Médio Oriente reage às ameaças de Trump contra o Irão. E Putin procura aproximar-se da região

30 jan, 20:07

Trump renovou, na última semana de janeiro, as ameaças contra o Irão, com o objetivo de pressionar os líderes da República Islâmica a sentar-se à mesa para dialogar sobre o programa nuclear, que Teerão insiste em que tem fins pacíficos.

As ameaças de Trump fazem-se acompanhar por um deslocamento de uma importante força naval dos Estados Unidos que se tem aproximado do Golfo Pérsico - incluindo os porta-aviões Abraham Lincoln e o Gerald Ford, o maior e único da sua classe.

Quinta-feira, o presidente renovou as ameaças contra os iranianos, numa conferência de imprensa com vários membros da Administração, incluindo o secretário da Defesa. Pete Hegseth defendeu a postura do presidente e disse que os iranianos deviam entender que, quando se expressava sobre um assunto, Donald Trump fazia com que as coisas acontecessem, fosse na Venezuela, fosse no Irão. 

Alerta no Médio Oriente 

Mas um ataque dos Estados Unidos ao Irão pode acender um barril de pólvora, como pensam vários Estados do Golfo. É o caso da Arábia Saudita, cujo príncipe Mohammed bin Salman assegurou à liderança iraniana, em conferência telefónica, que o espaço aéreo saudita não seria usado por forças estrangeiras em ataques contra o Irão. 

O mesmo defendem os líderes do Catar e do Egito, que também fizeram saber ao presidente da República islâmica que preferem as vias diplomáticas a uma possível nova guerra na região.

Também os Emirados Árabes Unidos rejeitam a possibilidade de um ataque dos EUA ao Irão. Numa visita a Moscovo,  Mohamed bin Zayed Al Nahyan, o presidente do país e monarca do Emirado de Abu Dhabi, ouviu um Putin interessado em colaborar com os Estados do Golfo, no sentido de encontrar uma solução pacífica para mais um agravamento das tensões.

Vladimir Putin disse o que o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comunicou horas antes aos jornalistas que a Rússia acreditava que uma nova intervenção dos EUA no Médio Oriente mais não faria do que "provocar o caos na região."

Putin aproveitou a visita do líder dos Emirados Árabes Unidos para insistir também, em discordância com Donald Trump, que a solução para o conflito israelo-palestiniano é a criação de um Estado palestiniano, ao lado de Israel, para o que definiu como "paz duradoura".

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