alguns dos seus enviados sentados com enviados do Irã, estava a atacar à mesma altura, que é uma coisa que eu acho que só se vê em situações mesmo de traição total. E eu acho que este envio do J.D. Vance, que como sabemos é alguém que não é a favor das intervenções americanas fora de portas, foi um bocado para tentar eventualmente ou queimar J.D. Vance, não acho que fosse impossível, ou enfim, tentar que ele tivesse aqui algum efeito.

 

Seja como for, é uma má notícia obviamente para o mundo, porque se ele agora quer fechar o Estreito de Ormuz, economicamente vai ter imensas consequências, humanitariamente imensas consequências, e portanto voltámos outra vez aqui a uma situação, pelo menos, pelo menos, de grande, de grande instabilidade. Mas eu também sou daquelas que acho que enquanto Trump foi Presidente dos Estados Unidos não haverá estabilidade no mundo, portanto. O Prefeito Pereira já esperava o fracasso desta agenda? Já, já, vai lá ver.

 

Eu tenho uma tese que nem sempre é seguida integralmente, é só seguida parcialmente. Aquela é louco, é demente, mas é demente de uma determinada forma, ou seja, é um narcisismo patológico, é uma mistura de ressentimento, vingança, crueldade, tudo junto acelerado pela demência. Uma das coisas que eu vejo com alguma ironia é os cientistas políticos por todo mundo tentarem encontrar racionalidade na demência, mas enfim, é um dos problemas da ciência política, é um dos problemas, enfim, da vontade de querer encontrar racionalidade onde ela não existe, mas pronto, seja como for.

 

E portanto, é errático, não defende interesse nenhum a não ser o dele próprio, se diz que ele não defende os interesses dos Estados Unidos, coisíssima nenhuma. É muito interessante que há trampistas portugueses, e os trampistas portugueses acham que ele está a fazer uma grande obra. Eu encontro alguns no Observador e noutros sítios que é muito curioso de ler.

 

Um homem que diz que pensa com os ossos, quer dizer, devia servir de alarma, o homem pensa com os ossos, e quando os ossos lhe dizem faz a guerra, faz guerra, quando os ossos lhe dizem, provavelmente lhe dói, não faça guerra, não faz guerra. É tudo com a intuição, porque ele é o gênio, é o gênio do mundo inteiro e portanto tem uma intuição que acerta sempre. Mas a realidade é muito simples e pode-se dizer numa frase, os Estados Unidos são um proxy de Israel.

 

Basta isso. Suponho que podemos dispensar uma segunda ronda sobre este tema, não havendo oposição, e parece que suponho bem. Nós vamos entrar numa semana que podemos dizer de prolongamento nas negociações para mudança na legislação de trabalho.

 

Pedro Duarte acredita que este prolongamento pode trazer o que até agora não aconteceu, isto é, uma mudança tal nas propostas que o Governo tem para apresentar aos parceiros sociais, que possa levar a OGT a mudar de opinião e a subscrever as mexidas no pacote laboral? Eu genuinamente acredito que sim. Acredito que sim que se pode chegar a um entendimento. Não estou tão certo que seja preciso mexer muito mais daquilo que é hoje em dia no Governo.

 

E digo porque já houve de facto uma evolução muito significativa. Desde o início do processo então é imensa, mas mesmo nos últimos dias ou semanas tem havido de facto evolução e da parte do Governo uma enorme disponibilidade não só para dê-lhe lugar, mas para ceder. Isso tem acontecido, eu julgo, de forma sistemática e até com uma cadência tal, porque pelo que eu percebi, pelo que fui lendo nos jornais, a proposta que foi levada à última reunião da OGT, em que houve uma decisão unânime de não celebrarem o acordo, a proposta que lá estava já não era a última, não é? Portanto não tinha ainda sido formalizada por escrito a nova versão do Governo, mas o Governo já tinha assumido mais avanços.

 

E portanto o Governo, espero eu, seja uma pessoa de bem e esteja com boa fé, portanto se assumiu, certamente também poderá transcrever e passar a papel. E portanto já terá havido até evoluções a esse respeito. E portanto eu diria que nesta altura, tudo muito espremido, a verdade é que só estamos perante uma questão política, já não tem nada a ver com a substância daquilo que é a reforma laboral, porque os pontos onde ainda não há convergência são absolutamente ultrapassáveis se houver boa vontade.

 

O que é que significa a expressão pontos políticos? Eu não queria estar a fazer, quer dizer, uma vez falamos sobre isso, já foi há umas semanas atrás, eu disse de forma muito clara, eu acho que a UGT está a ter uma atitude que não é a pensar estritamente naquilo que é o conteúdo da reforma laboral, nem o interesse dos trabalhadores. Há outro tipo de nuances politico-partidárias que estão em cima da mesa. Mas eu não quero ser eu a criar areias na engrenagem, eu tenho genuinamente a expectativa e a esperança que depois de tanta cedência do lado do Governo, haja também uma pequena cedência da parte da UGT.

 

Já não se pede mais do que isso, é uma pequeníssima cedência do lado da UGT. E isso será por razões até da racionalidade, ainda há pouco o Pacheco Pereira aqui falava de racionalidade, portanto vamos acreditar que vai haver racionalidade. Porque o facto de não haver um acordo, o que é que vai significar? Vai significar um problema complexo para os trabalhadores, porque a reforma laboral vai passar a ser discutida na sua íntegra, digamos assim, no Parlamento, dando voz e corpo a uma imprevisibilidade muito maior daquilo que vai ser a solução final, e em que a UGT aí já não vai ter nenhum papel a desempenhar a esse respeito.

 

E portanto, já que tem uma solução que está quase ao lado, quase a chegar-se àquilo que seria a sua solução, acho que valia a pena ponderar-se se não será uma atitude muito pouco razoável, eu diria, de repente abdicar de tudo para entrarmos num campo de imprevisibilidade no Parlamento, não sabendo que maiorias lá se podem gerar, designadamente quando o Partido Socialista já diz que se colocará completamente de fora. E por outro lado, aquilo que é próprio o papel do Presidente da República. A UGT tem que também ser sensível, minimamente sensível, àquilo que são os apelos do Presidente da República, e àquilo que poderá ser a posição em que fica colocado o Presidente da República se a UGT continuar com esta intransigência, porque vai dar-lhe problema ao Presidente da República.

 

Para si, o Presidente da República está preocupado com a ideia de ter de ser fiel à palavra e portanto vetar, ou com o conteúdo que a assidência da UGT tocou possa significar. O Presidente da República disse que vetaria a versão inicial do Governo, portanto nunca se referiu àquilo que é o que temos hoje em cima da mesa e àquilo que eventualmente será uma proposta que venha a sair do Parlamento. E ainda bem, acho que o Presidente da República deve estar em função daquilo que for um conteúdo muito concreto que vai avaliar e analisar.

 

Aquilo que na altura, porque tem havido alguma confusão no espaço público, o Presidente da República disse que a proposta que fosse aprovada fosse o documento inicial do Governo que vetaria. Mas esse documento hoje em dia já está muito diferente daquilo que era. E portanto não há nenhum, a esse respeito, nenhum compromisso.

 

Também seria até muito mau sinal quando não temos um texto final se o Presidente da República já estivesse a dizer como é que iria agir. E portanto, desse ponto de vista não acho que haja qualquer compromisso. Acho que do ponto de vista do Presidente é mais complexo, quando o próprio está a intervir, e muito bem, devo dizer, a tentar intermediar, de repente, ser ignorado pela UGT, porque de facto vai enfraquecer aquilo que é o papel do Presidente.

 

Se o contrário acontecer, eu acho que daí seria eu o primeiro a dizer que o Presidente da República sai fortalecido, teve uma vitória política, se quisermos, se de facto tivermos aqui um acordo. E portanto é nesse sentido que eu falo do Presidente da República. Quanto ao resto, eu acho que o Presidente da República está absolutamente livre para, em função daquilo que for a versão final, decidir se deve vetar ou não.

 

 

A derrota de Viktor Orbán nas eleições na Hungria foi interpretada como um sinal político relevante na Europa

O resultado das eleições na Hungria, o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irão e o prolongamento das conversações sobre legislação laboral em Portugal dominaram o mais recente “Princípio da Incerteza” e a derrota de Viktor Orbán foi interpretada como um sinal político com impacto além-fronteiras.

Para Pedro Duarte, “é um dia feliz”, que traz “alguma esperança num tempo tão desafiante e turbulento”. O comentador defende que o resultado representa um alívio para a coesão europeia, sublinhando que Orbán foi “o líder que mais desafiou a ideia europeia” nos últimos anos.

"Hoje da Hungria vieram boas notícias, não há outra forma de me expressar, eu diria, do que manifestar desde logo este meu sentimento. Acho que é um dia feliz e que transporta, apesar de tudo, alguma esperança, num tempos tão desafiantes e turbulentos como aqueles que estamos a viver", afirmou o comentador da CNN Portugal.

Pedro Duarte destaca ainda o impacto na guerra na Ucrânia, considerando que a saída de cena do primeiro-ministro húngaro retira à Rússia “um aliado dentro do espaço europeu”, o que pode reforçar a resposta da União Europeia ao conflito.

"Orbán era um aliado de Putin, era uma espécie de um infiltrado da estratégia de Putin no seio da Europa e da União Europeia, e até do mundo ocidental. E isto tem uma repercussão, porque a Rússia deixa de ter um aliado dentro do espaço ocidental europeu. E vamos ver agora o efeito que isto vai ter, eu acho que pelo menos daquilo que é a resposta europeia à guerra na Ucrânia haverá maior coesão e isso pode ter também um efeito positivo, desejo eu e espero eu, naquilo que é a estratégia também de defesa ucraniana e naquilo que são os valores e princípios".

Também Alexandra Leitão considera o resultado positivo, afirmando que “quando um ditador perde eleições, é sempre um dia bom”. A comentadora aponta para o controlo exercido sobre instituições na Hungria e vê nesta derrota uma oportunidade de mudança, ainda que com cautela quanto ao futuro político do país.

"Quando um ditador perde eleições, quando um ditador é derrotado, no caso até pelo voto, é sempre um dia bom. Podemos chamar-lhe democracia iliberal ou autocracia, não era uma democracia, como disse o Pedro na Hungria havia um controlo da comunicação social, dos tribunais, das universidades que têm manifestado bastante, e portanto no fundo hoje é um dia bom".

Alexandra Leitão sublinha ainda que o resultado pode representar “uma esperança” no combate ao populismo, lembrando que Orbán contou com o apoio de várias figuras internacionais e da extrema-direita europeia.

Já Pacheco Pereira relativiza a dimensão da mudança, mas reconhece a sua relevância, notando que “não é preciso haver uma grande mudança para haver uma mudança significativa”. O comentador aponta para o impacto imediato da derrota de Orbán, afirmando que deixa “Putin preocupado e Trump danado”.

"Péter Magyar não foi muito assertivo nem muito claro nos seus propósitos, mas entre a certeza do que é mau e muito mau, e uma certa incerteza, mas que resulta numa esperança de facto da derrota do extremismo, do populismo e da vitória da democracia e, portanto, corroboro tudo, acho que é um bom dia, espero que a transição se faça pacificamente e se faça como deve ser feita e que não haja novidades desagradáveis, seria gravíssimo e espero bem que assistamos a uma transição do poder como tem que ser na sequência destas eleições. Não é preciso haver uma grande mudança para haver uma mudança significativa. Porque hoje temos Putin preocupado e Trump danado e esta diferença mostra até que ponto o que aconteceu na Hungria é relevante".

Os comentadores admitiram, ainda assim, que é cedo para falar numa inversão global do populismo, embora reconheçam no caso húngaro um sinal de possível mudança. A elevada participação e a dimensão da vitória foram apontadas como indicadores de um voto de rejeição claro ao anterior poder.

Antes destes temas, o programa recordou ainda o debate “Frente a Frente” entre Pacheco Pereira e André Ventura, marcado para segunda-feira à noite na CNN Portugal. Entre as regras acordadas estão a ausência de ataques pessoais e a discussão baseada em factos comprovados, com foco em temas como violência política, corrupção e colonialismo.

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