ONU considera que há possíveis crimes contra a Humanidade no caso Epstein. França abre investigações
O painel escolhido pela Organização das Nações Unidas considera, de acordo com um relatório, que há indícios de vários crimes contra a Humanidade no chamado "caso Epstein". Os peritos referem a necessidade de que sejam investigados, de forma detalhada e independente, possíveis casos de racismo, de fraude fiscal de natureza transnacional e de misoginia agravada. Para o painel, os vários países afetados devem acionar os mecanismos de justiça para o efeito.
"São tão graves a dimensão, a natureza e o caráter sistemático e transnacional destas atrocidades contra mulheres e meninas que um número delas pode preencher os requisitos legais para serem consideradas crimes contra a Humanidade", pode ler-se no relatório.
Foi o que fez a Justiça francesa. Esta quarta-feira, a procuradora da República em Paris, Laurence Beccuau, disse que o país não podia "passar ao lado de uma revelação potencial de factos que podiam ser suscetíveis de ter uma classificação penal."
Laurence Beccuau anunciou assim a abertura de duas investigações gerais, com um grande grupo de magistrados dedicados exclusivamente a ambos casos. A primeira por crimes de natureza sexual e exploração de menores por rede organizada internacional e a segunda por fraude e corrupção agravadas a nível internacional.
Tal como a ONU, também a Justiça francesa apela às vítimas que ainda não tenham testemunhado que o façam, sem medo, junto das autoridades francesas e internacionais.