São 25 anos de chavismo. O que pode mudar?

5 jan, 20:00

Depois da intervenção militar na Venezuela, feita sem um mandado da Comunidade Internacional, a CNN Portugal perguntou a dois cientistas sociais venezuelanos se viam a intervenção como justificada, tendo em conta o estado do tecido económico e social da Venezuela. 

Para Pedro García Sanchez, Sociólogo na Universidade de Paris -Nanterre, quem fala numa violação da soberania da Venezuela esquece-se de que o país tem visto a soberania violada por "agentes cubanos" e "interesses iranianos" ao longo dos anos e que pouco foi feito pela comunidade internacional.

O investigador diz que os interesses de Havana têm formado as várias polícias da Venezuela da era chavista, sem esquecer a polícia política, que integra, para García Sanchez, os interesses castristas. 

Ainda assim, para a politóloga Yoletty Bracho, investigadora na Universidade de Avignon, a intervenção militar dos Estados Unidos não garante que a Venezuela regresse a uma situação democrática.

"Esta medida não me parece ser uma garantia de que os interesses económicos dos Venezuelanos serão respeitados."

Bracho reconhece, no entanto, que os governos de Maduro fizeram "muito dano aos venezuelanos" e que a última fase do chavismo foi "um regime autoritário que prejudicou o país e os venezuelanos."

Os venezuelanos precisam de um líder

Antes de Delcy Rodríguez ter assumido o poder como Presidente interina, a CNN Portugal perguntou quem seria o próximo líder dum país que correria o risco de atravessar um período perigoso de vazio democrático.

Pedro García Sanchez diz que os venezuelanos têm um líder eleito desde 28 de julho de 2024 - Edmundo González - e que se ele não assumiu o poder foi porque a comunidade latino-americana não fez o necessário para que a Organização de Estados Americanos aplicasse a Carta Interamericana, o que, diz "já deveria ter acontecido há algum tempo."

A politóloga Yoletty Bracho diz que é interessante o facto de que Trump tenha aceitado que Delcy Rodríguez assumisse a presidência, uma vez que, para ela, Rodríguez representa o "chavismo autoritário e Estatal". 

Chávez, um eleito contra um sistema em desgaste

Hugo Chávez Frías foi eleito Presidente da Venezuela em 1998, aos 44 anos, depois de uma tentativa de golpe de Estado falhada, seis anos antes, e de ter passado uma temporada na prisão.

García Sanchez diz que Chávez venceu as eleições porque se apresentou como "um messias" e que surgiu numa época em que os venezuelanos estavam fartos de um sistema com muita corrupção.

Yoletty Bracho recorda que, em todo o caso, quando Chávez foi eleito, há provas históricas e estatísticas que mostram como a Venezuela dessa época - fim dos anos noventa - viva as consequências das duras políticas de austeridade e que tinha crescido a quantidade de pessoas que se sentiam socialmente excluídas.

"Muita gente viveu uma vida muito difícil e precária nos anos oitenta e noventa. E Chávez chega, nesse tempo, com um discurso de uma nova justiça social, com um novo pacto."

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