Protestos em Luanda já fizeram, pelo menos, três mortos, diz imprensa angolana
A greve de três dias convocada pelos taxistas da região de Luanda está na origem das manifestações em várias zonas da capital. Na origem do movimento grevista, está o aumento de até 47% dos preços dos combustíveis, que a Associação Nova Aliança dos Taxistas considera inadmissível. Do equivalente a 0,19 cêntimos de euro o litro, o combustível passa para o equivalente a 0,28 cêntimos de euro o litro - de 200 para 300 kwanzas.
À frustração dos taxistas, que exigem também que sejam definidas paragens para as viaturas que conduzem e a criação de uma carteira profissional do setor, junta-se a de uma população asfixiada pelo aumento do custo de vida.
Em entrevista à CNN Portugal, o jornalista e economista Carlos Rosado de Carvalho recordou que houve um aumento generalizado do custo de vida em Angola. "Aumentaram as propinas e aqui não há ensino público, aumentou o gasóleo, aumentaram os transportes, aumentou a eletricidade, aumentou a água (...)."
Rosado de Carvalho recorda que a greve desta semana veio reforçar um movimento de contestação social que motiva os angolanos a saírem às ruas há algum tempo. "Há movimentos da sociedade civil que têm marcado manifestações todas as semanas. Pelo menos nos dois últimos sábados houve manifestações. É de esperar que essas manifestações possam prosseguir no futuro", disse.
Nas redes sociais, os angolanos dizem ser muito injusto que um país que produza tanto petróleo veja aumentar os preços dos combustíveis. Angola é o terceiro maior produtor de crude em África, ultrapassado apenas pela Líbia e pela Nigéria. Antigo membro da Organização dos Países Produtores de Petróleo, a OPEP, Angola está também entre os 20 maiores produtores do mundo.